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Peditório para a Conferência Vicentina – 17-18 de Abril

No próximo fim-de-semana, de 17-18 de Abril, recomeça o habitual peditório para a Conferência Vicentina. Recordamos que, devido à pandemia, a recolha das ofertas é feita à entrada para as Missas. [ler +]

Terço dos Homens – 13 de Abril 2021

Na próxima terça-feira, dia 13 de Abril, venha rezar o Terço dos Homens, iniciativa que assinala quatro anos na nossa Paróquia. [ler +]

Ofertórios do fim-de-semana – Abril 2021

Neste fim-de-semana de 10-11 de Abril, os ofertórios das Missas destinam-se a amortizar a dívida contraída com a construção da Nova Igreja. [ler +]

Edições impressas da Folha Informativa e dos Xavierinhos

Com o recomeço da celebração comunitária das Missas, regressam também as edições em papel da Folha Informativa e dos Xavierinhos. [ler +]

Folha Informativa 11-04-2021

Domingo II da Páscoa ou da Divina Misericórdia (PDF)  TEXTO

Rubens, Incredulidade de São Tomé

 

Todas as narrativas de aparições nos Evangelhos são mais do que comprovação de factos; são encontros que mudam a vida com um mistério que transcende tempo e espaço.

O apóstolo Tomé ajuda-nos a compreender que a nossa fé é um relacionamento vivo com Jesus, e não um problema a ser resolvido.

A vida cristã não é um programa a ser dominado, mas um mistério sem fim que nos guiará através desta vida para uma eternidade de descoberta e alegria.

Pat Marrin, National Catholic Reporter

 

 

 

Ir para a Galileia

Papa Francisco, Páscoa 2021

Rembrandt, Cristo na Tempestade no Mar da Galileia

As mulheres foram chorar um morto; em vez disso, escutaram um anúncio de vida. Por isso, como diz o Evangelho, aquelas mulheres estavam cheias de medo e maravilha, uma mistura de medo e alegria que se apodera dos seus corações.
É maravilha pelas palavras escutadas: «Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá O vereis».
Acolhamos este convite de Páscoa: vamos para a Galileia, onde nos precede o Senhor Ressuscitado.

Que significa «ir para a Galileia»?
Antes de mais, recomeçar. Para os discípulos, é voltar ao lugar onde inicialmente o Senhor os procurou e chamou para O seguirem. É o lugar do primeiro encontro e do primeiro amor. Desde então, deixadas as redes, seguiram Jesus, escutando a sua pregação e assistindo aos prodígios que realizava. E todavia, apesar de estar sempre com Ele, não O compreendiam totalmente, muitas vezes entenderam mal as suas palavras e, à vista da cruz, fugiram, deixando-O sozinho.

Não obstante este falimento, o Senhor Ressuscitado apresenta-Se como Aquele que os precede uma vez mais na Galileia; isto é, está diante deles. Chamara-os para O seguirem, e volta a chamá-los sem nunca Se cansar. O Ressuscitado está a dizer-lhes: Partamos donde iniciamos. Recomecemos. Nesta Galileia, aprendemos a maravilhar-nos com o amor infinito do Senhor, que traça novas sendas nos caminhos das nossas derrotas.

Aqui está o primeiro anúncio de Páscoa que gostava de vos deixar: é possível recomeçar sempre, porque há uma vida nova que Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de fazer reiniciar em nós. Deus pode construir uma obra de arte até a partir dos escombros do nosso coração; a partir mesmo dos pedaços arruinados da nossa humanidade, Deus prepara uma história nova. Ele sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce. E, nestes meses sombrios de pandemia, ouçamos o Senhor ressuscitado que nos convida a recomeçar, a nunca perder a esperança.

Ir para a Galileia significa, em segundo lugar, percorrer caminhos novos. É mover-se na direcção oposta ao túmulo. As mulheres procuram Jesus no túmulo, isto é, vão recordar o que viveram com Ele e que, agora, se perdeu para sempre. Vão repassar a sua tristeza. É a imagem duma fé que se tornou comemoração duma coisa linda mas que acabou, apenas para se recordar. Muitos vivem a «fé das recordações», como se Jesus fosse um personagem do passado, um amigo da juventude já distante. Uma fé feita de hábitos, coisas do passado, belas recordações da infância, uma fé que já não me toca nem interpela.

Ao contrário, ir para a Galileia significa aprender que a fé, para estar viva, deve continuar a caminhar. Deve reavivar cada dia o princípio do caminho, a maravilha do primeiro encontro. E depois confiar, sem a presunção de já saber tudo, mas com a humildade de quem se deixa surpreender pelos caminhos de Deus.

Aqui está o segundo anúncio de Páscoa: a fé não é um repertório do passado, Jesus não é um personagem ultrapassado. Ele está vivo, aqui e agora. Caminha contigo todos os dias, na situação que estás a viver, na provação que estás a atravessar, nos sonhos que trazes dentro de ti. Abre novos caminhos onde te parece que não existem, impele-te a ir contra-corrente relativamente a nostalgias e ao «já visto».

Ir para a Galileia significa, além disso, ir aos confins. Porque a Galileia é o lugar mais distante: naquela região composta e diversificada, moram aqueles que estão mais longe da pureza ritual de Jerusalém. E todavia Jesus começou de lá a sua missão, dirigindo o anúncio a quem carrega fadigosamente a vida diária, aos excluídos, aos frágeis, aos pobres, para ser rosto e presença de Deus que incansavelmente vai à procura de quem está desanimado ou perdido, que Se move até aos confins da existência porque, a seus olhos, ninguém é último, ninguém está excluído.

E hoje também é lá que o Ressuscitado pede aos seus para irem. É o lugar da vida diária, são os caminhos que percorremos todos os dias, são os recantos das nossas cidades onde o Senhor nos precede e Se torna presente, precisamente na vida de quem se encontra ao nosso lado e partilha connosco o tempo, a casa, o trabalho, as fadigas e as esperanças.

Na Galileia, aprendemos que é possível encontrar o Ressuscitado no rosto dos irmãos, no entusiasmo de quem sonha e na resignação de quem está desanimado, nos sorrisos de quem exulta e nas lágrimas de quem sofre, sobretudo nos pobres e em quem é marginalizado. Ficaremos maravilhados ao ver como a grandeza de Deus se revela na pequenez, como a sua beleza resplandece nos simples e nos pobres.

E assim temos o terceiro anúncio de Páscoa: Jesus, o Ressuscitado, ama-nos sem fronteiras e visita todas as situações da nossa vida. Ele plantou a sua presença no coração do mundo e convida-nos também a nós a superar as barreiras, vencer os preconceitos, aproximar-nos de quem está ao nosso lado dia a dia, para redescobrir a graça da quotidianidade.
Com Ele, a vida mudará. Porque, para além de todas as derrotas, do mal e da violência, para além de todo sofrimento e para além da morte, o Ressuscitado vive e guia a história.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

Folha Informativa 04-04-2021

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor (PDF)  TEXTO

Sir Edward Coley Burne-Jones, Na manhã da Ressurreição

O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa.
Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas:
feridas que se tornaram frestas de esperança.

A ressurreição de Cristo é a vitória do amor sobre a raiz do mal,
uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte,
mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando
o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.

PAPA FRANCISCO, Páscoa 2020

 

Porque deixámos de saber espantar-nos diante de Jesus?

Papa Francisco, Páscoa 2020

Lambert Sustris, Noli mi tangere

Muitos admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a História… e assim por diante. Admiram-n’O, mas a sua vida não muda: a paralisia espiritual, a resistência à conversão, as expectativas inabaláveis, a incapacidade do espanto, que marcaram o acolhimento do Messias nas ruas de Jerusalém poucos dias antes da sua crucificação, subsistem hoje, inclusive entre os crentes, tornando-os impermeáveis à surpresa, à inovação, à desordem que Ele continua a trazer ao mundo.

À entrada da “Cidade Santa”, Jesus parece ser recebido por uma multidão de cegos: olham-n’O, mas não o vêem, divisam o seu rosto mas desconhecem o seu coração. A sua gente espera para a Páscoa o libertador poderoso, mas Jesus vem para realizar a Páscoa com o seu sacrifício. A sua gente espera celebrar a vitória sobre os romanos com a espada, mas Jesus vem celebrar a vitória de Deus com a cruz.

O que inquieta não é só este engano, que não obstante terem passado dois mil anos, continua a desdobrar-se em ilusórias expectativas dos cristãos sobre quem é Jesus, mas também a brusca mudança de opinião: Que acontece àquela gente, que em poucos dias passou de dar hossanas a Jesus a gritar “crucifica-O”? O que aconteceu?
Aquelas pessoas seguiam mais uma imagem de Messias, que não o Messias. Admiravam Jesus, mas não estavam prontas a deixar-se espantar por Ele.
O espanto é diferente da admiração.
A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e as próprias expectativas; o espanto, pelo contrário, permanece aberto ao outro, à sua novidade.

Para que neste ano de 2021 a atitude dos cristãos seja outra, é preciso um coração novo. Porque admirar Jesus não basta. É preciso segui-l’O no seu caminho, deixar-se colocar em discussão por Ele: passar da admiração ao espanto.
Como é difícil que o assombro de Jesus expulse o entorpecimento e o marasmo, na vida pessoal e na vida da Igreja; e como ele é tão urgente.
A vida cristã, sem espanto, torna-se cinzenta.
Como se pode testemunhar a alegria de se ter encontrado Jesus se não nos deixamos espantar a cada dia pelo seu amor surpreendente, que nos perdoa e faz recomeçar?

Se a fé perde o espanto, torna-se surda: deixa de sentir a maravilha da Graça, deixa de sentir o gosto do Pão da vida e da Palavra, deixa de perceber a beleza dos irmãos e o dom da criação. E não há outro caminho a não ser o de refugiar-se nos legalismos, nos clericalismos e em todas estas coisas que Jesus condena no capítulo 23 de Mateus.
Será esta mais uma Semana Santa incapaz de sacudir a vida? Ou conseguiremos ainda deixar-nos comover pelo amor de Deus? Porque deixámos de saber espantar-nos diante d’Ele? Porquê?
Talvez porque a nossa fé tenha sido desgastada pela habituação. Talvez porque permaneçamos fechados nas nossas lamentações e nos deixemos paralisar pelas nossas insatisfações. Talvez porque tenhamos perdido a confiança em tudo e nos creiamos até errados. Mas por trás destes “talvez” há o facto de não estarmos abertos ao dom do Espírito, que é aquele que nos dá a graça do espanto.

O que mais espanta no Senhor e na sua Páscoa?
O facto de Ele chegar à glória pela via da humilhação. Ele triunfa ao acolher a dor e a morte, que nós, escravos da admiração e do sucesso, evitamos.
Em que consistiu a humilhação que continua a desconfigurar o que muitos esperam de Deus?
Ver o Todo-poderoso reduzido a nada.

Vê-l’O, a Palavra que sabe tudo, ensinar-nos em silêncio na cátedra da cruz. Ver o rei dos reis que tem por trono um patíbulo. Ver o Deus do universo despojado de tudo. Vê-l’O coroado de espinhos em vez de glória. Vê-l’O, a bondade em pessoa, insultado e pisado.
A interpelação é inevitável, então como hoje, e seguramente para sempre: Porquê toda esta humilhação? Porquê, Senhor, deixaste que te fizessem tudo isto?

Fê-lo por nós, para tocar até ao fundo a nossa realidade humana, para atravessar toda a nossa existência, todo o nosso mal. Para aproximar-Se de nós e não nos deixar sós na dor e na morte. Para recuperar-nos, para salvar-nos.

Jesus sobe à cruz para descer ao nosso sofrimento. Prova os nossos piores estados de alma: o fracasso, a rejeição de todos, a traição de quem lhe quer bem e até o abandono de Deus. Experimenta na sua carne as nossas contradições mais lacerantes, e assim redime-as, transforma-os. O seu amor aproxima-se das nossas fragilidades, chega aonde nos mais envergonhamos.
Por isso, quem acredita em Deus sabe que nunca está só: Deus está connosco, em cada ferida, em cada medo; nenhum mal, nenhum pecado tem a última palavra. Deus vence, mas a palma da vitória passa pelo madeira da cruz. Porque as palmas e a cruz estão juntas.

É também a graça do espanto que permite compreender que amar Jesus passa por acolher quem é descartado, aproximar-se de quem é humilhado pela vida, porque Ele está nos últimos, nos rejeitados, naqueles que a nossa cultura farisaica condena – e entre estes não se pode deixar de pensar nas pessoas atingidas pelas muitas “condenações” proclamadas pela Igreja, desde a sua origem aos nossos dias.

A ideia de um Deus a adorar e a temer enquanto poderoso e terrível não tem cabimento no cristianismo e é imune aos mal-entendidos, porque Ele desvelou-Se e reina apenas com a força desarmada e desarmante do amor.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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