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Folha Informativa 16-05-2021

Ascensão do Senhor (PDF)  TEXTO

Ver com o coração

José Tolentino de Mendonça

Hans Süss von Kulmbach, Ascensão

Os discípulos terão que aprender a viver a presença de Jesus na sua ausência.

Viver em Jesus sem vê-Lo, sem O encontrar no espaço físico e quotidiano do mundo.

Isso não significa que eles perderam Jesus. Com a Páscoa, a Igreja não perdeu Jesus. Reencontramo-Lo de outra forma.

No momento já final da Ascensão, alguns discípulos duvidaram.

No entanto, é curioso que essa dúvida não constituiu um problema para Jesus. Ele investe os discípulos na missão mesmo na dúvida. Jesus não disse que aquela missão era apenas para aqueles que acreditaram solidamente. Jesus confia a missão a todos. As dúvidas
e as dificuldades do caminho fazem parte da condição de quem crê.

 

 

 

 

Elevar o olhar para o céu, para o dirigir logo a seguir para a terra

Papa Francisco, 2018

Pietro Perugino, A Ascensão de Cristo

A solenidade da Ascensão do Senhor inclui dois elementos.

Por um lado, orienta o nosso olhar para o céu, onde Jesus glorificado está sentado à direita de Deus. Por outro, recorda-nos o início da missão da Igreja: porquê? Porque Jesus ressuscitado e elevado ao céu envia os seus discípulos a difundir o Evangelho por todo o mundo.

Portanto, a Ascensão exorta-nos a elevar o olhar para o céu, para o dirigir logo a seguir para a terra, cumprindo as tarefas que o Senhor ressuscitado nos confia.

Trata-se de uma missão incomensurável — ou seja, literalmente sem confins — que supera as forças humanas. Com efeito, Jesus diz: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura».
Parece deveras demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais!

Contudo, esta restrita companhia, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia de Jesus a todos os recantos da terra.

Mas este projecto de Deus só pode ser realizado com a força que o próprio Deus concede aos Apóstolos. Neste sentido, Jesus garante-lhes que a sua missão será apoiada pelo Espírito Santo.

Diz: «descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo».
Por conseguinte, foi possível realizar esta missão, e os Apóstolos deram início a esta obra, que depois foi continuada pelos seus sucessores.

A missão confiada por Jesus aos Apóstolos prosseguiu através dos séculos, e prossegue ainda hoje: ela exige a colaboração de todos nós. Com efeito, cada um de nós, em virtude do Baptismo que recebeu, está habilitado por sua vez a anunciar o Evangelho. É precisamente o baptismo que habilita e também nos impele a ser missionários, que anuncia o Evangelho.

A Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para O servir e para O testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra.

Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas.
Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos.

A Virgem Maria que, como Mãe do Senhor morto e ressuscitado, animou a fé da primeira comunidade dos discípulos, nos ajude também a manter «elevados os nossos corações», como a Liturgia nos exorta a fazer. E, ao mesmo tempo, nos ajude a ter “os pés no chão”, e a semear com coragem o Evangelho nas situações concretas da vida e da história.

A Ascensão de Jesus ao profundo da minha existência

Ermes Ronchi, in Avvenire

Jean François Troy, Ascensão

Com a Ascensão Jesus não vai para outro lugar ou para o alto, mas segue em frente e acende a sua sarça nos cantos de cada estrada.
Sobe o Senhor, não ao ventre dos céus, mas ao profundo da minha existência, mais íntimo a mim do que eu próprio (Santo Agostinho).

«A Ascensão não é um percurso cósmico, mas a navegação do coração que te conduz do fechamento em ti ao amor que abraça o universo» (Bento XVI).
A esta navegação do coração Jesus chama um grupinho de homens amedrontados e confusos, um núcleo de mulheres corajosas e fiéis, e confia-lhes o mundo.

Impele-os a pensar em grande e a olhar longe: o mundo é vosso. E fá-lo porque acredita neles, apesar de terem entendido pouco, apesar de terem traído e renegado, e muitos ainda duvidam.

E quanta alegria me dá sentir que confia em mim, mais do que eu confio em mim próprio; sabe que também eu posso contagiar de céu e de natividades quem me é confiado.

Mas será tudo isto realmente possível? É-o, a acreditar no versículo conclusivo: eles partiram e pregaram em todo o lado, enquanto que o Senhor agia juntamente com eles.
Verbo extraordinário, que chega também até mim, aqui e agora: o Senhor agia em sinergia com eles, inseparáveis a sua energia e a do Senhor, uma só força, uma só linfa, uma só vida. Nunca sós. Última definição de Jesus: energia que opera contigo para a vida.

Jesus que nunca se cansa de dar vida a toda a criatura, em todo o lugar da Terra, que não te deixa: está contigo em todos os teus gestos de bondade, quando ofereces uma palavra fresca e viva, quanto constróis a paz. Nas tuas mãos, as suas mãos; Ele o Amor em cada amor; terra profunda das tuas raízes, céu do teu céu. Existir é coexistir, em sinergia com Cristo e para os outros.

Os apóstolos impuseram as mãos aos doentes e estes ficaram curados. Impõe, põe as tuas mãos sobre alguém, como uma carícia, como um gesto de cura, com a arte da proximidade.

Não se pode sequer começar a falar de moral, de ética, de Evangelho, se não se experimenta um sentimento de cura por alguma coisa ou por alguém.
Se te aproximas de quem sofre e tocas, com mãos e olhos que acariciam, essa carne em que arde a dor, poderás sentir uma divina sinergia, sentir que «Deus salva, e fá-lo através das pessoas» (R. Guardini).

Avé, Maria

José Tolentino Mendonça

Carlo Crivelli, Anunciação

Gosto de pensar, Maria, que também a tua fraqueza sustém a tua força, que soubeste aceitar atravessar tantas incertezas, fazendo aderir o teu coração a uma confiança que não se via. E que, por isso, não te é estranha a minha agitação confusa, a minha indecisão, os medos que em certas horas me agridem, e que tu, que tudo compreendes, sabes abraçar.

Gosto de recordar quanto foi difícil o teu caminho, repleto de obstáculos mais duros do que aqueles que eu enfrento, fustigado por sombras, derivas e dores. E que o teu olhar se tornou um imenso ventre, onde posso depor tudo aquilo que tanto me custa, e que tu, que tudo compreendes, sabes abraçar.

Gosto de contemplar essa tua capacidade de agradecer. De agradecer a anunciação luminosa e as suas ásperas consequências; essas palavras límpidas e depois uma dolorosa sucessão de momentos passados a perguntar-te como será; a brandura da brisa e a dureza do vento.

E que, por isso, tu abraças o meu cansaço de viver com esperança a minha força e a minha fragilidade; aquilo que levo ao termo e aquilo que deixarei incompleto; aquilo que depende ou não depende de mim – e tudo tu compreendes.

Gosto de saber que encontraste os planos de Deus infinitamente superiores a ti e que, mais uma vez, te sentiste pequena, só e não à altura, como tantas vezes eu me sinto. E também por isto, no fundo de mim experimento que me abraças, tu que tudo compreendes.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

Folha Informativa 09-05-2021

Domingo VI da Páscoa (PDF)  TEXTO

Paul Cézanne, Idosa a rezar

A oração cristã é antes de tudo escuta para chegar ao acolhimento de uma presença, a presença de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

A operação é simples mas não é por isso que é fácil, antes é laboriosa e requer capacidade de silêncio interior e exterior, sobriedade, luta contra os múltiplos ídolos que nos ameaçam.

Quando não está bem claro o primado da escuta de Deus, a oração tende a tornar-se uma actividade humana e é forçada a alimentar-se de actos e fórmulas.

Transforma-se numa disciplina de concentração que talvez elimine as distracções, mas não abre realmente para uma atenção orante ao Senhor que fala e que ama: que fala porque ama.

Enzo Bianchi, In Perché pregare, come pregare,

Que coisa é o amor?

Papa Francisco, 2018

Mary Cassatt, Mãe e filho

Jesus diz-nos: «Permanecei no meu amor. Não saiais do meu amor». E cada um de nós pode perguntar-se no coração: «Eu permaneço no amor do Senhor? Ou saio, procurando outras coisas, outros divertimentos, outras condutas de vida?».

«Permanecer no amor» é fazer aquilo que Jesus fez por nós. Ele deu a vida. Ele foi o nosso servo: veio para servir-nos. «Permanecer no amor» significa servir os outros, estar ao serviço dos outros.

Que coisa é o amor? Queremos pensar em que coisa é o amor? «Ah, sim, eu vi um filme sobre o amor, era belo… E aquele casal de noivos… E depois acabou mal, que pena!». Não é assim. O amor é uma outra coisa.
O amor é encarregar-se dos outros. O amor não é tocar violinos, tudo romântico… O amor é trabalho. Quantas de vós sois mães, pensai quando os vossos filhos eram pequeninos: como amastes os vossos filhos? Com o trabalho. Tomastes conta deles. Eles choravam… era preciso dar-lhes leite; mudá-los; isto, aquilo… O amor é sempre trabalho para os outros. Porque o amor faz-se ver nas obras, não nas palavras. Recordai quando se diz: «Palavras, palavras, palavras»; muitas vezes são só palavras. O amor, ao contrário, é concreto.

Cada um deve pensar: o meu amor pela minha família, no bairro, no trabalho: é serviço aos outros? Preocupo-me com os outros? (…) «Eu amo-te.» «E o que fazes por mim se me amas?» Cada um dos doentes do bairro pergunta: «O que fazes por mim?».
Na nossa família, se tu amas os teus filhos, sejam pequenos ou grandes, os pais, os idosos, que fazes por eles? Para ver como é o amor, pergunta-te sempre: que coisa faço?
«Mas padre, onde aprendemos isto?» De Jesus. E na leitura 1 João 4, 7-10 ou 1 João 4, 11-16 há uma frase que pode abrir-nos os olhos: «Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho». Nisto está o amor.
Não fomos nós a amar Deus; mas é Ele que nos amou primeiro. O Senhor ama sempre primeiro. Espera-nos com o amor. Também nós podemos fazer-nos a pergunta: eu espero com o amor os outros.
E depois fazer o elenco das perguntas. Por exemplo: os mexericos são amor? Aquele que diz mal dos outros… Não, não é amor. Falar mal das pessoas não é amor. «Oh… eu amo Deus. Faço cinco novenas por mês. Faço isto, aquilo…». Sim, mas… como é a tua língua? Como vai a tua língua? Esta é precisamente a pedra angular para ver o amor. Eu amo os outros? Pergunta-te: como está a minha língua? Dir-te-á se é verdadeiro amor.

Deus amou-nos primeiro. Espera-nos com o amor, sempre. Eu amo primeiro ou espero que me deem alguma coisa para amar? Como os cachorrinhos que esperam o presente, o alimento para comer e depois fazem festa ao dono. O amor é gratuito, em primeiro. Mas o termómetro para saber a temperatura do meu amor é a língua. Não vos esqueçais disto.

Quando estiverdes para fazer o exame de consciência, antes da confissão ou em casa, perguntai-vos: fiz aquilo que Jesus me disse, «permanecei no meu amor»? E como posso sabê-lo? Da maneira como a minha língua se comportou. Se falei mal dos outros, não amei.
Fazei o esforço de não falar mal dos outros. «Padre, dê-nos um remédio para não falar mal dos outros.»
É fácil. Está ao alcance de todos. Quando te vem a vontade de falar mal dos outros, morde a língua.
Ficará inchada, mas de certeza que não voltarás a falar mal.

Peçamos ao Senhor para «permanecer no amor» e compreender que o amor é serviço, é encarregar-se dos outros. E a graça de compreender que o termómetro de como está o amor é a língua.

Que coisa é o amor?

Pe. José Frazão Correia, Entre-tanto

Pelo amor e no amor aprendemos a ver mais e melhor, como quem entre-vê o sentido por entre linhas curvas; a tocar justamente cada coisa, acontecimento e pessoa, como quem é tocado por um dom surpreendente e sempre mais do que necessário; a escutar como quem pressente a promessa de cada palavra no timbre e na modulação justa dos sons que a anunciam, e, claro, em cada silêncio; a apreciar melhor e em cada parcela da realidade o gosto e o perfume da bênção que as coisas, os acontecimentos e as pessoas são.

Como a amada e o amado do Cântico dos Cânticos que reentram no Jardim do Éden, não pela nostalgia das origens perdidas, mas pela vitória do amor sobre o egoísmo, da graça sobre o pecado, da confiança sobre o medo, do desejo ordenado em Deus sobre o desejo desordenado pelo próprio amor, querer e interesse.

O amor recebido e retribuído permite reencontrar a dimensão corpórea e relacional da nossa humanidade, com os seus ritmos quotidianos e os seus lugares comuns, onde se dá, de facto, a experiência de Deus. E permite reencontrar o mundo como casa onde sentimos ser de casa e nos sentimos em casa, o espaço acolhedor e hospitaleiro, onde a posse cede, de novo, o lugar ao dom e o furto ao fruto.

Assim pode amar-se Deus em todas as coisas e amar todas as coisas em Deus.

A história pode recomeçar, agora, com coisas novas e ainda mais belas do que aquelas criadas no início.

Porque o amor é sempre novo e faz novas todas as coisas e não fica indiferente a quem dele se separa.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018