Os mendigos, daquele e do nosso tempo, são um sinal da nossa indigência.
Foi o próprio Jesus que disse: «pobres, sempre os tereis», mas os mendigos não são apenas os pobres, são os miseráveis.
Jesus convida-nos a viver uma vida pobre, modesta, simples, generosa, confiada na sua providência. O mendigo não vive uma vida pobre, mas sim uma vida miserável, e a sua miséria não é apenas material, nunca é, a grande miséria é viver sem Deus: essa é a fonte de toda a miséria.
Sem Deus, o homem escolhe-se a si mesmo e tenta sacar de si próprio a felicidade que o seu coração mais anseia, mas sem o conseguir.
Afunda a sua vida, procurando encontrar no mundo a felicidade que só Deus pode oferecer. E quando nos estende a mão é para pedir Deus, ou seja, um gesto de caridade que possa devolver-lhe o contacto com Aquele que é a verdadeira vida.
A figura do mendigo presente no presépio não fala só da pobreza, mas fala ainda mais eloquentemente deste pedido, que existe no coração de cada homem.
O homem de hoje, como certamente o de todos os tempos, é um mendigo de Deus em todas as circunstâncias, é um pedinte, uma mão estendida que anseia por outra que lhe dê Cristo, numa humanidade permeada por Deus.
No presépio, de mãos estendidas, está também o próprio Cristo, o qual nos recorda que também Ele se tornou mendicante do nosso amor, desejando tudo quanto somos, e esperando a nossa liberdade, não percamos tempo, Ele espera-nos…
Padre Miguel
