Folha Informativa 28-12-2025

Festa da Sagrada Família (PDF)

Tomasso, Sagrada Família

Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, confiantes, a Vós nos consagramos.

Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão;
e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado.

Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica..

Papa Francisco, Amoris Laetitia, 325

 

Famílias visitadas pela graça

Carlo Maria Martini

A festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José é destinada a exaltar o facto de o Filho de Deus, vindo à terra, ter querido também Ele fazer parte de uma família. Deus reconhece, assim, que a família é o âmbito privilegiado em que nasce e deve ser educado o homem e o cristão.

São certamente grandes as diferenças entre a Sagrada Família e as nossas famílias: na de Jesus, o pai é apenas pai legal, a mãe é virgem e o filho provém diretamente de Deus. Nesse sentido, não é possível encontrar paralelos com a família de Nazaré.

Contudo, também esta família vive o quotidiano, como cada família, e nisso, pelo contrário, é certamente um modelo de relações humanas positivas: ternura, bondade, humildade, mansidão; são estas as características de uma vida quotidiana construtiva e consoladora.

Todavia, também a família de Nazaré teve as suas cruzes e as suas penas, a começar pela perda de Jesus em Jerusalém, aos doze anos; e, depois, a morte do pai José, a partida de Jesus de Nazaré, afastando-se de Maria, para cumprir uma missão árdua e difícil, até aos dias terríveis da paixão, que fizeram de Nossa Senhora a mãe de todas as dores.

Muitas famílias se reconhecerão nesta imagem e se sentirão reconfortadas pelo exemplo da Sagrada Família nas muitas dores da existência quotidiana, com as doenças, as dificuldades económicas e as necessidades laborais que obrigam a viver longe de casa, até à morte das próprias pessoas queridas.

Há certas dificuldades, porém, pelas quais Jesus, Maria e José não passaram, como as que se devem aos defeitos, leves ou graves, dos membros de uma família. Invejas, ciúmes, pequenas e, por vezes, não tão pequenas crueldades, maus humores, nervosismos, incapacidade de entendimento e de aceitação mútuos. São estas as principais dificuldades que hoje fazem naufragar tantos projetos de vida comum e que ofuscam a existência de tanta gente. A família de Nazaré está presente, antes, com o exemplo de uma vida contrária a tudo isso.

Alguma solução e ajuda poderão, pelo contrário, ser-nos dadas por todas aquelas páginas da Escritura que mostram os sofrimentos de famílias em dificuldades, ensinando-nos também as formas de superá-las. Pensemos na história de Abraão, de Jacob ou de David, famílias de modo algum exemplares, que, no entanto, são visitadas pela graça do Senhor. Se cada família soubesse reconhecer a graça formidável do sacramento do Matrimónio, nela presente, também encontraria a força para superar desentendimentos e divisões e para curar diariamente as feridas a que a vida quotidiana não nos poupa.

Hoje, portanto, não nos é apresentado apenas um exemplo luminoso de vida familiar, mas muitos exemplos de famílias difíceis nas quais, porém, a graça de Deus atuou. É sobretudo essa graça que deve dar força às famílias em crise para superar os momentos difíceis e vencer a tentação de ceder ao naufrágio, infligindo assim muitos males à sociedade.

Peçamos a Jesus, Maria e José que velem pelas nossas famílias e lhes deem esperança nas dificuldades crescentes que hoje têm de enfrentar.

São José, homem com os mesmos sonhos de Deus

Ermes Ronchi, 2023

Entre os guardiães da espera encontramos José, homem dos sonhos e das mãos calosas, selo de uma história grávida de contradições e de promessas: a sua casa e os seus sonhos narram uma história de amor, as suas dúvidas e o coração ferido falam de uma história humaníssima de expectativas e de crises.

Antes que fossem viver juntos, Maria encontrou-se grávida… Então, José pensou repudiá-la em segredo. Na ocultação. É a única maneira que discerne para salvar Maria do risco da lapidação, porque a ama, ela ocupou-lhe a vida, o coração, até os sonhos.

De quem aprendeu Jesus a opor-se à lei antiga, a colocar a pessoa antes das regras, se não ouvindo contar de Jesus a história daquele amor que o fez nascer, a história de um encobrimento pensado para subtrair a mãe à lapidação?
Como aprendeu Jesus a escolher aquela palavra que se diz na intimidade familiar, “abbà”, palavra de criança, tão identitária e exclusiva, a não ser daquele homem de olhos e coração profundos? Ao chamar José de “abbà”, papá, aprendeu o que evoca esse nome doce e fortíssimo, como é a revelação do rosto de amor de Deus.

José que nunca fala, de quem o Evangelho não recorda sequer uma palavra, homem silencioso e corajoso, concreto e livre, sonhador: os destinos do mundo foram confiados aos seus sonhos.
Porque o homem justo tem os mesmos sonhos de Deus. Para sonhar é preciso coragem, não só fantasia, significa não contentar-se com o mundo tal como é. A matéria de que são feitos os sonhos é a esperança (Shakespeare).

O Evangelho reporta quatro sonhos de José, sonhos de palavras. E de cada vez trata-se de um anúncio parcial, incompleto, de cada vez uma profecia breve, demasiado breve, sem um horizonte claro, sem dada de regresso. E todavia suficiente para apertar a si a Mãe e o Menino, para se pôr a caminho para o Egito, e depois para retomar o itinerário de casa.

 

SAGRADA FAMÍLIA

Dehonianos

A família de Jesus, Maria e José é uma família pobre e humilde que, por causa da violência e da crueldade dos poderosos, tem de deixar o seu lar e buscar asilo num país estranho. Como tantas outras famílias pobres de ontem e de hoje, a família de Jesus experimenta a perseguição, a clandestinidade, a rejeição, a indiferença, as atribulações dos exilados e dos descartados.

No entanto, os membros desta família não estão sozinhos na sua luta contra a maldade, a injustiça, a violência dos grandes do mundo: Deus está do lado deles em todos os momentos, indica-lhes o caminho que devem percorrer, protege-os, anima-os, guia-os, salva-os.

Mas, além de contarem com Deus, os membros desta família também contam uns com os outros. A Família de Nazaré – a família que poderá ser modelo das nossas famílias – é uma família unida, solidária, fraterna. Os membros desta família caminham lado a lado, enfrentam juntos os perigos, as incomodidades, as incertezas, as crises, até mesmo o exílio numa terra estrangeira.

É uma família que cuida dos mais frágeis, que se deixa “programar” pelas necessidades dos seus membros. É uma família onde ninguém é descartado, ninguém é deixado para trás. Na família de Nazaré vive-se esse amor até ao extremo que supera todos os egoísmos e que se faz dom absoluto ao outro.

A Sagrada Família é uma família que vive de Deus e que cultiva uma forte ligação com Deus. Escuta a Palavra de Deus, vive atenta aos sinais de Deus, procura seguir à risca as indicações de Deus, vive de olhos postos em Deus. O exemplo da Família de Nazaré mostra-nos que uma família que vive ao ritmo de Deus é uma família unida por laços fortes, que nem as maiores tempestades da vida conseguirão quebrar.

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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