Folha Informativa 02-06-2024

IX Domingo do Tempo Comum (PDF)

Vincent van Gogh, Seara de trigo

Jesus critica os fariseus, que estavam tão apegados à lei, que tinham esquecido a justiça.

Este caminho de viver apegados à lei distanciava-os do amor e da justiça. Atendiam à lei, transcuravam a justiça. Atendiam à lei, transcuravam o amor.

Esta estrada do amor à justiça conduz a Deus. Ao contrário, o outro caminho, de se ser apegado apenas à lei, à letra da lei, conduz ao fechamento, conduz ao egoísmo.

Por seu lado, o caminho que vai do amor ao conhecimento e ao discernimento, ao pleno cumprimento, conduz à santidade, à salvação, ao encontro com Jesus.

A proximidade é precisamente a prova que nós andamos pelo verdadeiro caminho. Porque é precisamente o caminho que escolheu Deus para nos salvar. Aproximou-Se de nós, fez-Se homem.

A carne de Jesus é a ponte que nos aproxima de Deus – não é a letra da lei, não. Na carne de Cristo, a lei tem o pleno cumprimento.

Papa Francisco, 2014

Amar é preciso

Ermes Ronchi, 2020

Battista da Vicenza, Cristo na cruz entre a Virgem e São João

O grande mandamento, «amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente», resume-se num verbo: amarás. Um verbo no futuro, a indicar uma ação nunca concluída, que durará tanto quanto o tempo.

Amar não é um dever, mas uma necessidade para viver. E viver sempre. Com estas palavras podemos lançar um olhar sobre a fé última de Jesus:
Ele crê no amor, confia no amor, funda o mundo sobre ele. «Toda a lei é precedida por um “és amado” e seguida por “amarás”. “És amado” é a fundação da lei; “amarás”, o seu cumprimento. Quem afasta a lei deste fundamento amará o contrário da vida» (Paul Beauchamp). Amará a morte.

Que devo fazer para ser verdadeiramente vivo? Amarás. Com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente (cf. Mateus 22,34-40, Evangelho do próximo domingo).

Apelo à totalidade, para nós inalcançável. Só Deus ama com todo o coração, Ele que é o próprio amor.

À pergunta sobre qual é o grande mandamento, Jesus responde oferecendo três objetos de amor: Deus, o próximo e tu próprio. O amor não vigia só nas fronteiras do eterno, mas protege também o umbral de uma civilização do amor; nela, repleta de criaturas, está o discípulo.

O segundo é semelhante ao primeiro. Amar o ser humano é semelhante a amar Deus. O próximo é semelhante a Deus. O próximo tem rosto e voz, necessidade de amar e de ser amado, semelhantes às de Deus.

Terceiro objeto do amor: ama-o como a ti mesmo. Ama-te como prodígio da mão de Deus, vida da sua Vida, moeda de ouro cunhada por Ele. Ama para ti liberdade e justiça, dignidade e uma carícia, isto amarás também para o teu próximo.

Prodigiosa contração de toda a lei: o que desejas para ti, fá-lo também aos outros. Porque se não amas a beleza da tua vida, não serás capaz de amar ninguém, só saberás prender e acumular, fugir ou violar, sem alegria nem espanto, sem beleza do viver.

E para não nos perdermos no romantismo, a Bíblia faz-se concreta e provocadora: amarás a tríade sagrada: a viúva, o órfão e o estrangeiro, o que chegou por último, o desolado, o frágil. E se emprestas dinheiro, não exigirás juro. E ao pôr-do-sol restituirás o manto ao pobre: é a sua pele, a sua vida. Fora disto, construiremos e amaremos o contrário da vida.

 

Igreja, lugar de comunhão

Papa Francisco, 26 de setembro de 2021

As palavras de Jesus revelam […] uma tentação e oferecem uma exortação. A tentação é o fechamento. Os discípulos desejavam impedir uma obra de bem só porque a pessoa que a realizava não pertencia ao seu grupo. Eles pensam que têm “direitos exclusivos sobre Jesus” e que são os únicos autorizados a trabalhar pelo Reino de Deus. Mas deste modo acabam por se sentir prediletos e consideram os outros como estranhos, a ponto de se tornarem hostis para com eles. […]

Cada fechamento afasta quantos não pensam como nós. E isto é a raiz de tantos males da história: a partir do absolutismo que muitas vezes gerou ditaduras e de tantas violências para com aqueles que são diferentes.

Mas também devemos vigiar sobre o fechamento na Igreja. Porque o diabo – é isso que a palavra “diabo” significa – insinua sempre suspeitas para dividir e excluir pessoas.

Por vezes também nós, em vez de sermos comunidades humildes e abertas, podemos dar a impressão de sermos “os melhores da classe” e manter os outros à distância; em vez de procurarmos caminhar com todos, podemos exibir a nossa “carteira de crentes”: “sou crente”, “sou católico”, “pertenço a esta associação, àquela outra…”; e os outros, pobrezinhos, não. Isto é um pecado.

Peçamos a graça de superar a tentação de julgar e de catalogar, e que Deus nos preserve da mentalidade do “ninho”, a de nos preservarmos ciosamente no pequeno grupo daqueles que se consideram bons: o sacerdote com os seus fidelíssimos, os agentes pastorais fechados entre si para que ninguém se infiltre, os movimentos e as associações no próprio carisma particular, e assim por diante. Fechados. Tudo isto corre o risco de tornar as comunidades cristãs lugares de separação e não de comunhão.

O Espírito Santo quer abertura, comunidades acolhedoras onde haja lugar para todos. Em vez de julgarmos tudo e todos, prestemos atenção a nós mesmos!

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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