Dia 13 – Mulher com bilha de água

A mulher com a bilha de água vem normalmente associada a uma fonte, uma azenha, um rio, um lago ou a um poço, e parece prefigurar todas as mulheres que buscam saciar a sua sede e a sede que a sua família tem de Deus.

Ela é sinal de uma procura de saciar não só o corpo, mas também o coração, o seu e o de todos. Podemos imaginá-la como uma jovem ou como uma mãe, mas o apelo permanece independente da idade ou do estado. Trata-se do apelo a providenciar para que todos sejam saciados, ou talvez, melhor dizendo, satisfeitos. Parece e é um desafio enorme e, sem Deus, absolutamente impossível, mas a mulher com a bilha de água recorda-nos esse desejo que todo o ser humano tem de ser saciado, e não apenas da água mas especialmente de amor.

Essa figura do presépio faz-nos lembrar uma outra mulher, a samaritana, que um dia encontrou Jesus junto ao poço de Jacob, ele pediu-lhe a água do poço, e, nesse dia, ela recebeu a graça de se tornar, Nele, uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna. Cristo inundou o seu coração para sempre.
Conhecemos também uma outra mulher, Santa Madre Teresa de Calcutá, que um dia escutou, de um mendigo, as palavras de Cristo: «Tenho sede!». E Esse Cristo que lhe mendigava, santificou-a na sua vida pela caridade que lhe deu a viver.
Olhar a mulher com a bilha de água não pode não nos provocar a vontade de identificarmos as nossas sedes humanas, e os lugares  onde, neste mundo, nos procuramos saciar. Esses lugares, sejam eles as águas correntes da evolução tecnológica, os grandes lagos do conhecimento científico, ou poços fundos da espiritualidade, são sinal de uma busca por um amor maior e seria tão bom que o encontrássemos neste Natal, não apenas na manjedoura do presépio, mas num outro rosto mendicante, dentro ou fora das nossas casas, e nos saciasse a sede pelo Seu amor.
Padre Miguel
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