Folha Informativa 30-03-2025

Domingo IV da Quaresma (PDF)

Rembrandt, Regresso do filho pródigo

Dentro de nós não há apenas coisas belas, harmoniosas, resolvidas. Dentro de nós há sentimentos sufocados, muitas coisas a aclarar, patologias, inúmeros fios a ligar. Há regiões de sofrimento, questões a reconciliar, memórias e cesuras para deixar a Deus para que as cure.

O tempo atual é dominado por um desejo à deriva favorável ao surgimento de filhos pródigos, através de atitudes como o arbítrio fácil, o capricho, o hedonismo.

Estes modos de estar desenvolvem-se num vórtice enganador ditado pela sociedade dos consumos, que promete satisfazer tudo e todos ao identificar a felicidade com a saciedade. Estamos assim cheios, plenos, satisfeitos, domesticados. Mas esta saciedade que se obtém com os consumos é a prisão do desejo.

Cardeal Tolentino de Mendonça, 2018

Três experiências atuais

Papa Francisco, 2013

Esteban Murillo, Regresso do filho pródigo

Na parábola do Filho pródigo, Jesus põe em evidência três tipos de experiências, que sempre são atuais:

• a primeira é a da”autonomia”, isto é, aquela vontade de pensar e de agir como parece e agrada, sem obedecer a nenhuma autoridade, nem mesmo àquela da própria consciência esclarecida e formada. É isto que o Filho pródigo quer fazer: deseja os bens que lhe competem, quer sair de casa, para seguir as suas paixões. Mas aonde o leva está atitude? À solidão e à amargura!

Não vos deixeis seduzir nem ser arrastados pela tentação da autonomia intelectual e moral!
O Senhor deu ao homem a inteligência para que O conhecesse, O amasse e O servisse e a vontade para colocar em prática a lei moral: nisto está a verdadeira felicidade! Estudai a fundo a Doutrina cristã para chegardes a firmes e estáveis convicções; revigorai a vossa vontade com os meios da “graça”, isto é, a oração e os Sacramentos, e da ascética, para moldar o caráter e para vos preparardes para a luta contra o mal!

• a segunda é a das “saudades” é do “arrependimento”. O Filho pródigo a um certo momento entra em si mesmo, compreende ter errado: abandonou a casa, o pai, a alegria dos verdadeiros afetos e da sincera amizade, a paz da consciência pura e inocente; sente saudades disto e arrepende-se; tem a coragem de reconhecer o erro; sabe que deve converter-se e descobre de novo a confiança no seu Pai, ainda que não mereça mais ser chamado filho: “Levantar-me-ei e irei ter com o meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu e contra ti”.

Com esta cena, Jesus quer ensinar-nos que, se alguém por infelicidade, vier até mesmo a trair a verdade e a inocência, fugindo da casa do Pai, não deve nunca dispensar o amor de Deus, deve arrepender-se imediatamente e converter-se. Deus quer a salvação e a felicidade de todos os homens!

William Etrty, Regresso do filho pródigo

• a terceira experiência é a da “misericórdia” é do “perdão”.
Ainda estava longe quando o pai o viu e enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos… E disse aos seus servos: Trazei depressa a mais bela túnica e vesti-lha; ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e encontrou-se”.

Com estas expressões, Jesus indica o imenso amor de Deus “rico em misericórdia”, para com as suas criaturas; e estimula-nos à intimidade, à confiança, ao abandono, ao amor misericordioso do Pai, que quer a resposta do nosso amor, expresso também com o arrependimento e a conversão.

Não o esqueçais, nunca e ao aproximar-se a Páscoa, sede também vós as testemunhas e os apóstolos da misericórdia de Deus nos vossos ambientes, nas vossas famílias e paróquias.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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