O presépio de Belém não pode não ter um padeiro e um forno para se cozer pão, pois o próprio nome, Bethlehem, significa em hebraico «casa do pão».
De facto, Belém, ainda hoje é uma zona fértil de campo, marcada pelas planícies e encostas verdejantes.
A figura do padeiro valoriza todo um processo de cultivo. O agricultor cuidou do trigo e, no fim, ceifou-o; o moleiro moeu-o no moinho de vento ou na azenha, e o padeiro, depois de o amassar e de esperar a levedura da massa, leva-a ao forno para poder no fim recolher o pão quente. É um processo de transformação contínua para transformar o trigo em alimento.
O pão levedado ou Ázimo é um alimento capaz de saciar a fome, em casa ou no caminho e foi usado de muitos modos ao longo dos tempos, saciando muitas famílias.
Para nós, portugueses, o pão ázimo foi essencial no mar, no tempo dos descobrimentos, mas bem sabemos que no presépio de Belém o pão é sinal da Eucaristia, é preparação para a missa, sinal do sacrifício de Jesus, que Se tornou Ele mesmo a hóstia oferecida, e isso, desde o princípio.
A descida de Jesus, – a kénosis, como lhe chamam os gregos – parece ser desde o princípio uma característica intrínseca de Jesus, do seu modus operandi. Ele faz-Se pequeno descendo dos Céus para Se fazer homem, baixando ainda mais pelo sofrimento da cruz, e como se não bastasse, transformando, a cada missa, o pão e o vinho no seu corpo e sangue.
Este contínuo humilhar-Se sem nunca perder a dignidade, mas realizando-a verdadeiramente pelo dom de Si, é o mistério que contemplamos em Jesus e ao qual somos chamados a configurar.
Padre Miguel
