Folha Informativa 14-09-2025

Domingo XXIV do Tempo Comum (PDF)

Uma Paróquia para nos ajudar a ser santos

Cón. José Manuel dos Santos Ferreira, Prior de São Francisco Xavier

Neste recomeço, depois das férias, faz-nos bem alimentar bons desejos. E que melhor desejo que o de sermos santos?
Desde há poucos dias temos mais dois novos santos canonizados, dois jovens comuns, que fizeram do seguimento do Evangelho a razão de suas vidas. Dois santos cheios de vitalidade, com o coração inflamado do amor por Cristo, duas figuras luminosas que o próprio Leão XIV propôs como modelo para as novas gerações durante o recente Jubileu da Juventude, dois santos a quem podemos imitar em muitas coisas, e a quem podemos pedir ajuda na nossa caminhada.
É bom olhar para eles, deixar-se fascinar pela sua santidade tão extraordinária e ao mesmo tempo tão “normal”.

No domingo passado, 7 de setembro, na missa de canonização dos santos Pedro Jorge Frassati e Carlos Acutis, o Papa Leão XIV convidou toda a gente a olhar para os novos santos: S. Pedro Jorge Frassati, um jovem do início do século XX, e S. Carlos Acutis, um adolescente dos nossos dias, “ambos apaixonados por Jesus e prontos a dar tudo por Ele”. E falou brevemente sobre cada um:
“Pedro Jorge encontrou o Senhor através da escola e dos grupos eclesiais (…) e testemunhou-O com a sua alegria de viver e de ser cristão na oração, na amizade, na caridade. (…) Ainda hoje, a vida de Pedro Jorge representa uma luz para a espiritualidade laical. Para ele, a fé não era uma devoção privada: impulsionado pela força do Evangelho e pela pertença a associações eclesiais, comprometeu-se generosamente na sociedade, deu o seu contributo à vida política, dedicou-se com ardor ao serviço dos pobres”.

“Carlos, por sua vez, encontrou Jesus na família, graças aos seus pais, Andrea e Antónia – presentes aqui hoje com os dois irmãos, Francesca e Michele –, depois também na escola, e sobretudo nos sacramentos, celebrados na comunidade paroquial. Assim, cresceu integrando naturalmente nas suas jornadas de criança e adolescente a oração, o desporto, o estudo e a caridade”.

E continuou:
“Ambos, Pedro Jorge e Carlos, cultivaram o amor a Deus e aos irmãos através de meios simples, ao alcance de todos: a Santa Missa diária, a oração, especialmente a Adoração Eucarística. (…) Ambos, finalmente, tinham uma grande devoção pelos santos e pela Virgem Maria, e praticavam generosamente a caridade. (…) Quando a doença os atingiu e ceifou as suas jovens vidas, nem mesmo isso os impediu de amar, de se oferecerem a Deus, de bendizê-Lo e de orar por si próprios e por todos.

E concluiu:
“Caríssimos, os santos Pedro Jorge Frassati e Carlos Acutis são um convite dirigido a todos nós – especialmente aos jovens – a não desperdiçar a vida, mas a orientá-la para cima e a fazer dela uma obra-prima. Eles encorajam-nos com as suas palavras: «Não eu, mas Deus», dizia Carlos. E Pedro Jorge: «Se tiveres Deus no centro de todas as tuas ações, então chegarás até ao fim». Esta é a fórmula simples, mas vencedora, da sua santidade. E é também o testemunho que somos chamados a seguir, para saborear a vida até ao fim e ir ao encontro do Senhor na festa do Céu”.

Antes da celebração, notou-se que o Papa ficou impressionado com a quantidade de jovens. “É realmente uma bênção”, afirmou. “Nós preparámo-nos para esta celebração com a oração, com o coração aberto, desejosos de receber esta graça do Senhor, e sentimos todos no coração a mesma coisa que Pedro Jorge e Carlos viveram: este amor por Jesus Cristo, sobretudo na Eucaristia, mas também nos pobres, nos irmãos e irmãs. Todos vocês, todos nós, somos chamados a ser santos”.

“Amor por Jesus Cristo, mas também nos pobres, nos irmãos e irmãs”. Gostaria muito que estas duas dimensões, que são inseparáveis, se notassem mais neste novo ano “pastoral”, não só no caminho pessoal e íntimo de cada um, mas também aqui mesmo, neste espaço de vida e partilha em Igreja, que é a Paróquia de São Francisco Xavier, que, na verdade, ou está a servir para nos ajudar a ser santos, ou não está mesmo a cumprir a sua missão.

 

Santa Cruz

Canção Nova

Jesus expõe a Nicodemos o projeto que o Pai Lhe confiou… “desceu do céu” para vir ao encontro dos homens e apontar os caminhos que conduzem
à vida verdadeira.

Por detrás dessa iniciativa de Deus, está o amor infinito que Ele sente pelos seus filhos que peregrinam na terra.

Jesus irá dizer aos homens – com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos – que Deus os ama com um amor sem igual; e irá convidá-los
a acolherem esse amor e a deixarem-se conduzir pelo amor.

Chegará o dia em que Jesus oferecerá a sua vida até ao dom total de Si, para fazer nascer um mundo novo. Os que olharem para o Crucificado, e aprenderem a lição do amor e passarem a viver no amor, terão vida eterna, libertos do egoísmo, violência, autossuficiência, mentira, maldade; serão homens e mulheres que optaram por viver no amor.

DEHONIANOS

 

Recomeçar

Tolentino Mendonça

Renoir, Uma estrada em Louveciennes

Uma das coisas mais preciosas da nossa trajetória espiritual é a certeza de que vamos sempre a tempo de recomeçar.
Cada ciclo, cada estação, cada instante coloca-nos perante o dever de o testemunhar.

Felizes aqueles que arriscam a audácia de viver assim, mesmo quando o cálculo das probabilidades se mostra adverso. São esses que, numa hora ou noutra, desmentem os fatalismos e se tornam os parteiros de um milagre.
O milagre que faz equivaler o verbo “recomeçar” a uma espécie de nascer.

O poeta Tonino Guerra tinha uma frase que repetia, assumindo-a como seu mote de vida: “Enamorar-se ainda uma vez.” Li depois, em qualquer lado, que essa teria sido também uma das últimas coisas ditas por Federico Fellini. Mas para Tonino o “enamorar-se ainda uma vez” funcionava, em continuação, como uma esquadria para medir e iluminar as angulações do quotidiano.

Tratava-se evidentemente de uma escolha. Ele poderia viver dobrado sobre si mesmo, de costas voltadas para a vida, com a fanfarronice cínica ou o derrotismo dos que se apressam a pôr pontos finais. Escolheu, porém, sentar-se à soleira, disponível para a surpresa e o espanto, desejoso dessa porção de desconhecido que a vida reserva e que ele celebrava, enamorando-se pelos assuntos e lugares mais diversos ainda uma vez.

Mesmo quando parece mais uma consequência do automatismo social do que propriamente uma decisão de vida, setembro obriga-nos a um confronto com o verbo “recomeçar”. É um verbo exigente, com uma espessura que não se deslinda de imediato, mas também rico em possibilidades, se o soubermos abraçar.

O verão foi tudo isso: itinerância, saída, pausa, interrupção, intervalo, intersecção, distanciamento, espaço exterior e interior diversos.

Setembro, por sua vez, conjuga regressos. Regressamos aos acampamentos de sempre, aos ritmos normalizados, à urgência das agendas. Regressamos ao tráfego e ao bulício das cidades, à vida uns dos outros e à forma habitual que tem a nossa. E regressamos tanto tonificados com aquilo que o verão nos permitiu, capazes de investir agora entusiasmo, capazes de disseminar uma operativa esperança, como nos sentimos arrastados a contragosto, sem a energia vital que desejaríamos, como se em vez de regressos nos sentíssemos a provar antes uma regressão.

A verdade é que, ao longo da nossa vida, chegamos ao verbo “recomeçar” em estados e por caminhos muito diferentes. Todos, contudo, têm alguma mensagem que precisamos de ouvir. Têm alguma coisa a ensinar-nos.
É importante recordarmos a nós próprios que as modalidades do recomeço não são padronizadas e que, inclusive, é bom que seja assim.

No fundo, interessa menos fazer depender a qualidade dos nossos recomeços do seu grau de facilidade.
Recomeços difíceis não querem necessariamente dizer recomeços impossíveis ou, de qualquer modo, desqualificados. Há um dom naquelas estações em que a vida se resolve transparente, se movimenta em harmonia e tudo habilmente coincide. Mas não mergulharíamos apaixonados a tocar a substância da vida se não colhêssemos também aquilo que, por exemplo, as demoras, as fadigas, as múltiplas faces da vulnerabilidade ou as próprias feridas revelam.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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