Folha Informativa 21-12-2025

Domingo IV do Advento (PDF)

Tempo para contemplar, acolher e cuidar

Mensagem de Natal do nosso Prior, Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Tempo para contemplar, acolher e cuidar

Nesta época de Natal, venho propor-vos uma breve pausa de reflexão, tendo em conta que o Natal é – ou deveria ser – um tempo de contemplação do mistério da Encarnação e Nascimento do Filho de Deus, e também de escuta, acolhimento e cuidado dos outros.

Li há dias um artigo de uma revista italiana (Piazza San Pietro), em que um leitor, um psicólogo de 40 anos, António, escreve ao Papa Leão XIV, e conta-lhe que leva uma vida dedicada aos mais frágeis, inspirada em São Francisco de Assis e Santo Afonso Maria de Ligório.

Compartilha com Leão XIV o seu trabalho diário e o seu voluntariado, que o leva a estar com muitas crianças e jovens, e também com famílias marcadas por grandes dificuldades e limitações. Revela que encontra e acolhe muitas perturbações, medos, inconsistências, fragilidades, mas também descobre “uma sede infinita de Deus”.

Para quem crê, é uma necessidade; para quem não crê, uma esperança mal-escondida. E confidencia que se cruza no seu caminho com muitos jovens que vivem as suas cruzes longe do Crucificado. Daí o seu pedido: “Santo Padre, pelo duro cansaço que encontro na vida quotidiana das pessoas com quem me cruzo, peço-lhe a sua oração e um pensamento, a fim de que a sua palavra possa tocar e atravessar os corações de todos eles e de todos nós”.

Na sua resposta, o Papa Leão XIV aborda três temas centrais do Natal.
Em primeiro lugar, lembra que “os jovens têm necessidade de encontrar Cristo”, e isto só pode acontecer através de um testemunho simples, autêntico, amadurecido na oração, na vida comunitária e na consciência de que “somos continuamente amados por Deus, que não nos abandona nunca, e nos ilumina com o Espírito Santo em todas as escolhas que fazemos e em todas as situações”.

Leão XIV convida então a viver o Natal como um tempo de sobriedade e caridade concreta. E deixa esta convite: “Procuremos um sentido de beleza autêntica mesmo na oferta dos presentes de Natal, um sentido que nos ligue ao significado do nascimento de Jesus, inspirando-nos na sua pequenez, humildade e solidariedade”. Propõe, como o mais belo presente, “a possibilidade de abrirmos as nossas casas, nos dias de Natal, às muitas pobrezas, mesmo as existenciais e educativas”. E deixa esta sugestão: “Convidemos para a ceia de Natal uma família pobre ou mesmo só uma pessoa que viva uma situação difícil, que esteja sozinha”.
(Que bela sugestão! Poderemos pô-la em prática este ano, ou, se não for possível, assumir desde já, em família o compromisso de o fazer no próximo ano).

Por fim, Leão XIV propõe que, “neste momento de tantas incertezas”, procuremos, em especial para os jovens, luz e orientação no exemplo de S. John Henry Newman, recentemente proclamado Doutor da Igreja. “Este grande teólogo, escreve o Papa, é um mestre da teoria e da prática da educação, que nos encoraja a fazer das escolas, das universidades e de todas as realidades educativas, mesmo informais e ocasionais, como que o limiar de uma civilização de diálogo de e de paz”.

Lembra então o que disse na homilia do passado dia 01 de novembro, Festa de Todos os Santos, em que declarou Newman Doutor da Igreja: “Devemos trabalhar juntos para libertar a humanidade da escuridão do niilismo que a rodeia e que é, talvez, a doença mais perigosa da cultura contemporânea, pois ameaça ‘anular’ a esperança”.

Leão XIV conclui a sua resposta com muita cordialidade, assegurando a António as suas orações pela sua missão de psicólogo e voluntário. E deixa-lhe esta forte exortação: “Não nos desencorajemos nunca! Deus quer o amor fraterno, a liberdade e a paz”.

Por fim, naturalmente, deseja-lhe um Bom Natal, bem como a todos os leitores da revista.

E o mesmo quero fazer agora, transmitindo a todos os caríssimos paroquianos de São Francisco Xavier este desejo, cheio de esperança, de que todos tenham um Santo Natal vivido à luz do Presépio de Belém: um Natal com tempo para contemplar e também para acolher e cuidar.
No Natal brilha aquela “Luz terna, suave, no meio da noite”, de que fala Newman, no seu famoso hino, e que pedimos que nos ilumine e nos conduza sempre.

Cón. José Manuel dos Santos Ferreira
Pároco de São Francisco Xavier

 

Advento em São Francisco Xavier
Domingo IV do Advento

 

Já estamos no final do tempo do Advento, e se até agora a figura proeminente foi a figura de João Baptista, que nos foi pedindo a conversão a Deus, de todo o coração, e um olhar novo para poder ver as obras de Jesus e poder identificá-lo, com fé, como o Messias esperado, é-nos, agora, revelada a figura de São José.

São Mateus, no seu Evangelho, depois de nos introduzir à genealogia de Jesus, identificando a sua ascendência até David e mais ainda até Abraão, revela o modo como tudo aconteceu, tomando a perspectiva de São José.
Chegado o tempo oportuno, Deus agiu por meio do Espírito Santo, e a virgem Maria encontrou-se grávida, sem interferência de José. Mas José, que era justo, quis repudiá-la em segredo, de forma a que ele parecesse um cobarde, que se afastava indevidamente da sua esposa.

Dentro de todo o espectro de possibilidades de ação essa seria aquela que salvaguardava melhor a Virgem Maria. Era o mais adequado, tendo ele consciência quer da santidade da virgem Maria, quer do facto de que este mistério saía fora do sua capacidade de compreensão.

O sonho e o anjo que nele lhe comunica a sua vocação fazem parte, para São José, de um momento essencial na sua vida e ao mesmo tempo confirmam a suspeita de que Deus tem mais para si do que o que poderia considerar apenas pela sua Justiça.
Deus pede-lhe, por meio do anjo, que receba Maria por sua esposa, e que nomeie o seu filho de Jesus, ou seja, que invista toda a sua humanidade, toda a sua masculinidade e paternidade em Jesus, que faça cumprir a história segundo a vontade de Deus e não apenas segundo a sua justiça, pois Deus tem muito mais a realizar na sua vida do que o inicialmente teria previsto.

Este dado da vida de São José deve impactar no nosso coração.
Deus convida-nos de muitos modos para nos elevar acima da nossa justiça, revelando-nos a nossa verdadeira vocação, ou seja, revelando-nos o modo próprio de participar no mistério de Cristo e da sua Igreja.

Padre Miguel Pereira

 

O espanto do Natal

Papa Francisco

Gerard van Honthorst, Adoração dos Pastores

Muitos admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a História… e assim por diante.

Admiram-no, mas a sua vida não muda: a paralisia espiritual, a resistência à conversão, as expetativas inabaláveis, a incapacidade do espanto, que marcaram o acolhimento do Messias nas ruas de Jerusalém poucos dias antes da sua crucificação, subsistem hoje, inclusive entre os crentes, tornando-os impermeáveis à surpresa, à inovação, à desordem que Ele continua a trazer ao mundo.

O espanto é diferente da admiração. A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e as próprias expetativas; o espanto, pelo contrário, permanece aberto ao outro, à sua novidade.

Se a fé perde o espanto, torna-se surda: deixa de sentir a maravilha da Graça, deixa de sentir o gosto do Pão da vida e da Palavra, deixa de perceber a beleza dos irmãos e o dom da criação.

Papa Francisco, 2023

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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