Mensagem de Natal do nosso Prior, Cón. José Manuel dos Santos Ferreira, à Paróquia de São Francisco Xavier: Natal: Tempo para contemplar, acolher e cuidar
Nesta época de Natal, venho propor-vos uma breve pausa de reflexão, tendo em conta que o Natal é – ou deveria ser – um tempo de contemplação do mistério da Encarnação e Nascimento do Filho de Deus, e também de escuta, acolhimento e cuidado dos outros.
Li há dias um artigo de uma revista italiana (Piazza San Pietro), em que um leitor, um psicólogo de 40 anos, António, escreve ao Papa Leão XIV, e conta-lhe que leva uma vida dedicada aos mais frágeis, inspirada em São Francisco de Assis e Santo Afonso Maria de Ligório.
Compartilha com Leão XIV o seu trabalho diário e o seu voluntariado, que o leva a estar com muitas crianças e jovens, e também com famílias marcadas por grandes dificuldades e limitações. Revela que encontra e acolhe muitas perturbações, medos, inconsistências, fragilidades, mas também descobre “uma sede infinita de Deus”.
Para quem crê, é uma necessidade; para quem não crê, uma esperança mal-escondida. E confidencia que se cruza no seu caminho com muitos jovens que vivem as suas cruzes longe do Crucificado. Daí o seu pedido: “Santo Padre, pelo duro cansaço que encontro na vida quotidiana das pessoas com quem me cruzo, peço-lhe a sua oração e um pensamento, a fim de que a sua palavra possa tocar e atravessar os corações de todos eles e de todos nós”.
Na sua resposta, o Papa Leão XIV aborda três temas centrais do Natal.
Em primeiro lugar, lembra que “os jovens têm necessidade de encontrar Cristo”, e isto só pode acontecer através de um testemunho simples, autêntico, amadurecido na oração, na vida comunitária e na consciência de que “somos continuamente amados por Deus, que não nos abandona nunca, e nos ilumina com o Espírito Santo em todas as escolhas que fazemos e em todas as situações”.
Leão XIV convida então a viver o Natal como um tempo de sobriedade e caridade concreta. E deixa esta convite: “Procuremos um sentido de beleza autêntica mesmo na oferta dos presentes de Natal, um sentido que nos ligue ao significado do nascimento de Jesus, inspirando-nos na sua pequenez, humildade e solidariedade”. Propõe, como o mais belo presente, “a possibilidade de abrirmos as nossas casas, nos dias de Natal, às muitas pobrezas, mesmo as existenciais e educativas”. E deixa esta sugestão: “Convidemos para a ceia de Natal uma família pobre ou mesmo só uma pessoa que viva uma situação difícil, que esteja sozinha”.
(Que bela sugestão! Poderemos pô-la em prática este ano, ou, se não for possível, assumir desde já, em família o compromisso de o fazer no próximo ano).
Por fim, Leão XIV propõe que, “neste momento de tantas incertezas”, procuremos, em especial para os jovens, luz e orientação no exemplo de S. John Henry Newman, recentemente proclamado Doutor da Igreja. “Este grande teólogo, escreve o Papa, é um mestre da teoria e da prática da educação, que nos encoraja a fazer das escolas, das universidades e de todas as realidades educativas, mesmo informais e ocasionais, como que o limiar de uma civilização de diálogo de e de paz”.
Lembra então o que disse na homilia do passado dia 01 de novembro, Festa de Todos os Santos, em que declarou Newman Doutor da Igreja: “Devemos trabalhar juntos para libertar a humanidade da escuridão do niilismo que a rodeia e que é, talvez, a doença mais perigosa da cultura contemporânea, pois ameaça ‘anular’ a esperança”.
Leão XIV conclui a sua resposta com muita cordialidade, assegurando a António as suas orações pela sua missão de psicólogo e voluntário. E deixa-lhe esta forte exortação: “Não nos desencorajemos nunca! Deus quer o amor fraterno, a liberdade e a paz”.
Por fim, naturalmente, deseja-lhe um Bom Natal, bem como a todos os leitores da revista.
E o mesmo quero fazer agora, transmitindo a todos os caríssimos paroquianos de São Francisco Xavier este desejo, cheio de esperança, de que todos tenham um Santo Natal vivido à luz do Presépio de Belém: um Natal com tempo para contemplar e também para acolher e cuidar.
No Natal brilha aquela “Luz terna, suave, no meio da noite”, de que fala Newman, no seu famoso hino, e que pedimos que nos ilumine e nos conduza sempre.
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira
Pároco de São Francisco Xavier
