Mensagem de Natal 2024 do nosso Prior

O melhor presente de Natal

Deve haver boas razões para o Filho de Deus Se ter feito homem e assim poder haver Natal.

E as razões são estas, como escreveu um grande Bispo e Doutor da Igreja Oriental:
«Enferma, a nossa natureza precisava de ser curada; decaída, precisava de ser elevada; morta, precisava de ser ressuscitada. Tínhamos perdido a posse do bem; era preciso que nos fosse restituído. Encerrados nas trevas, precisávamos de quem nos trouxesse a luz; cativos, esperávamos um salvador: prisioneiros, esperávamos um auxílio; escravos, precisávamos dum libertador. Seriam razões sem importância? Não seriam suficientes para comover a Deus, a ponto de O fazer descer até à nossa natureza humana para a visitar, já que a humanidade se encontrava em estado tão miserável e infeliz?»
(São Gregório de Nissa, Oratio catechetica).

Foram, sem dúvida, razões de peso, e por todas elas, Deus desceu à Terra, Jesus nasceu!
Mas como foi? Foi assim (como nos lembra o Catecismo da Igreja Católica, n. 525): “Jesus nasceu na humildade dum estábulo, no seio duma família pobre (Cf. Lucas 2, 6-7). As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu (Cf. Lucas 2, 8-20).

A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite:
«Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra oferece uma gruta ao Inacessível.
Cantam-n’O os anjos e os pastores,
e com a estrela os magos põem-se a caminho,
porque Tu nasceste para nós,
pequeno Infante. Deus eterno!»
(São Romano o Melódio)”.

Mas o Natal acontece por força do calendário, ou é preciso mais alguma coisa? Sim, é preciso algo mais.
O Catecismo da Igreja Católica (n. 526) deixa-o muito claro: “O mistério do Natal cumpre-se em nós quando Cristo «Se forma» em nós (Cf. Gálatas 4, 19).

O Natal é o mistério desta «admirável permuta»:
«Oh admirável permuta! O Criador do género humano, tomando corpo e alma, dignou-Se nascer duma Virgem; e, feito homem sem progenitor humano, tornou-nos participantes da sua divindade!» (Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus,
1ª Antífona das I e II Vésperas).

A fé diz-nos claramente, como lembra também o Catecismo da Igreja Católica (n. 460): “O Verbo fez-Se carne, para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Pedro 1, 4): «Pois foi por essa razão que o Verbo Se fez homem, e o Filho de Deus Se fez Filho do Homem: foi para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a adoção divina, se tornasse filho de Deus» (Santo Ireneu de Lião)”.

Quando, neste Natal, olharmos para o Menino do Presépio, pensemos que este é o melhor e mais valioso presente do Natal: saber que somos filhos de Deus, e que podemos viver de acordo como essa fantástica dignidade.
E por que não partilhar este presente com muitas outras pessoas?
A todos desejo um Natal muito feliz e alegre, cheio de bênçãos de Deus.

Cónego José Manuel dos Santos Ferreira, Prior de São Francisco Xavier

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