Folha Informativa 14-06-2026

Domingo X do Tempo Comum (PDF)

Esta página evangélica poderá parecer radical, severa nas exigências relativas ao estilo missionário, mas na verdade para cada enviado trata-se de ser filho no Filho, vivendo a missão que o próprio Filho recebeu do Pai quando por Ele foi enviado ao mundo.

Basta referir-se à missão de Jesus e não inventarmos nós missões, sobretudo num ambiente como o atual: há uma tal tensão para a evangelização dos outros que já se deixou de ver se o enviado é evangelizado ou não, se se assemelha ao seu Senhor ou se, pelo contrário, está preocupado com o número de ouvintes e com o resultado da sua propaganda do produto.

Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro de Bose, 2016

 

X DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dehonianos

Como é que Deus age hoje no mundo?
A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”.

Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para O seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”.

Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?
Qual é a missão dos discípulos de Jesus?
É lutar objectivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas económicos geradores de bem-estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los.

A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?

 

Rezar é preciso

La prière: Entre combat et extase

É na oração que a Igreja escolhe e envia os seus apóstolos, oração para lhes dar a força do Espírito. No primeiro dia de evangelização do mundo, no Pentecostes, os discípulos em oração recebem o dom do Espírito e anunciam as maravilhas de Deus. A proclamação do Evangelho é uma obra do Espírito e a sua eficácia nasce da força do Espírito. É por isso que Jesus pede que se reze para que Deus envie operários. Se Deus não concede a graça do Espírito, todos os esforços e iniciativas do homem, por muito sinceras que sejam, tornam-se vãs e inúteis. Deus dá o crescimento – e só Ele!

É por isso que a Igreja conta enormemente com a oração dos contemplativos e das contemplativas para a missão dos seus apóstolos. A padroeira das missões, Teresa do Menino Jesus, é uma jovem carmelita que nunca saiu do seu claustro, mas cujo amor e oração percorreram o mundo.

A messe é o julgamento escatológico do mundo; julgamento que começa desde logo no acolhimento ou recusa da palavra que anuncia a presença do Reino de Deus.
Drama diário, drama eterno…

Jesus lança um olhar para a imensidão do mundo e vê que por todo o lado o campo espera pelo ceifeiro.

Por todo o lado há espíritos que procuram a luz, olhos que espreitam a vinda de uma salvação esperada mas desconhecida, corações que bradam a sua sede de justiça e amor verdadeiros.
A oração contemplativa encontra este olhar e retoma o clamor de Jesus para o Pai: “Que venha o teu reino”.

 

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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