XXV Domingo do Tempo Comum (PDF)
Mensagem de início do ano pastoral
Corresponsabilidade e entusiasmo
Ao começar um novo ano pastoral, gostaria de sublinhar a “corresponsabilidade” dos cristãos leigos da Paróquia de São Francisco Xavier pelo Evangelho e pela vida da Igreja, como, graças a Deus, nos últimos anos, se tem acentuado e aprofundado.
O que aconteceu na JMJ é uma prova inegável dessa corresponsabilidade efetivamente vivida e praticada, contando, naturalmente, com a proximidade e a condução pastoral dos sacerdotes ao serviço da paróquia.
Gostaria de pedir um novo entusiasmo nas tarefas “habituais” ou “estruturais”, desde a Catequese ao Conselho para os Assuntos Económicos, mas também encorajar o aparecimento de projetos apostólicos inovadores, isto é, projetos evangelizadores atraentes, liderados e postos em prática por paroquianos “normais e correntes”.
Gostaria de valorizar mais o papel do Conselho Pastoral Paroquial e em especial do seu Secretariado Permanente, a quem cabe pensar a vida da Paróquia e propor novos caminhos.
Acredito que o Espírito Santo pode atuar tão significativamente através dos leigos como através daqueles a quem foi confiado o ministério sacerdotal.
Uma das tarefas mais importantes de um sacerdote ao serviço de uma paróquia, como pároco ou vigário paroquial, está em ajudar as pessoas a discernir a atuação do Espírito Santo nas suas próprias vidas, e também em ajudar a remover obstáculos que possam encontrar, quando procuram conhecer e realizar o projeto de Deus.
Por isso, confio e peço a Deus que, a par do caminho próprio dos cristãos leigos, surjam na Paróquia vocações sacerdotais e outras vocações de consagração religiosa ou de dedicação a Deus no meio do mundo.
Convido a todos a que peçam a Deus estas vocações, por mais surpreendentes ou “inesperadas” que por vezes possam parecer.
De facto, são um sinal da “surpresa” de Deus e do Seu infinito poder de atração.
Noutro âmbito, peço ainda a todos que sintam e partilhem a grande responsabilidade que é pagar mensalmente, como amortização da dívida decorrente da construção da Igreja Paroquial, cerca de oito mil euros – ou em breve, pela descida da taxa de juros, talvez um pouco menos.
É um esforço imenso. No presente mês de setembro chegámos ao dia da amortização sem o saldo necessário para pagar; só o conseguimos fazer, dias depois, com uma ajuda extraordinária (mas que, naturalmente, também teremos de restituir).
Por isso, peço um grande reforço nos ofertórios das missas de domingo, peço mais donativos ou mais descobertas de coisas úteis no “Mercadinho” para levar para casa, e também, como o Natal chegará num instante, mais donativos para o Bazar e muitas mais lembranças de Natal “encontradas” no Bazar.
Por fim, lembro que, na preparação da celebração do Jubileu 2025, sob o lema “Peregrinos de Esperança”, o Papa Francisco convocou toda a Igreja para viver o Ano da Oração, ao longo de 2024.
É um ano dedicado a redescobrir o grande valor e a absoluta necessidade da oração na vida pessoal, na vida da Igreja e do mundo. Até ao fim deste ano, temos só pouco mais de três meses.
É preciso rezar mais! Precisamos tanto de crescer na intimidade com Deus. E temos tantos assuntos e tantas pessoas por quem rezar!
Com a sincera amizade do
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira
Prior de São Francisco Xavier
Quando abraçar uma criança é abraçar Deus
Ermes Ronchi

Jesus está a falar de coisas absolutas, de vida e de morte, está a contar aos seus melhores amigos que em breve será morto, está com o grupo dos mais confiáveis, e eis que eles não O ouvem, desinteressam-se da tragédia que cai sobre o seu mestre e amigo, todos tomados apenas pela sua competição, pequenos homens na sua carreira: quem é o maior entre nós?
Penso na ferida que se deve ter aberto n’Ele, na desilusão de Jesus. É desencorajador.
Em vez disso, o Mestre dos corações, e isto é algo que nos conforta nas nossas fragilidades, não reprova os apóstolos, não os repudia, não se afasta deles, e também não Se deprime. Antes, coloca-os sob o juízo deste claríssimo e revolucionário pensamento: quem quer ser o primeiro seja o último e o servo de todos. O primado, a autoridade segundo o Evangelho deriva apenas do serviço.
O nosso mundo terá um futuro bom quando o acolhimento, tema incandescente hoje em todas as fronteiras da Europa, for o nome novo da civilização; quando acolher ou rejeitar os desesperados, quer estejam à fronteira ou à porta da minha casa, será considerado acolher ou rejeitar próprio Deus.
Ermes Ronchi
Como uma criança
São Máximo de Turim
Nós, cristãos, somos o corpo de Cristo e seus membros, como diz o apóstolo Paulo (cf 1Cor 12,27).
Aquando da ressurreição de Cristo, todos os seus membros ressuscitaram com Ele: passando pelos infernos, Ele fez-nos passar da morte para a vida.
O termo «páscoa» em hebraico significa passagem ou partida. Ora, este mistério é o da passagem do mal ao bem. E que passagem!: do pecado à justiça, do vício à virtude, da velhice à infância.
Refiro-me à infância que está ligada à simplicidade e não à idade. Pois também as virtudes têm a sua idade própria.
Ontem, a decrepitude do pecado conduzia-nos ao declínio. Mas a ressurreição de Cristo faz-nos renascer para a inocência das crianças: a simplicidade cristã torna sua a infância.
A criança não sente rancor, não conhece a fraude, não ousa agredir.
Assim, pois, a criança que é o cristão não se exalta se for insultada, não se defende se for despojada, não devolve os golpes se lhe baterem.
O Senhor exige mesmo que ela reze pelos seus inimigos, que entregue a túnica e a capa aos ladrões, e que ofereça a outra face aos que a esbofeteiam (cf Mt 5,39ss).
A infância de Cristo ultrapassa a infância dos homens. […] Esta deve a sua inocência à fraqueza, aquela à virtude.
E ainda é digna de mais elogios: o seu ódio ao mal não emana da impotência, mas da vontade.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
