A noite escura e o céu estrelado são o ambiente propício para acontecer o mistério do nascimento de Jesus.
Para nós, a noite é sinal de recolhimento, mas também sinal de uma certa falta de esperança, que a humanidade sem Deus não consegue superar.
Ao invés, as estrelas são sinal de uma espera que, desde o início do mundo, se faz presente a todas as criaturas. Pelas estrelas se rompe a noite e se iluminam as trevas da desesperança no coração de cada homem.
Pelas estrelas nos podemos guiar, onde quer que estejamos, em terra ou mar, até um lugar seguro. Elas, como cantam os salmos, «seguem o seu percurso» ao longo da noite. Indicam ao homem que também para ele existe um percurso e um destino a alcançar, mesmo no meio da noite.
Ao olhar as estrelas do céu, o homem dá conta da sua pequenez, e ao mesmo tempo do imenso amor de Deus. Ele criou todas as coisas e ordenou todas elas para que pudéssemos chegar ao dia de hoje e dizer: Acredito, mesmo no meio da noite.
A Noite Santa em que aconteceu o Natal de Jesus transporta com ela toda a esperança da criação e oferece-a ao homem como apelo à sua liberdade, para que volte o seu olhar e o seu coração para Deus. Para que abandone as trevas da noite e siga o amor do qual a luz das estrelas são sinal desde a sua criação e ainda mais depois da queda, que o afastou de Deus.
Aquela é a noite em que o homem, marcado pelo pecado, desesperado consigo mesmo e com o mundo, congelado pelo frio e pelo medo, viu a Luz, que é Cristo. Essa Luz, que veio do Céu, permitiu-lhe ver de novo tudo o que existe, no céu e na terra, permitiu-lhe ver de novo tudo quanto Deus lhe preparou e admirar o modo como foi esperado e amado pelo próprio Deus.
Cristo é a Luz do mundo, e as estrelas são o sinal de que a noite não terá a última palavra sobre o homem sobre o mundo.
Padre Miguel
