Os pescadores que sempre aparecem de cana na mão ou empunhando as redes para as lançar à água, no rio ou num lago, serão, como sabemos, muito amados por Jesus.
A pesca é uma arte extraordinária, aprender a ler o mar, as suas correntes e as suas cores e os seus cheiros, para identificar os cardumes, a sabedoria sobre cada espécie de peixe, parece estar hoje reduzida a uma série de técnicas e a muita tecnologia, mas não era assim.
Lançar as redes era sempre uma mistura de sabedoria e um golpe de sorte. Os pescadores saíam ao mar sem saber se voltariam com que comer, sem saber sequer se voltariam, tal não era a fragilidade das embarcações.
O mar de Tiberíades, quando açoitado por ventos fortes, tornava-se um lugar de tormento, o próprio evangelho o testemunha. Era necessário que os homens do mar fossem fortes e corajosos, e forçosamente humildes, para poderem trabalhar em conjunto e para poderem voltar a terra, tantas vezes, sem peixe nem rendimento para oferecer às suas famílias.
A faina formava-os na perseverança, lançavam as redes vezes sem conta, até que o mar devolvesse o retorno do seu esforço. E só Deus poderia saber qual seria essa hora.
Alguns pescadores foram chamados por Jesus, deles fê-los pescadores de homens, para que estes homens acostumados a lançar as redes não temessem fazê-lo, em qualquer circunstância, mesmo sem receber retorno, confiando mais em Deus e na sua misericórdia do que nas suas próprias forças, e assim acostumados a esgotar-se na faina, pudessem seguir a Jesus gastando-se por Ele.
No presépio são muitas vezes bucolicamente apresentados como sinal de tranquilidade e de lazer, mas na verdade escondem o mistério da missão apostólica.
Padre Miguel
