Mensagem do Pe. Miguel Pereira para o Domingo IV do Advento

Já estamos no final do tempo do Advento, e se até agora a figura proeminente foi a figura de João Baptista, que nos foi pedindo a conversão a Deus, de todo o coração, e um olhar novo para poder ver as obras de Jesus e poder identificá-lo, com fé, como o Messias esperado, é-nos, agora, revelada a figura de São José.
São Mateus, no seu Evangelho, depois de nos introduzir à genealogia de Jesus, identificando a sua ascendência até David e mais ainda até Abraão, revela o modo como tudo aconteceu, tomando a perspectiva de São José.
Chegado o tempo oportuno, Deus agiu por meio do Espírito Santo, e a virgem Maria encontrou-se grávida, sem interferência de José. Mas José, que era justo, quis repudiá-la em segredo, de forma a que ele parecesse um cobarde, que se afastava indevidamente da sua esposa.
Dentro de todo o espectro de possibilidades de ação essa seria aquela que salvaguardava melhor a Virgem Maria. Era o mais adequado, tendo ele consciência quer da santidade da virgem Maria, quer do facto de que este mistério saía fora do sua capacidade de compreensão.
O sonho e o anjo que nele lhe comunica a sua vocação fazem parte, para São José, de um momento essencial na sua vida e ao mesmo tempo confirmam a suspeita de que Deus tem mais para si do que o que poderia considerar apenas pela sua Justiça.
Deus pede-lhe, por meio do anjo, que receba Maria por sua esposa, e que nomeie o seu filho de Jesus, ou seja, que invista toda a sua humanidade, toda a sua masculinidade e paternidade em Jesus, que faça cumprir a história segundo a vontade de Deus e não apenas segundo a sua justiça, pois Deus tem muito mais a realizar na sua vida do que o inicialmente teria previsto.
Este dado da vida de São José deve impactar no nosso coração.
Deus convida-nos de muitos modos para nos elevar acima da nossa justiça, revelando-nos a nossa verdadeira vocação, ou seja, revelando-nos o modo próprio de participar no mistério de Cristo e da sua Igreja.
Padre Miguel
