Solenidade da Santíssima Trindade (PDF)

Há uma passagem surpreendente nas palavras de Jesus: a Mim foi dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois.
Este “pois” é belíssimo: para Jesus é óbvio que cada coisa que é sua é também nossa. Tudo é para nós: a sua vida, a sua morte, a sua força. Ide, pois. Fazei discípulos todos os povos…
Com que propósito? Alistar devotos, fazer crescer o movimento com novos adeptos? Não, mas para um contágio, uma epidemia divina a derramar sobre a Terra.
Ide, perfumai de céu a vida que encontrardes, ensinai a arte de viver, assim como vistes fazer a Mim, mostrai-lhes o quanto são belos e grandes.
E depois as últimas palavras, o seu testamento:
Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim do mundo; convosco, sempre, até ao fim.
Ermes Ronchi, 2017
Ser povo de Deus
Papa Francisco, 2013
Que missão tem o povo de Deus?

Levar ao mundo a esperança e a salvação de Deus: ser sinal do amor de Deus que chama todos à amizade com Ele; ser fermento que faz levedar toda a massa, sal que dá sabor e que preserva da corrupção, ser luz que ilumina.
Ao nosso redor, é suficiente ler um jornal — como eu disse — para ver que a presença do mal existe, que o Diabo age.
Mas gostaria de dizer em voz alta: Deus é mais forte! A realidade às vezes obscura, marcada pelo mal, pode mudar, se formos os primeiros a transmitir a luz do Evangelho, principalmente através da nossa própria vida. Façamos com que a nossa vida seja uma luz de Cristo; juntos, levaremos a luz do Evangelho a toda a realidade.
Qual é a finalidade deste povo? É o Reino de Deus, encetado na terra pelo próprio Deus e que deve ser ampliado até ao seu cumprimento, quando voltar Cristo, nossa vida. Então, a finalidade é a comunhão plena com o Senhor, a familiaridade com o Senhor, entrar na sua própria vida divina, onde viveremos a alegria do seu amor incomensurável, uma alegria plena.
Ser Igreja, ser Povo de Deus, segundo o grande desígnio de amor do Pai, significa anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de respostas que animem, que infundam esperança e que deem um vigor renovado ao caminho.
A Igreja seja lugar da misericórdia e da esperança de Deus, onde cada qual possa sentir-se acolhido, amado, perdoado e encorajado a viver em conformidade com a vida boa do Evangelho. E para fazer com que o outro se sinta acolhido, amado, perdoado e encorajado, a Igreja deve manter as suas portas abertas, a fim de que todos possam entrar. E nós temos que sair através de tais portas e anunciar o Evangelho.
Evangelizar a cultura da não-crença e da indiferença
Conselho Pontifício da Cultura, 2023

Não basta falar para se ser compreendido.
É pedido um grande esforço para utilizar a linguagem das pessoas de hoje, para partilhar as suas expetativas e responder-lhes com sinceridade e com um estilo acessível.
Assim, por exemplo, um bispo polaco apresentou uma “Carta dos Direitos Humanos” que teve um grande impacto sobre o público, honrando desta maneira a perspectiva positiva do Concílio Vaticano II na sua constituição pastoral “Gaudium et spes”:
«As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos.
Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história».
Assegurar a presença da Igreja na vida pública, em diálogo com os não crentes, permite criar uma ponte entre a mensagem evangélica e a vida quotidiana, mensagem que não deixa de suscitar interrogações e, muitas vezes, revelar o invisível no coração do visível.
Trata-se de suscitar interrogações verdadeiras antes de propor respostas convincentes. Com efeito, se estas não respondem às perguntas verdadeiras, e portanto a uma busca pessoal, não suscitam atenção e não são recebidas como pertinentes.
Saindo do santuário para ir para as praças, os cristãos testemunham publicamente, sem publicidade, a alegria de acreditar e a importância da fé para a sua vida. Os diálogos estabelecidos e os testemunhos oferecidos podem suscitar o desejo de entrar no mistério da fé. É a maneira de fazer de Jesus no Evangelho: «Vinde e vede».
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
