Notícias

Reflexão para a Semana V da Quaresma (com vídeo)

Iniciativa do Serviço diocesano da Pastoral da Família, em cada semana um dos bispos da Diocese de Lisboa vai comentar o Evangelho do Domingo seguinte, numa preparação para a Quaresma deste ano. [ler +]

Reflexão diária 28 Mar

A página da Paróquia de São Francisco Xavier vai apresentar diariamente textos para reflexão neste período conturbado da pandemia.
O texto de hoje é a homilia do Papa Francisco na Oração pela Humanidade, celebrada no dia 27 de Março. [ler +]

Reflexão diária 27 Mar

A página da Paróquia de São Francisco Xavier vai apresentar diariamente textos para reflexão neste período conturbado da pandemia.
O texto de hoje é uma homilia do Pe. António Martins, da Capela do Rato, Lisboa. [ler +]

Reflexão diária 26 Mar

A página da Paróquia de São Francisco Xavier vai apresentar diariamente textos para reflexão neste período conturbado da pandemia.
O texto de hoje é tirado da Exortação Apostólica Cristo Vive, do Papa Francisco. [ler +]

Reflexão diária 25 Mar

A página da Paróquia de São Francisco Xavier vai apresentar diariamente textos para reflexão neste período conturbado da pandemia.
O texto de hoje é o convite do Papa Francisco para rezarmos todos juntos o Pai Nosso, nesta quarta-feira, às 12h00 (11h00 em Lisboa). [ler +]

Folha Informativa 29-03-2020

Domingo V da Quaresma (PDF)     TEXTO

A partir de hoje, e enquanto durar a situação de pandemia, fica suspensa a edição da Folha Informativa em papel.

 

Ressurreição de Lázaro, Escola de Rembrandt

 

Os avisos de Deus são claros mas o mundo continua o seu curso; envolvidos pelas suas actividades, os homens não sabem discernir o sentido da história.

Tomam grandes acontecimentos por factos sem importância e medem o valor das realidades segundo uma perspectiva apenas humana…

O mundo permanece cego, mas a Providência oculta de Deus realiza-se dia após dia!

Cardeal John Henry Newman

 

Deixar que Jesus Se aproxime dos nossos sepulcros

Papa Francisco

As Leituras de hoje falam-nos do Deus da vida, que vence a morte. Analisemos em particular o último dos sinais milagrosos que Jesus realiza antes da sua Páscoa, no sepulcro do seu amigo Lázaro.

Ali tudo parece ter acabado: o túmulo está fechado com uma grande pedra; em volta, unicamente pranto e desespero. Também Jesus está abalado pelo mistério dramático da perda de uma pessoa querida: «Comoveu-se profundamente» e ficou «muito perturbado». Depois «desatou a chorar» e foi ao sepulcro, «mais uma vez profundamente comovido». É assim o coração de Deus: distante do mal mas próximo de quem sofre; não faz desaparecer o mal magicamente, mas compadece-Se com o sofrimento, o faz seu e o transforma habitando nele.

Contudo observamos que, no meio da desolação geral pela morte de Lázaro, Jesus não Se deixa levar pelo desânimo. Mesmo sofrendo Ele também, pede que se creia firmemente; não Se fecha no choro, mas, comovido, põe-Se a caminho do sepulcro. Não Se deixa capturar pelo ambiente emotivo e resignado que o circunda, mas reza com confiança e diz: «Pai, dou-Te graças».

Em volta deste sepulcro, acontece portanto um grande encontro-desencontro. Por um lado há a grande desilusão, a precariedade da nossa vida mortal que, atravessada pela angústia e pela morte, experimenta com frequência a derrota, uma obscuridade interior que parece insuperável. A nossa alma, criada para a vida, sofre sentindo que a sua sede de bem eterno é oprimida por um mal antigo e obscuro. Mas por outro há a esperança que vence a morte e o mal e tem um nome: a esperança chama-se Jesus. Ele não leva um pouco de bem-estar ou algum remédio para prolongar a vida, mas proclama: «Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá».

Também nós somos convidados a decidir de que parte estar. Podemos estar do lado do sepulcro ou do lado de Jesus. Há quem se deixa dominar pela tristeza e quem se abre à esperança. Há quem permanece vítima dos destroços da vida e quem, como vós, com a ajuda de Deus, remove os destroços e reconstrói com esperança paciente.Face aos grandes «porquês» da vida temos dois percursos: ficar a olhar melancolicamente para os sepulcros de ontem e de hoje, ou deixar que Jesus se aproxime dos nossos sepulcros. Sim, porque cada um de nós já tem um pequeno sepulcro, alguma parte um pouco morta dentro do coração: uma ferida, uma injustiça suportada ou cometida, um rancor que não dá trégua, um remorso que vai e volta, um pecado que não se consegue superar.Encontremos hoje estes nossos pequenos sepulcros que temos dentro e convidemos para ali Jesus.

É estranho, mas muitas vezes preferimos estar sozinhos nas grutas escuras que temos dentro, em vez de convidar para lá Jesus; somos tentados a procurar sempre a nós próprios, cismando e caindo na angústia, lambendo as nossas chagas, em vez de ir ter com Ele.
Sentimos então dirigidas a cada um de nós as palavras de Jesus a Lázaro: «Sai!»; do engarrafamento da tristeza sem esperança; desata as ligaduras do medo que impedem o caminho; aos laços das debilidades e das preocupações que te bloqueiam, repete que Deus desfaz os nós.

Se os pesos não faltarão, haverá sempre a sua mão que alivia, a sua Palavra que encoraja e diz a todos nós, a cada um de nós: «Sai! Vem a Mim!». Diz a todos nós: «Não tenhais medo».

Também a nós, hoje como naquela época, Jesus diz: «Tirai a pedra!». Por muito pesado que seja o passado, grande o pecado, muita a vergonha, nunca fechemos a entrada ao Senhor. Tiremos diante d’Ele aquela pedra que impede que Ele entre: este é o tempo favorável para remover os nossos pecados, o nosso apego às vaidades mundanas, o orgulho que nos bloqueia a alma, tantas inimizades entre nós, nas famílias… Este é o momento favorável para remover todas estas coisas.

 

A dor dos inocentes

P. Raniero Cantalamessa

O cordeiro sacrificado, Josefa de Ayala

Foi escrito que a dor dos inocentes «é a rocha do ateísmo». Após Auschwitz, o problema colocou-se de maneira ainda mais premente. São incontáveis os livros e os argumentos escritos em torno deste tema. Parece que estamos num processo judicial, em que ouvimos a voz do juiz a ordenar ao réu para se levantar. O réu, neste caso, é Deus, a fé.
O que pode a fé responder a tudo isto?

Antes de mais, é necessário que nos disponhamos todos, crentes e não crentes, a uma atitude de humildade, porque se a fé é incapaz de “explicar” a dor, a razão ainda o é menos.
A dor dos inocentes é algo de demasiado puro e misterioso para poder ser contido dentro das nossas pobres “explicações”. Jesus, diante da viúva de Naim e da irmã de Lázaro, não soube fazer melhor do que comover-se e chorar.
A resposta cristã ao problema da dor inocente está contida num nome: Jesus Cristo. Jesus não veio dar-nos doutas explicações sobre a dor, mas veio para a tomar silenciosamente sobre Si. Tomando-a sobre Si, no entanto, mudou-a por dentro: de sinal de maldição, fez dela instrumento de redenção.
Mais: fez dela o valor supremo, a ordem de grandeza mais elevada neste mundo.

Jesus não deu, porém, apenas um sentido à dor inocente; conferiu-lhe também um poder novo, uma misteriosa fecundidade.
Olhemos para o que brota do sofrimento de Cristo: a ressurreição e a esperança para todo o género humano.
Mas olhemos ao que acontece também à nossa volta. Quanta energia e heroísmo suscita muitas vezes, num casal, a aceitação de um filho deficiente, remetido ao leito durante anos. Quanta solidariedade inesperada em torno deles. Quanta capacidade de amor desconhecida.
O mais importante, no entanto, quando se fala de dor inocente, não é explicá-lo; é não aumentá-la com os nossos actos e com as nossas omissões.
E também não chega não aumentar a dor inocente; é preciso igualmente procurar aliviar a que existe.

Diante de uma criança tolhida de frio que chorava de fome, um homem gritou um dia a Deus, do fundo do coração: «Ó Deus, onde estás? Porque não fazes alguma coisa por esta criança inocente?».
E Deus respondeu-lhe:
«Certamente que fiz algo por ela: fiz-te a ti!».

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

Folha Informativa 22-03-2020

Domingo IV da Quaresma (PDF)     TEXTO

Giotto, Bodas de Caná

Ó Maria, tu sempre brilhas no nosso caminho como sinal de salvação e esperança.
Nós nos entregamos a ti, Saúde dos Enfermos, que na Cruz foste associada à dor de Jesus, mantendo firme a tua fé.

Tu, Salvação do povo romano, sabes do que precisamos e temos a certeza de que garantirás, como em Caná da Galileia, que a alegria e a celebração possam retornar após este momento de provação.

Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a vontade do Pai e a fazer o que Jesus nos disser.

Ele que tomou sobre Si os nossos sofrimentos e tomou sobre si as nossas dores para nos levar, através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém.

Sob a tua protecção, buscamos refúgio, Santa Mãe de Deus. Não desprezes as nossas súplicas, nós que estamos na provação, e livra-nos de todo perigo, Virgem gloriosa e abençoada!

Papa Francisco, 11 Março 2020

 

Quaresma-quarentena: reencontrar os outros e a interioridade perdida

Ermes Ronchi

Charles Wilson Peale, Retrato de família

Neste tempo de emergência, o que está a nascer de bom é a consciência de que a minha existência e a dos outros não dependem de mim; não sou eu o dono da vida.

Basta um vírus para a colocar em risco. Um vírus que pode ajudar-nos a purificar-nos da nossa indiferença diante deste mistério que a nossa sociedade tenta controlar e por vezes “dominar” através do progresso científico-tecnológico.

Esta emergência é um convite a servir a vida, antes de mais pondo fim à superficialidade, à indiferença, ao egoísmo que me faz pôr-me a mim próprio no centro de tudo; e por isso não esquecendo que tudo é dom. A saúde e o bom funcionamento, hoje, das células do meu corpo são um dom a redescobrir; nada é dado como adquirido ou devido.

Talvez a experiência do mal comum nos diga o que é o bem comum, hoje tão escarnecido e vituperado. Desta emergência pode extrair-se uma lição de solidariedade: a tua vida é também a minha vida, e eu, com as minhas forças, colaboro na construção do bem comum. Por isso evito abrir brechas na barragem de contenção comum com escolhas irresponsáveis, e obedeço às disposições restritivas, comportando-me com cautela e responsabilidade, porque ao proteger-me, protejo os mais fracos, os mais expostos: idosos, adultos frágeis, crianças doentes.

Quem sabe se esta precariedade, o sentido de um “inimigo” que nos ameaça, não são as cinzas que impomos sobre a nossa existência para nos encaminharmos para a luz fulgurante da Páscoa, prefigurada pelo Evangelho da transfiguração do passado domingo. Se acolhermos estas cinzas feitas de limites, renúncias, medos, cansaços, doença, sofrimento, morte, então poderemos entrar numa consciência maior, a de sermos envolvidos e responsáveis uns pelos outros, base do viver civil e do viver cristão. Em cada um de nós está o traço de cada pessoa; em cada vida entram, de variadas maneiras, todas as existências.

A Quaresma acende uma luz sobre a nossa precariedade: o Evangelho do primeiro domingo recordava que não só de pão vive o homem. Não podemos viver transformando tudo em bens económicos; em momentos como estes, damo-nos conta de que o rei capitalista vai nu, e que também se vive de contemplação, de beleza, de relações, de sapiência. Vivemos também de vidas doadas para curar os outros, como são aquelas destes heróis modernos que são os médicos e os enfermeiros, que sufocam o medo para dedicar-se com abnegação a quem está frágil e doente.

Estes dias “sem” podem constituir uma oportunidade para nos dedicarmos a alguma coisa de que normalmente fugimos como se fosse um inimigo: a interioridade. Pode ter-se tempo para meditar, orar, caminhar, viver a pura alegria do dom e do agradecimento, viajar interiormente em companhia dos grandes de cada tempo.

Se acolhido de maneira correcta, o “jejum” da missa pode constituir um caminho inédito para o Absoluto que nos espera. A partir do modelo dos Padres do Deserto, que viviam e conseguiam caminhar rumo a Deus para além dos ritos e das fórmulas litúrgicas. Este é o momento de reentrar em si, voltar à interioridade, ao meu eu que se acende diante do mistério da vida e do mistério de Deus.

São dias para nos sentirmos instados por algo que nos preme por dentro e é mais quente, mais intenso, mais luminoso do que tudo aquilo que nos preme de fora.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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