
Os caçadores também entram no presépio. Embora sejam mais comuns nos presépios da Provença (França) e nos presépios Napolitanos (Itália) ou Sevilhanos (Espanha), a personagem do caçador, normalmente de arco e flecha ou de lança na mão, também se pode encontrar, entre as figuras do quotidiano dos presépios portugueses.
Mas porque é que se colocam estas imagens que aparentemente falam de morte, no presépio que é o maior sinal da vida?
O caçador é uma figura que se enquadra dentro das personagens das atividades quotidianas: a busca de alimento, para saciar a fome da família, é sinal da virilidade colocada ao serviço de um bem comum, o cuidar de alimentar a casa.
A caça implica uma atitude pro-activa de ir ao encontro do mundo, de procurar além do conhecido, o selvagem, na certeza que a cada caçada se irá perceber melhor a criação, e com ela, o mistério da vida e da morte.
O caçador é não apenas figura do homem providente, mas também do homem que confia na Providência Divina, pois os animais que abate, para o alimento da sua casa, para vestir e aquecer os seus, são-lhe dados pelo Senhor, Criador do Universo.
Deus criou todas as coisas, para que no seu tempo, o homem pudesse desfrutar da criação e saborear o que dela pudesse recolher.
Para o caçador, tudo o que lhe é oferecido na caça é sempre um dom. Bem pode usar de toda a sua arte e toda a sua técnica, se o encontro entre o homem e o animal não suceder, nada poderá recolher da natureza e trazer a sua casa.
O caçador, seja homem ou mulher, aprende a aplicar toda a sua humanidade e todos os seus recursos em cada ato, e ao mesmo tempo aprende a confiar totalmente no Senhor, que tudo ordena para o bem daqueles que o amam.
A experiência concreta do caçador é a de procura e de esperança na Providência, e é por isso que consta nos nossos presépios, porque toda a atividade do homem precisa de ser iluminada por Jesus, para ser verdadeiramente humana.
Padre Miguel
