Domingo II do Tempo Comum (PDF)

Maria participa na festa, mas ao mesmo tempo observa o que acontece à sua volta. O seu olhar atento e discreto permite-lhe ver aquilo que ninguém vê, isto é, que acabou o vinho.
Não é o pão que faltou, não é o necessário à vida, mas o vinho. O vinho é, em toda a Bíblia, o símbolo do amor feliz entre homem e mulher, entre homem e Deus. Feliz e sempre ameaçado.
Não têm mais vinho, experiência que todos fizemos, quando mil dúvidas nos assaltam e os amores são sem alegria, as casas sem festa, a fé sem entusiasmo.
Maria indica o caminho: o que quer que Ele vos diga, fazei-a. E então encher-se-ão as ânforas vazias do coração. E a vida transformar-se-á, de vazia a plena, de extinguida a feliz.
Ermes Ronchi
AMORES DURADOIROS
Papa Francisco, 2016

Maria está atenta, está atenta naquelas bodas já iniciadas, é solícita pelas necessidades dos esposos. Não se fecha em si mesma, não se encerra no seu mundo; o seu amor a faz «ser para» os outros. Nem procura as amigas para comentar o que está passando e criticar a má preparação das bodas. E como está atenta, com a sua discrição dá-se conta de que falta o vinho. O vinho é sinal de alegria, de amor, de abundância.
Quantos dos nossos adolescentes e jovens percebem que, em suas casas, há muito que não existe desse vinho! Quantas mulheres, sozinhas e tristes, se interrogam quando foi embora o amor, quando o amor se diluiu da sua vida! Quantos idosos se sentem deixados fora da festa das suas famílias, abandonados num canto e já sem beber do amor diário dos seus filhos, dos seus netos, dos seus bisnetos.
A falta desse vinho pode ser efeito também da falta de trabalho, das doenças, situações problemáticas que as nossas famílias atravessam em todo o mundo. Maria não é uma mãe «reclamona», nem uma sogra que espia para se consolar com as nossas inexperiências, os nossos erros ou descuidos. Maria, simplesmente, é mãe! Permanece ao nosso lado, atenta e solícita.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
