Nos presépios tradicionais sempre aparecem várias profissões, que dão nota de que a vinda de Jesus vem iluminar a vida quotidiana. Todas as profissões são iluminadas pelo evangelho, são sinal Dele.
O Ferreiro está habituado a colher os materiais mais duros, a passá-los pela forja, a modelá-los nos moldes de areia, e depois na bigorna e no martelo, até chegar o momento de usar cinzel.
A modelação dos metais operadas pela temperatura do fogo, pela força humana e pela arte do ferreiro chegam a criar instrumentos de uma resistência incrível, que só é possível por meio da têmpera, dada pelos arrefecimentos longos e cuidados.
São muitas horas na forja, que certamente forjam também a alma do ferreiro, que é capaz de reconhecer a dureza da vida, a necessidade da temperatura, do tempo e da força.
No evangelho escutamos João Baptista a indicar que Jesus batizará «no fogo e espírito». Ninguém pode ser tocado pela presença de Jesus e não esperar ser passado pela forja. Deus não vem apenas até nós para nos dar o conforto de uma temperatura mais agradável, mas para nos forjar.
Jesus chega a dizer «Eu vim trazer o fogo à terra, e que quero Eu, senão que ele se acenda».
Este apelo ao anúncio, tem dentro o apelo à conversão, à mudança, à transformação, que só o contacto com Deus pode provocar.
O menino do presépio é o único que tem o poder de transformar o homem no fogo do Espírito Santo, no contacto com a bigorna dos Santos, no impacto com as circunstâncias da vida e no cinzel da palavra de Deus.
O Ferreiro está no presépio para nos lembrar que vai demorar tempo até alcançarmos a têmpera dos Santos e que vai dar muito trabalho alcançar a beleza da Santidade no seguimento de Jesus, mas mais ainda que em cada dia, mesmo no meio das dificuldades, possuímos a certeza, que da forja da Igreja, já saíram muitos santos e que pela fidelidade e perseverança Deus fará a sua obra.
Padre Miguel
