Folha Informativa 21-06-2026

Domingo XI do Tempo Comum (PDF)

Anónimo, Última Ceia

O Coração de Jesus não nos vai deixar ficar onde estamos:
Ele vai-nos pedir seguimento. Vai dizer “Vem coMigo, vive coMigo, ao meu estilo”. E isso implicará perdoar, mesmo quando temos razão; confiar, mesmo quando tudo ameaça colapsar; entregar, quando desejamos controlar; amar, principalmente quando só nos apetecer fugir.

O nosso Deus, ainda que console, é acima de tudo um provocador. No Coração trespassado de Cristo vemos um Deus que não Se protege do sofrimento humano, mas que o atravessa connosco. Um Deus que não Se impõe, mas Se oferece.
Um Deus que continua a dizer, no silêncio, “bem-vindo a casa”.

O coração de Jesus pede-nos que habitemos o mundo. Que, com Ele e Nele, reencontremos o centro. E é fácil rezar com Ele. Basta parar, colocar a mão no peito e dizer-Lhe aquilo que temos evitado dizer em voz alta. Uma só coisa. Aquela coisa, a mais difícil. E ficar em silêncio, aguardando que o seu coração se encoste ao nosso. Sem explicações, nem justificações. Permanecer aí, sem fugir.
E deixar-se fazer por Deus.

Nelson Faria, sj

 

 

Não temais

Dehonianos

Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus irmãos.

Qual o nosso papel de crentes neste processo? O que podemos fazer para que Deus volte a estar no centro da história e as suas propostas sejam acolhidas?

A modernidade ensinou-nos que a fonte da salvação não é Deus, mas o homem e as suas conquistas. Exaltou o individualismo e a auto-suficiência e ensinou-nos que só nos realizaremos totalmente se formos nós – orgulhosamente sós – a definir o nosso caminho e o nosso destino.

No entanto, onde nos leva esta cultura que prescinde de Deus e das suas sugestões? A cultura moderna tem feito surgir um homem mais feliz, ou tem potenciado o aparecimento de homens perdidos e sem referências, que muitas vezes apostam tudo em propostas falsas de salvação e que saem dessa experiência de busca mais fragilizados, mais dependentes, mais alienados?

O projecto de Jesus, vivido com radicalidade e coerência, não é um projecto “simpático”, aclamado e aplaudido por aqueles que mandam no mundo ou que “fazem” a opinião pública; é radical, questionante, provocante, exige a vitória sobre o egoísmo, o comodismo, a instalação, a opressão, a injustiça…

É capaz de abalar os fundamentos dessa ordem injusta e alienante sobre a qual o mundo se constrói. Há um certo “mundo” que se sente ameaçado nos seus fundamentos e que procura, todos os dias, encontrar formas para subverter e domesticar o projecto de Jesus. A nossa época inventou formas de reduzir ao silêncio os discípulos: ridiculariza-os, desautoriza-os, calunia-os, corrompe-os, massacra-os com publicidade enganosa de valores efémeros…

Como a comunidade de Mateus, também nós andamos assustados, confusos, desorientados, interrogando-nos se vale a pena continuar a remar contra a maré…

A todos, Jesus diz: “não temais”.

 

 

Não tenhais medo

Papa Francisco, 2023

A vós, jovens, que vivestes esta alegria (estava para dizer esta glória, e de certo modo este nosso encontro também é glória);
a vós, que cultivais sonhos grandes mas frequentemente ofuscados pelo temor de que não se realizem;

a vós, que às vezes pensais que não ides conseguir (por vezes assalta-nos um pouco de pessimismo); a vós, jovens, tentados a desanimar neste tempo, a julgar-vos talvez inadequados ou a esconder a angústia mascarando-a com um sorriso;

a vós, jovens, que quereis mudar o mundo (é um bem que queirais mudar o mundo!) e que quereis lutar pela justiça e a paz;

a vós, jovens, que investis na vida esforço e imaginação, ficando porém com a sensação de que não bastam;

a vós, jovens, de quem a Igreja e o mundo têm necessidade como a terra tem de chuva;

a vós, jovens, que sois o presente e o futuro… Sim, precisamente a vós, jovens, é que Jesus diz hoje: «Não tenhais medo», «não tenhais medo»! Num breve momento de silêncio, cada um repita para si mesmo, no próprio coração, estas palavras: «Não tenhais medo».

Queridos jovens, gostaria de poder fixar cada um de vós nos olhos e dizer: Não temas, não tenhas medo!
Mais, tenho uma coisa belíssima para vos dizer: já não sou eu, mas é o próprio Jesus que vos fixa agora.
Ele que vos conhece, conhece o coração de cada um de vós, conhece a vida de cada um de vós, conhece as alegrias, conhece as tristezas, os sucessos e os fracassos, conhece o vosso coração.

 

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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