Dia 21 – Burro

Este animal tinha uma presença significativa na vida das famílias, ao tempo de Jesus.

Eram utilizados especialmente para carga, durante viagens, chegavam a levar pessoas, se fossem suficientemente mansos, e para trabalhos agrícolas.

Jesus entrará em Jerusalém, por fim, na sua última Páscoa, montado num jumento, é o profeta Zacarias que o profetiza: «Eis que o teu rei vem a ti, justo e vitorioso, humilde, montado num jumento».

José utilizará o burro para ir recensear-se a Belém, para fugir para o Egipto e certamente para regressar lá, depois da morte de Herodes.

O jumento que se apresenta no presépio seria da pertença de São José e ficou no estábulo com os restantes animais. Isaias refere no inicio das suas profecias a seguinte expressão: «O boi conhece o seu dono e o jumento a manjedoura do seu senhor», que aqui é elevada ao seu máximo significado.

O Senhor da manjedoura não é apenas aquele que a quem o burro pertence, mas o Senhor de todo o universo, Aquele por meio do qual tudo foi criado. Reconhecer o Senhor do universo na manjedoura é a grande tarefa da nossa fé. Os animais parecem reconhecê-lo, mas para nós, que somos chamados a entender todas as consequências da sua presença neste mundo, é mais difícil.

Se aquele que nasce no presépio é quem os magos buscaram, os anjos anunciaram, os pastores adoraram e os animais reconheceram, se Ele é mesmo quem estes dizem ser, há uma vertigem que se instala no nosso coração, uma vertigem cheia de uma comoção, pelo amor que Deus nos tem.

A nossa alegria vem da simplicidade deste reconhecimento, e da consciência nova que a sua presença traz a cada gesto, em cada um dos nossos dias.

Padre Miguel

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