Quem nunca se comoveu ao ver as crianças a brincar, recordando-se da sua própria infância e da graça que é poder estar a brincar com os amigos.
As crianças a brincar são sinal de alegria, mas mais do que tudo são um sinal de paz. As crianças só podem brincar num ambiente de paz e de confiança. Olhar as crianças no meio da guerra, cheias de medo, feridas, assustadas, é algo tão terrível que só de o enunciar se cria em nós um sentimento de horror.
Mas mesmo no meio das guerras, entre aquelas que assistimos no mundo até aquelas que se disputam dentro das nossas casas, as crianças são admiráveis por necessitar apenas da proximidade do pai e da mãe, para poderem no meio da guerra, voltar a brincar. Os pais e o seu ambiente familiar são essenciais para que possam estar em paz, mesmo que o mundo venha a desabar.
Ser criança, ser filho, é viver na dependência de um outro, dos pais, mas para nós que já crescemos, tornou-se evidente que existe um Outro do qual somos inteiramente dependentes, que nos dá a possibilidade, mesmo no meio das tribulações, de continuar a viver em paz.
Jesus indicou o caminho, “quem não for como uma criança”, não pode entrar no reino dos céus. Por isso, como crianças, que sempre seremos não só para os nossos pais, mas também para o próprio Deus, procuremos permanecer com Ele no meio das dificuldades, permitindo a Jesus ser a única fonte da nossa paz, como o era no presépio de Belém.
Padre Miguel
