Folha Informativa 25-01-2026

Domingo III do Tempo Comum (PDF)

Estimados paroquianos
É com profunda tristeza que venho comunicar-vos a notícia do falecimento do Senhor Padre António de Oliveira Colimão, de 89 anos de idade, ocorrida esta manhã [21 de janeiro], pelas 05h30, em sua casa – e por isso diante da entrada da Igreja de S. Francisco Xavier, cuja edificação foi um dos maiores objetivos da sua vida, senão o maior, e ao qual dedicou incansavelmente todas as suas forças e capacidades, durante longos anos.
Como pároco de S. Francisco Xavier não foi menor, porém, o seu desejo e a sua profunda aspiração, nascidos de um coração plenamente sacerdotal e pastoral, de construir esta comunidade cristã e eclesial, e de a consolidar por fortes vínculos de caridade e verdadeira e sincera amizade, que em todos os paroquianos deixaram marcas indeléveis, e bem gravadas na memória e no coração de todos.
Com imensa gratidão pelo seu exemplo como verdadeiro discípulo do Bom Pastor, recomendamos a alma do Senhor Padre António Colimão ao infinito amor misericordioso do Deus Uno e Trino.

Cónego José Manuel dos Santos Ferreira | Pároco de São Francisco Xavier

 

Pe. António Colimão – Uma vida ao serviço dos outros

2 Março de 1936, Damão | 2 Dezembro 1964 (ordenação sacerdotal) | 21 Janeiro 2026, Lisboa

O nosso querido Padre António Colimão faleceu a 21 de janeiro, a poucos meses de celebrar os 90 anos (2 de março).

Enquanto responsável pela Paróquia de São Francisco Xavier (1991 a 2016), a sua principal missão foi concretizar o sonho de muitos anos dos paroquianos: a construção de uma Igreja Paroquial que substituísse o pré-fabricado, onde, a pouco e pouco, graças à sua ação, a comunidade paroquial foi-se construindo. Uma das suas iniciativas, que teve grande êxito e foi responsável pelo estreitamento de laços entre os paroquianos foram os almoços partilhados, sempre que havia uma efeméride e depois, regularmente.

Foi o grande dinamizador da Catequese, a qual, ainda hoje, continua a ser uma das grandes marcas da ação pastoral na Paróquia. Incentivou a existência da Folha Informativa e, mais tarde, dos Xavierinhos, a Folha para a Catequese.

Com o advento da Internet, impulsionou a existência da página da Paróquia de São Francisco Xavier, que ainda hoje se mantém.

Com um grupo de naturais de Damão e Diu, a partir do ano de 1984, fundou a Associação Fraternidade Damão, Diu e Simpatizantes, que foi oficializada em 1990, com o fim de manter e promover a Cultura Indo-Portuguesa, em Damão, Diu e Nagar Haveli. Publicou a história e o cancioneiro de Damão, e deu aulas de Concani na Universidade Católica, através da Associação Regresso das Caravelas, ao longo de 3 anos.A sua última realização, na sua infatigável missão de preservar a cultura luso-damanense foi a publicação do livro de receitas de sua irmã, um testemunho singular das tradições e valores familiares.

Além da responsabilidade pastoral da Paróquia de São Francisco Xavier, foi Capelão ou Assistente Religioso de duas Prisões em Caxias – Reduto Norte e Sul.
Desde 1997 foi confessor extraordinário das Irmãs Missionárias de Caridade – Irmãs de Calcutá – em Chelas.

Os graves problemas de saúde do Pe. Colimão iniciaram-se em 2015, levando a que, em julho de 2016, e depois de alguns internamentos, o Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, tenha decidido a sua substituição permanente pelo atual prior, Cónego José Manuel dos Santos Ferreira.
Desde então, o Pe. Colimão manteve colaboração com a Paróquia, sempre que a sua saúde o permitiu.

Nos últimos anos, enviava diariamente mensagens com conteúdo pastoral, uma das suas grandes preocupações de sempre como sacerdote.
A última mensagem que enviou dizia: “Não vos tenho enviado as m/ Mensagens por andar debilitado, mas PEÇO ao DIVINO ESPIRITO SANTO que ILUMINE a nossa MENTE, PARA RECONHECER A VONTADE do PAI”.

 

RECONHECER JESUS

Papa Leão XIV, Angelus, 18 janeiro 2026

Pieter Brueghel, o Novo, João Batista prega à multidão

João Batista é um homem muito amado pelas multidões, a ponto de ser temido pelas autoridades de Jerusalém. Teria sido fácil explorar esta fama, mas ele não cede de forma alguma à tentação do sucesso e da popularidade. Diante de Jesus, reconhece a própria pequenez e abre espaço para a grandeza d’Ele. Sabe que foi enviado para preparar o caminho do Senhor e, quando o Senhor vem, reconhece com alegria e humildade a sua presença, retirando-se de cena.

Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho! Realmente, muitas vezes é dada uma demasiada importância à aprovação, ao consenso e à visibilidade, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, causando sofrimento e divisões, criando estilos de vida e de relacionamento efémeros, decepcionantes e aprisionadores.

Na realidade, não precisamos desses “substitutos de felicidade”. A nossa alegria e grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber-nos amados e queridos pelo nosso Pai que está nos céus.
É o amor de que Jesus nos fala: o amor de um Deus que ainda hoje vem estar no meio de nós, não para nos surpreender com efeitos especiais, mas para partilhar o nosso cansaço e assumir os nossos fardos, revelando-nos quem realmente somos e quanto valemos a seus olhos.

Não deixemos que Ele, ao passar, nos encontre distraídos. Não desperdicemos tempo e energia buscando o que é apenas aparência. Aprendamos com João Batista a manter o espírito vigilante, amando as coisas simples e as palavras sinceras, vivendo com sobriedade e profundidade de mente e coração, contentando-nos com o necessário e encontrando, de preferência todos os dias, um momento especial para nos determos em silêncio a rezar, refletir, escutar, enfim, “fazer deserto”, a fim de encontrar o Senhor e estar com Ele.

Leituras de hoje

Dehonianos

Na primeira leitura Isaías fala aos habitantes de Judá num tempo histórico marcado pelo imperialismo da Assíria. Talvez as intervenções de Deus não estejam sincronizadas com nossa impaciência e a nossa pressa; mas Ele nunca deixará de vir em socorro dos seus filhos que caminham no mundo.

Na segunda leitura Paulo pede aos cristãos de Corinto que não se esqueçam do compromisso que assumiram quando se dispuseram a seguir Jesus e a acolher a Boa Notícia da salvação. Membros do “Corpo de Cristo”, os cristãos não podem viver no meio de disputas, de conflitos e de divisões. Compete-lhes anunciar, com a própria vida, esse mundo novo de fraternidade, de comunhão e de paz que Cristo veio propor.

O Evangelho mostra-nos a concretização da promessa feita por Deus através de Isaías: Jesus é a luz que brilha na Galileia para iluminar as vidas de todos aqueles que habitam “na sombria região da morte”. Ele anuncia a chegada de Deus para fazer nascer um mundo novo, mais justo, fraterno e humano. Jesus não está sozinho neste projeto: junta à sua volta alguns discípulos e convida-os a colaborar com Ele na construção do Reino de Deus.

 

Deixar para seguir

Papa Francisco, 2023

Hoje o Evangelho narra a chamada dos primeiros discípulos que, no lago da Galileia, deixam tudo para seguir Jesus. Alguns deles já O tinham conhecido, graças a João Batista, e Deus tinha posto neles a semente da fé. E eis que agora Jesus volta para os procurar onde vivem e trabalham.

O Senhor procura-nos sempre; o Senhor aproxima-se sempre de nós, sempre. E desta vez dirige-lhes uma chamada direta: «Vinde!». E eles «imediatamente deixaram as redes e seguiram-n’O». Esta cena é o momento do encontro decisivo com Jesus, aquele que recordarão para o resto da vida e que entra no Evangelho. A partir daí, seguem Jesus e, para O seguir, deixam.
Com Jesus é sempre assim. Pode-se começar de alguma forma a sentir o seu fascínio, talvez graças a outros. Depois o conhecimento pode tornar-se mais pessoal e acender uma luz no coração. Torna-se algo belo para partilhar: “Sabes, aquela passagem do Evangelho comoveu-me, aquela experiência de serviço tocou-me”. Algo que toca o coração. E assim devem ter feito também os primeiros discípulos. Contudo mais cedo ou mais tarde chega o momento no qual é necessário deixar para O seguir.

E há que tomar uma decisão: deixo algumas certezas e parto para uma nova aventura, ou permaneço como sou?
É um momento decisivo para cada cristão, porque nisto está em questão o sentido de todo o resto. Se não encontrarmos a coragem de nos pormos a caminho, há o risco de permanecermos espectadores da própria existência e de viver a fé sem convicção.

Estar com Jesus requer a coragem de deixar, de se pôr a caminho. O que devemos deixar?
Certamente os nossos vícios, os nossos pecados, que são como âncoras que nos bloqueiam na margem e impedem de nos fazermos ao largo. Para começar a deixar, é justo que comecemos por pedir perdão: perdão pelas coisas que não eram boas: deixo aquilo e vou em frente.

Mas também devemos deixar para trás o que nos impede de viver plenamente, por exemplo, medos, cálculos egoístas, garantias de permanecer em segurança vivendo sem arriscar.
E também se deve renunciar ao tempo que se perde em tantas coisas inúteis.

Como é belo deixar tudo isto para trás para experimentar, por exemplo, o risco fadigoso, mas gratificante do serviço, ou dedicar tempo à oração, de modo a crescer em amizade com o Senhor. Penso também numa jovem família, que deixa a vida tranquila para se abrir à imprevisível e bela aventura da maternidade e da paternidade.
É um sacrifício, mas basta olhar para as crianças para compreender que foi correto deixar certos ritmos e confortos, para ter esta alegria.

Tintoretto, Jesus prega

Penso em certas profissões, por exemplo um médico ou um agente da saúde que renunciou a tanto tempo livre para estudar e preparar-se, e agora fazem o bem dedicando muitas horas do dia e da noite, muita energia física e mental aos doentes. Penso nos trabalhadores que deixam as comodidades, que abandonam o não fazer nada a fim de levar o pão para casa. Em suma, para realizar a vida, é preciso aceitar o desafio de deixar.

A isto convida Jesus cada um de nós.
E sobre isto deixo-vos algumas perguntas.
Antes de tudo: lembro-me de algum “momento forte” no qual me encontrei com Jesus? Cada um de nós pense na própria história.

E houve algo belo e significativo que aconteceu na minha vida por ter deixado para trás outras coisas menos importantes?
E hoje, há alguma coisa a que Jesus me pede para renunciar? Quais são as coisas materiais, os modos de pensar, os hábitos que preciso deixar para Lhe dizer deveras “sim”?

Ajude-nos Maria a dizer, como ela, um sim pleno a Deus, a saber deixar algo para trás a fim de O seguir melhor. Não tenhais medo de deixar se for para seguir Jesus, sempre nos sentiremos melhor e seremos melhores.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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