Dia 05 – Ruínas das casas e palácios

A tradição portuguesa, pelo menos desde de Machado de Castro, apresenta nos seus presépios uma série de ruínas de palácios e de casas antigas.

Estes são lugares de um certo romantismo. Mas porque é que encontramos estas casas, palácios e templos semi destruídos? Do que é que falam eles? O que nos querem dizer?

A sua presença invoca a precariedade deste mundo e revela certeza de que o homem é volúvel, e incapaz de manter a sua obra. O que é construído neste mundo terminará aqui, como um eco da nossa história, um eco quase indecifrável, uma memória leve de tudo o que aconteceu.

Trata-se de uma certa invocação meditativa da morte. Este mundo não é eterno, e este homem que o habita não consegue construir nada que não venha a perecer.

Mas estas ruínas das casas, palácios e templos contracenam com o acontecimento do presépio. O perecível com o eterno, o homem e as suas tentativas e ao mesmo tempo a maior obras de Deus, o mistério visível da sua encarnação.

Diante do nascituro, que é Deus, capaz de dar ao homem tudo o que ele procura nos palácios, e nos templos deste mundo, o homem é chamado a fazer uma escolha. Se quer continuar neste mundo à procura de construir a sua futura ruína ou se quer abdicar do seu reino, para se tornar peregrino da vida eterna na companhia de Deus.

Padre Miguel

Scroll to Top