Domingo IV do Tempo Comum (PDF)

As Bem-aventuranças trazem consigo uma nova interpretação da realidade.
À primeira vista, parece impossível declarar bem-aventurados os pobres, aqueles que têm fome e sede de justiça, os perseguidos ou os que promovem a paz. Mas o que parece inconcebível na gramática do mundo, enche-se de sentido e luz na proximidade do Reino de Deus.
Os desafios atuais podem parecer, por vezes, superiores às nossas forças, mas não é assim. Não permitamos que o pessimismo nos vença!
Devemos trabalhar juntos para libertar a humanidade da escuridão do niilismo que a rodeia e que é, talvez, a doença mais perigosa da cultura contemporânea, pois ameaça «anular» a esperança.
A vida ilumina-se não porque somos ricos, bonitos ou poderosos. Ela ilumina-se quando uma pessoa descobre dentro de si esta verdade: sou chamado por Deus, tenho uma vocação, tenho uma missão, a minha vida serve para algo maior que eu próprio! Cada criatura tem uma função a desempenhar.
O contributo que cada um tem para oferecer é de um valor único
Papa Leão XIV
Pe. António Colimão – Uma despedida sentida comunidade
2 Março de 1936, Damão | 2 Dezembro 1964 (ordenação sacerdotal) | 21 Janeiro 2026, Lisboa


Leituras de hoje
Dehonianos

Na primeira leitura, o profeta Sofonias deixa aos seus contemporâneos um convite a viverem como humildes e pobres.
Os “pobres” são aqueles que, não possuindo bens materiais nem seguranças humanas, tendem a depositar toda a sua confiança e esperança em Deus; são aqueles que encontram em Deus refúgio, conforto e felicidade.
Eles são os preferidos de Deus.
Deus cuidará deles e acompanhá-los-á em cada passo do caminho que percorrem.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo pede aos cristãos de Corinto que não apostem na sabedoria humana como caminho para construir uma vida com sentido.
Paulo propõe-lhes, em contrapartida, que acolham a “loucura da cruz” e que optem por seguir Jesus incondicionalmente, vivendo ao seu estilo, abraçando os valores que Ele abraçou, percorrendo com Ele o caminho do amor e do dom da vida.
É aí que está a verdadeira sabedoria, a sabedoria que conduz à salvação e à vida plena.
No Evangelho, Jesus apresenta a magna carta do Reino de Deus.
Recuperando uma linguagem frequente na tradição bíblica e judaica, Jesus apresenta oito “bem-aventuranças”, oito portas para entrar na comunidade do Reino de Deus, oito propostas que definem o estilo de vida que os seus seguidores devem adotar, oito “apontadores” que mostram como construir uma vida feliz e com sentido.
Nas oito bem-aventuranças, Jesus oferece aos seus discípulos um resumo perfeito do seu Evangelho.
Felicidade é um dos nomes de Deus
Ermes Ronchi, 2015
Os santos são os homens das Bem-aventuranças. Estas palavras são o coração do Evangelho, a narrativa de como o homem Jesus passou pelo mundo, e por isso são o rosto alto e puro de cada ser humano, as novas hipóteses de humanidade. São o desejo de um totalmente outro modo de ser homens, o sonho de um mundo feito de paz, de sinceridade, de justiça, de corações límpidos.
Nove vezes surge a palavra “Bem-aventurados”, revelando um Deus que toma a seu cuidado a alegria do ser humano, traçando-lhe os caminhos. Como habitualmente, inesperados, contracorrente. E ficamos como que sem respiração diante da ternura e do esplendor destas palavras.
As Bem-aventuranças recapitulam a boa notícia, o anúncio jubiloso de que Deus oferece a vida a quem produz amor, que se alguém se encarrega da felicidade de alguém, o Pai Se encarregará da sua felicidade.
Para habitar a Terra, este mundo agressivo e duro, escolhemos o manifesto mais difícil, incrível, revolucionário e em contramão que o ser humano pode pensar.
A primeira diz: felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino, já, não na outra vida. Felizes porque há mais Deus em vós, mais liberdade, mais futuro. Felizes porque guardais a esperança de todos.
Neste mundo onde se está diante do desperdício e da miséria, um exército silencioso de homens e mulheres preparam um futuro bom: constroem paz, no trabalho, na família, nas instituições; são obstinados a propor a justiça, honestos mesmo nas pequenas coisas, não conhecem a duplicidade. Os homens das Bem-aventuranças, desconhecidos do mundo, aqueles que não aparecem nos jornais, são os secretos legisladores da história.
Um anjo misterioso anuncia a cada um que chora: o Senhor está contigo. Deus não ama a dor, está contigo no reflexo mais profundo das tuas lágrimas, para multiplicar a coragem, para envolver o coração ferido, na tempestade está ao teu lado, força da tua força.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
