Folha Informativa 06-04-2025

Domingo V da Quaresma (PDF)

Nicolas Poussin, Jesus e a mulher adúltera

Não há relação alguma entre culpa e desgraça, entre pecado e doença. A mão de Deus não semeia morte, não desperdiça o seu poder em castigos.

“Mas se não vos converterdes, perecereis todos”. É toda uma sociedade que se deve salvar. Não serve fazer a conta dos bons e dos maus, é preciso reconhecer que é todo um mundo que não avança se a convivência não se edificar sobre outro fundamento, e não a desonestidade elevada a sistema, a violência do mais forte, a prepotência do mais rico.

Se há milhões de pobres sem dignidade nem instrução, será todo o mundo a ser privado do seu contributo, da sua inteligência; se a natureza está em sofrimento, sofre e morre também o homem.
Sobre todos desce o apelo caloroso e total de Jesus: amai-vos, de outra forma destruir-vos-eis. O Evangelho está todo aqui. Sem isto não haverá futuro.

A seriedade destas palavras tem como contraponto a confiança no futuro na parábola da figueira
Ermes Ronchi, 2024

A restituição da esperança

Papa Francisco, 2022

Brueghel, Jesus e a mulher adúltera

Na mulher adúltera, a sua situação parece irremediável, mas aos seus olhos abre-se um horizonte novo, antes inconcebível. Coberta de insultos, pronta a receber palavras implacáveis e severos castigos, com maravilha sua vê-se absolvida por Deus, que lhe abre de par em par um futuro inesperado: «Ninguém te condenou? – diz-lhe Jesus – Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (8, 10.11).

Que diferença entre o Mestre e os acusadores! Estes citaram a Escritura para condenar; Jesus, Palavra de Deus em pessoa, reabilita completamente a mulher, restituindo-lhe a esperança. Deste caso, aprendemos que qualquer advertência, se não for movida pela caridade e não contiver caridade, afunda ainda mais quem a recebe. Deus, pelo contrário, deixa sempre aberta uma possibilidade e sabe encontrar sempre caminhos de libertação e salvação.

A vida daquela mulher muda graças ao perdão. Encontraram-se a Misericórdia e a miséria. Estão ali Misericórdia e miséria. E a mulher muda. Apetece-me pensar que, perdoada por Jesus, ela por sua vez aprendeu a perdoar. Talvez passasse a ver os seus acusadores, já não como pessoas rígidas e perversas, mas como aqueles que lhe permitiram encontrar Jesus.

O Senhor quer que também nós, seus discípulos, nós como Igreja, perdoados por Ele, nos tornemos testemunhas incansáveis de reconciliação: testemunhas dum Deus para o Qual não existe a palavra «irrecuperável»; dum Deus que sempre perdoa, sempre. Deus perdoa sempre. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão. Um Deus que continua a crer em nós e todas as vezes dá a possibilidade de recomeçar. Não há pecado ou fracasso que, levados a Ele, não possam tornar-se ocasião para começar uma vida nova, diferente, sob o signo da misericórdia. Não há pecado que não se possa superar por esta estrada. Deus perdoa tudo. Tudo.

Assim é o Senhor Jesus; sabe-o bem quem fez experiência do seu perdão; quem, como a mulher do Evangelho, descobre que Deus nos visita através das nossas chagas interiores: é sobretudo nestas que o Senhor prefere fazer-Se presente, pois não veio para os sãos, mas para os doentes (cf. Mt 9, 12).

E hoje esta mulher, que conheceu a misericórdia na sua miséria e volta curada pelo perdão de Jesus, sugere-nos, como Igreja, que principiemos de novo a frequentar a escola do Evangelho, a escola do Deus da esperança que sempre nos surpreende.

Se O imitarmos, não seremos levados a concentrar-nos na denúncia dos pecados, mas a sair amorosamente à procura dos pecadores. Não ficaremos a contar os presentes, mas iremos em busca dos ausentes. Não voltaremos a apontar o dedo, mas começaremos a pôr-nos à escuta. Não descartaremos os desprezados, mas olharemos como primeiros aqueles que são considerados últimos. Isto, irmãos e irmãs, é o que Jesus nos ensina hoje com o exemplo. Deixemo-nos surpreender por Ele e acolhamos com alegria a sua novidade.

 

Voltarmo-nos para Deus!

A Quaresma são 40 dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.
Quando João Batista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!». Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de nos voltar para Deus, para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal e o seu perdão constante permite-nos renovar a vida interior. É a uma conversão que somos chamados:
não a voltarmo-nos para nós próprios, numa instrospeção ou num perfecionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e, também, uma comunhão com os outros.
Voltarmo-nos para Deus!

É verdade que, no mundo ocidental, tornou-se mais árduo, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Vêem a existência de Deus como um limite à sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconcebível que Deus as acompanhe.

Como renovar uma vida interior, descobrindo e redescobrindo sempre de novo a relação pessoal com Deus? Há em todos nós uma sede de infinito.

Deus criou-nos com este desejo de absoluto. Deixemos viver em nós esta aspiração!
Durante a Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para provocar má consciência àqueles que não o fazem, mas como o propósito de sermos solidários com os mais desamparados.
O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo de tudo na beleza simples da criação.

Ir. Alois, Prior da comunidade ecuménica de Taizé

 

Peregrinação à Igreja Jubilar de Lisboa

No próximo dia 12 de abril, sábado, às 11h, vamos peregrinar à igreja jubilar da cidade de Lisboa, a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Avenida de Berna.
Inscreva-se aqui ou na folha para inscrições que encontra na entrada da igreja de São Francisco Xavier.
O ponto de encontro é a entrada da igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, às 10h45. Às 11h, em conjunto, iremos seguir o Itinerário do Peregrino.
Junte-se a nós e seja um peregrino de esperança.

 

4ª de São Francisco Xavier – Encontro dedicado à Encíclica papal

A Encíclica papal sobre o Sagrado Coração de Jesus é o tema dos próximos dois encontros ‘4ª de São Francisco Xavier’.
O primeiro encontro acontece já no próximo dia 9 de abril, às 21h30, na Igreja Paroquial. O segundo está marcado para o dia 7 de maio, à mesma hora.
‘Dilexit nos’ é a quarta Encíclica do Papa Francisco, e percorre a tradição e a atualidade do pensamento “sobre o amor humano e divino do coração de Jesus Cristo”. Este encontro será orientado pelo Cónego José Manuel Santos Ferreira, Prior da Paróquia de São Francisco Xavier.
Esperamos por si.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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