
A vinda de Jesus ao mundo provoca uma escolha: quem escolhe as trevas enfrenta um julgamento de condenação, quem escolhe a luz terá um julgamento de salvação.
O julgamento é sempre a consequência da livre escolha de cada um: quem pratica o mal procura as trevas, o mal esconde-se sempre, cobre-se.
Quem faz a verdade, isto é, pratica o bem, vem à luz, ilumina os caminhos da vida.
A luz leva-nos a praticar boas obras.
É isto que somos chamados a fazer com maior empenho durante a Quaresma: acolher a luz na nossa consciência, para abrir os nossos corações ao amor infinito de Deus, à sua misericórdia cheia de ternura e bondade, ao seu perdão.
Não vos esqueçais que Deus perdoa sempre, se pedirmos humildemente perdão. É suficiente pedir perdão, e Ele perdoa.
Papa Francisco, 2021
Da rotina à conversão
P. Alberto Neto, Revista Alleluia, 1969

Não sei se já repararam que a nossa religião pode por vezes impedir-nos de sermos religiosos. Nós acreditamos há tanto tempo que já não acreditamos. Nós rezamos há tantos anos que já não rezamos. Nós esperamos há tanto tempo que parece que perdemos a esperança.
«A luz brilhou nas trevas mas os homens amaram mais as trevas do que a Luz. Deus veio ao que era Seu e os seus não O receberam». A nossa fé, ou a nossa chamada fé, torna-nos por vezes satisfeitos, habituados, instalados e intolerantes, dogmáticos, homens cheios de soluções para tudo e para todos.
Temos de ser integralmente honestos.
Ou fazemos da nossa fé não um direito adquirido por família ou recebido de outrem mas uma loucura, uma descoberta, um dinamismo renovado… Ou fazemos nova a fé dos nossos pais e dos nossos avós, tornando-a muito pessoal, ou então cairemos na condição do povo judeu que confundiu fé com certezas.
Fé não são certezas. Fé também são dúvidas. Faz parte do ato da fé a dúvida.
Fé não são ritos nem gestos nem fórmulas.
Por isso Deus disse no Antigo Testamento dos judeus: «Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração anda longe de mim».
O povo judeu é um exemplo para nós que somos a continuidade desses povo. Não tinha o povo judeu excelentes estruturas religiosas? Não havia na Judeia numerosos grupos de prática religiosa quase fanática? Não tinham eles a verdadeira religião? Cristo até disse que não a vinha destruir mas completá-la! Não tinham eles livros inspirados, dos quais disse Cristo que nem um jota nem um til deixariam de ser cumpridos? Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oseias…
E no entanto diz-nos São João que apesar das estruturas, apesar da religião verdadeira, apesar de livros inspirados, apesar de profetas, Jesus veio ao que era seu e os seus não O reconheceram.
É que as estruturas dos judeus, como muitas vezes as nossas estruturas cristãs, não estimulam, não alertam, não orientam para uma procura, mas ritualizam, criam rotina, destilam instalação, adormecem as pessoas.
É uma questão vital. É perigoso pôr este problema. É duro pôr este problema.
Os hábitos religiosos podem ser a maior barreira para uma autêntica religião.
Há quanto tempo não param? Há quanto tempo não pararam e não perguntaram por que é que vão à missa do domingo?
Há quanto não duvidam do que fazer, até para ter fé?
Não reflitam apenas quando são atacados.
Reflitam com calma.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
