Domingo III do Tempo Comum (PDF)

Despertar para Deus faz-se através do amor, e não à força de convencer, nunca impondo a verdade, nem mesmo obstinando-se em torno de alguma obrigação religiosa ou moral.
Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Somos
chamados continuamente a viver e anunciar a boa-nova do amor do Senhor: Jesus ama-te verdadeiramente, tal como és.
Dá-lhe lugar, apesar das decepções e feridas da vida, deixa-lhe a possibilidade de te amar. Não te decepcionará.
O coração da evangelização reside no testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia, pelo que não se fala bem de Jesus quando os que o anunciam estão tristes ou se limitam a fazer bonitos sermões. Quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, tem pela frente horizontes, e não
um muro que o impede de ver.
Vê longe porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem ao perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades.
Papa Francisco, 2016
Domingo da Palavra de Deus: 15 ideias para 365 dias
Andrea Lebra, in Settimana News
Conhecer Cristo e compreender a missão da Igreja.
A relação entre Cristo ressuscitado, a Igreja e a Sagrada Escritura é vital para a nossa identidade de cristãos. Sem o Senhor que nos abre a mente à compreensão das Escrituras é impossível compreendê-las em profundidade, mas o contrário é igualmente verdadeiro: sem a Sagrada Escritura permanecem indecifráveis os acontecimentos da missão de Jesus e da sua Igreja no mundo.
Uma riqueza inesgotável a colocar à disposição de todos. É muito mais aquilo que nos escapa da Palavra de Deus do que o quanto conseguimos compreender, e as belezas que a coloram são de tal maneira múltiplas, que aqueles que a perscrutam podem contemplar o que mais preferem. O seu grande valor deve ser percecionado pelos cristãos na sua existência diária. Em cada comunidade devem ser asseguradas iniciativas úteis para que nunca falte a relação viva com a Palavra do Senhor e todo o crente beneficie de um dom tão grande e se empenhe a vivê-lo no quotidiano, testemunhando-o com coerência.
“Lectio, meditatio, oratio”. O Domingo da Palavra de Deus tem o objetivo de fazer emergir a importância que reveste a leitura diária dos textos sagrados, que se torna reflexão e se transforma em oração. A quem proclama a Palavra na liturgia seja fornecida uma preparação adequada.
A Bíblia pertence ao povo. Não é só património de alguns, ou uma recolha de textos para poucos privilegiados. Ela pertence, antes de tudo, ao povo, convocado para a escutar com atenção e reconhecer-se nela com viva participação. A Palavra de Deus une os crentes e torna-os um só povo.
Acessibilidade para todos. Os pastores, tendo a grande responsabilidade de permitir a todos a compreensão da Sagrada Escritura, devem sentir fortemente a exigência de a tornar acessível à sua comunidade, também graças às homilias caracterizadas por uma linguagem simples e adaptada a chegar ao coração de quem a escuta, e a aquecê-lo. Para acolher a Sagrada Escritura não como palavra humana, mas, como o é verdadeiramente, Palavra de Deus, deve-se-lhe dedicar tempo e oração. Quem, na comunidade, desempenha o ministério de ajudar os fiéis a crescer na fé, sinta a urgência de se renovar através da familiaridade e o estudo das Sagradas Escrituras.
Cristo é o primeiro exegeta. A história da salvação, a começar por Moisés e pelos profetas, é única e encontra em Cristo o seu cumprimento.
A fé provém da escuta. O vínculo entre a Sagrada Escritura e a fé dos crentes é profundo. A fé deriva da escuta, e a escuta centra-se na Palavra de Cristo. Por isso, é urgente e importante que os crentes reservem escuta atenta à Palavra de Deus quer na ação litúrgica, quer na oração, quer na reflexão pessoal.
Não um, mas 365 dias por ano. A Igreja venerou sempre as Sagradas Escrituras, como o fez com a Eucaristia. À Bíblia seja dedicado não um, mas 365 dias por ano, para que tenhamos a urgente necessidade de nos tornarmos familiares e íntimos da Sagrada Escritura e de Cristo ressuscitado, que não cessa de partir a Palavra e o Pão na comunidade dos crentes.
Evitar interpretações fundamentalistas. A transformar a Sagrada Escritura em Palavra viva de Deus está a ação do Espírito Santo, graças à qual se evita o risco de toda a interpretação fundamentalista dos textos escritos, valorizando-se-lhe, antes, o carácter dinâmico e espiritual.
Ler e interpretar à luz do Espírito Santo. A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada à luz do Espírito Santo, mediante o qual foi escrita. Deve-se ter confiança na Sua ação, que continua a realizar uma forma peculiar de inspiração, não só quando a Igreja ensina a Sagrada Escritura e o magistério a interpreta autenticamente, mas também quando cada crente faz dela a sua norma espiritual.
Sagrada Escritura e Tradição. Antes de se tornar um texto escrito, a Sagrada Escritura foi transmitida oralmente e mantida viva pela fé de um povo que a reconhecia como sua história e princípio de identidade no meio de outros povos. A fé bíblica funda-se na Palavra viva, não num livro.
Doçura e amargura. O Antigo e Novo Testamento possuem uma função profética, dizendo respeito ao hoje de quem se alimenta dessa Palavra, que ao mesmo tempo provoca doçura e amargura. A doçura impele-nos a participá-la a quantos encontramos na nossa vida, para exprimir a certeza da esperança que contém. A amargura é muitas vezes constatada na verificação de quanto é difícil vivê-la com coerência. É necessário, portanto, não nos acostumarmos rotineiramente à Palavra de Deus, mas alimentarmo-nos dela para descobrir e viver em profundidade a nossa relação com Deus e com os irmãos e irmãs.
Misericórdia, partilha, solidariedade. A Palavra de Deus apela ao amor misericordioso do Pai, que pede aos filhos para viverem na caridade. O grande desafio colocado diante da nossa vida é colocarmo-nos à escuta das Sagradas Escrituras para praticar a misericórdia. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos para permitir-nos sair do individualismo que conduz à asfixia e à esterilidade, enquanto escancara a estrada da partilha e da solidariedade.
Transcender a letra. A Sagrada Escritura transcende-se a si mesma quando alimenta a vida dos crentes. Na compreensão dos diversos sentidos é decisivo colher a passagem, que não é automática nem espontânea, entre letra e espírito: é preciso transcender a letra.
Familiaridade religiosa e assídua. A partir do exemplo de Maria, reconhecida como “feliz” por ter acreditado no cumprimento que Deus lhe tinha dito, o Domingo da Palavra de Deus possa fazer crescer no povo de Deus a religiosa e assídua familiaridade com as Sagradas Escrituras.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
