Última edição da Folha Informativa antes de férias 29-06-2025

Domingo XIII do Tempo Comum (PDF)

Aprender do Coração de Jesus a compaixão pelo mundo

Mensagem de férias do  Cón. José Manuel dos Santos Ferreira, Pároco de São Francisco Xavier

Está a terminar o mês de junho, o mês do Coração de Jesus, em que o Papa Leão XIV nos convidou a rezar “para que cada um de nós encontre consolo na relação pessoal com Jesus e aprenda do seu Coração a compaixão pelo mundo”.

Aqui está um belo programa, que vos convido a desenvolver e a aprofundar também nos próximos meses, mesmo em tempo de férias e em ambientes muito diferentes daqueles em que passamos o resto do ano.

Leão XIV propõe que “peçamos a Jesus Cristo que nos ajude a conhecê-Lo melhor, a estar com Ele, a aprender do seu amor; transformando-nos, de modo que Ele seja a nossa meta em cada circunstância da vida diária; e nos envie numa missão de compaixão levando a sua consolação ao mundo”.

Como é que o vamos fazer em férias?

A resposta depende de cada um. Mas esta forma de viver não é uma utopia, está ao alcance de todos!

Neste mês que agora termina tivemos mais uma vez o nosso Arraial. Voltou a ser um momento fantástico. Desta vez aconteceu só numa noite, completada pela tarde do domingo seguinte. Foi um trabalho gigantesco, para tão pouco tempo.

Sinto que falo em nome de toda a paróquia, ao manifestar a imensa gratidão de todos pelo esforço que representou para a equipa e para cada um dos seus elementos a preparação, montagem e realização do Arraial.

Muitas pessoas vêm, divertem-se, comem, bebem, convivem, saem contentes, mas não avaliam o que está na base de um acontecimento que procura ter, e de facto tem, a marca da excelência.
E o que está na base é um grande amor por Deus, pela Igreja, pela paróquia, e uma grande vontade de cada um dar o seu melhor, em benefício de todos.

E eu só posso pedir a Deus que recompense com muitas graças todo este amor e dedicação.

Aproveito para informar que o rendimento líquido do Arraial foi de cerca de 13.000€, o que nos permitirá estar mais tranquilos no próximo mês no que se refere à amortização da dívida bancária da Paróquia.

Mas nos meses seguintes o problema regressa…

Entretanto, o Mercadinho tem sido também uma enorme ajuda, além de constituir um espaço muito agradável de convívio para muitos paroquianos e outras pessoas que por lá passam, e ficam tocadas pelo ambiente e pelo cuidado que se reflete em cada pormenor.

E tenho o gosto de informar que, até meados de junho, o valor recebido foi de 15.335€, o que é, sem dúvida, um contributo muito importante para a satisfação dos nossos compromissos.

Peço a Deus que todos tenham férias repousantes, e voltem com a vontade de avançar para a meta e de abraçar com mais força a missão de levar ao mundo a consolação de Deus.

Cónego José Manuel dos Santos Ferreira

 

A escolha certa

P. Leão XIV, 11 de junho de 2025

 

Bernard Strigel, Lava-pés

Que queres que Eu te faça?».
Não é óbvio que queiramos ser curados das nossas doenças, às vezes preferimos ficar parados para não assumir responsabilidades.
A resposta (do cego) Bartimeu é profunda: utiliza o verbo que pode significar “ver de novo” ou “elevar o olhar”. Com efeito, Bartimeu não só quer voltar a ver, mas também quer recuperar a sua dignidade!
Para elevar o olhar, é preciso levantar a cabeça.
Às vezes, as pessoas estão bloqueadas porque a vida as humilhou e só desejam reencontrar o seu valor.
O que salva Bartimeu, e cada um de nós, é a fé.
Jesus cura-nos para podermos ser livres; não convida Bartimeu a segui-l’O, mas diz-lhe que ande, que se ponha novamente a caminho.
Bartimeu começou a seguir Jesus: escolheu livremente seguir aquele que é o Caminho!

 

Para voar alto

Rodolfo Valdés

Luca Signorelli, Jesus e os Apóstolos

Jesus faz ver a Pedro que há algo nas suas palavras que vai além de qualquer conclusão meramente humana: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus».
Talvez o próprio Pedro não abrangesse todo o alcance da sua confissão de fé. Em todo o caso, naquele momento foi capaz de ver para além “da carne e do sangue” e torna-se nada menos que a rocha sobre a qual seria edificada a Igreja de Cristo.

Pedro parece voar muitíssimo alto e, no entanto, pouco depois desmorona-se. Jesus explica que a sua missão messiânica envolve precisamente humilhação e morte, e Pedro simplesmente não compreende.
Além disso, com uma certa ingenuidade e arrogância, começa a repreender Jesus.
Pretende confinar a grandeza de Cristo dentro dos seus conceitos humanos.
E é então que recebe aquela dura chamada de atenção: «Vai-te daqui, Satanás».

Quando Pedro é movido por uma visão meramente humana, cai e converte-se num motivo de escândalo. Pelo contrário, quando se deixa mover pela graça, ele é capaz de se elevar e ter um conhecimento profundo de Deus.

O que aconteceu a Pedro também nos pode acontecer a nós. Por vezes parece que vemos tudo claramente, que todas as peças da nossa vida cristã se encaixam perfeitamente, e que somos até capazes de dar luz aos outros. São momentos para nos enchermos de gratidão pelas luzes que Deus nos dá.
Mas se nos descuidarmos, se começarmos a ter demasiada confiança nas nossas ideias e opiniões, podemos entrar em colapso.
E depois começamos a raciocinar sob uma perspetiva meramente humana.
Não compreendemos os planos de Deus, e com as nossas queixas parece que estamos a tentar corrigir o Senhor, como fez Pedro.

 

Descansar? Impossível!

Umberto Folena, In Avvenire, 2019

«Só no céu há descanso.». Quantas vezes ouvimos uma expressão semelhante?
Por vezes concedemo-nos um pouco de repouso e usufrui-se dessa concessão, com o descaramento de não experimentar sentimentos de culpa nem de inferioridade. Por vezes, quem repousa é atravessado pela dúvida de que o seu descanso está a intrometer-se na causa da empresa, da ideia, da fé. É aquela que mesmo em plácidos reformados permanece, com tenacidade inesgotável, a síndrome do domingo à noite: fiz todos os deveres? Será que me concedi uma pausa demasiado prolongada? Amanhã serei interrogado e castigado?

Para alguns, o repouso é um mal. É preguiça, indolência, ociosidade. Há os viciados em trabalho imolados no altar de uma ideia que não concede repouso, ou capturados pelo emaranhado de tentáculos da empresa onde há sempre alguma coisa a fazer. Há também certos católicos que no punirem-se a si próprios extraem inefável gozo. Estes não podem nem devem deter-se. Falam de «repouso ativo», como se houvesse um «repouso passivo».

Quem recusa toda a forma de repouso arruína a vida a si próprio, mas arrisca-se a arruinar também a dos outros, porque a tentação de se assumir como exemplo de perfeita virtude do vício do trabalho é demasiado forte. Para ele, o repouso é o oposto da produção, e a produção é um bem supremo.
A todos é necessário recordar constantemente Santo Ambrósio: “Se desejas fazer tudo por bem, de vez em quando para de o fazer”.

Já notaram que os detratores do repouso têm pouca ou nenhuma fantasia? O descanso gera ideias originais, não a atividade frenética. Para melhor poder pensar, é preciso parar, e então o repouso será criativo.
«Então Deus, no sétimo dia levou a termo o trabalho que tinha feito, e cessou no sétimo dia todo o seu trabalho». Será que no sétimo dia Deus trabalhou ainda um pouquinho, porque «levou a termo» aquilo que não tinha concluído? Ou – como seria belo que assim fosse – no sétimo dia prosseguiu a obra da criação criando o repouso? Então o repouso é coisa boa? Antes ainda de se ser defunto?

Deus abençoa e consagra a criação. Portanto, não é apenas a produção – dos céus e mares e montes e plantas e animais de toda a espécie – que pertence à criação, mas também atividades imateriais como cantar a criação, e até, digamo-lo baixinho, consagrá-la. Deter-se a observar aquilo que está fora e dentro de nós, colocarmo-nos perguntas e, se possível, darmo-nos respostas, sobretudo escutar aquilo que quando trabalhamos não podemos escutar: os outros e as suas obras, os outros e as suas criações.
Para quem ainda tem dúvidas e se sente um preguiçoso, valem estas sábias palavras escritas há sete anos por Ermes Ronchi: o repouso é «um saudável ato de humildade, na consciência de que não somos nós a salvar o mundo, que as nossas vidas são delicadas e frágeis, as energias limitadas».
Sê humilde, repousa!

 

A pergunta mais profunda

Ermes Ronchi, 2015

Ghirlandaio_Domenico, Chamamento dos Apóstolos

Jesus interroga os seus, quase uma sondagem de opinião: quem diz o povo que Eu sou? E a opinião das pessoas é bela e incompleta: dizem que és um profeta, um dos grandes!
Mas Jesus não é simplesmente um profeta do passado que regressa, ainda que o maior de todos.
É preciso continuar a procurar: e vós, quem dizeis que Eu sou?
Não pede uma definição abstrata, mas o envolvimento pessoal de cada um: «E vós…».
Como se dissesse: não quero coisas que tenham ouvido dizer, mas uma experiência de vida; o que é que te aconteceu quando me encontraste?
E aqui cada um é chamado a dar a sua resposta. Cada um deve fechar todos os livros e catecismos, e abrir a vida.

Jesus ensinava com as perguntas, com elas educava para a fé, desde as suas primeiras palavras: que procurais?
As perguntas, palavras tão humanas, que abrem caminhos e não encerram em espaços fechados, palavras de crianças, talvez as nossas primeiras palavras, são a boca sequiosa e esfomeada através da qual as nossas vidas exprimem desejos, respiram, comem, beijam.

E vós, quem dizeis que Eu sou? Jesus estimulava a mente das pessoas para as impelir a caminhar dentro de si e a transformar a sua vida. Era um mestre da existência e queria que os seus fossem pensadores e poetas da vida.
Pedro responde: Tu és o Cristo. E aqui é o ponto de reviravolta da narrativa: ordena-lhes que não falem dele a ninguém. Porque ainda não viram o definitivo. Com efeito: começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de sofrer muito, ser morto e, três dias depois, ressuscitar.

Quereis saber verdadeiramente alguma coisa de mim e de vós? Dou-vos um encontro: um homem na cruz. Antes, ainda, o encontro de Cristo será outro: alguém que se inclina a lavar os pés aos seus.
Quem é Cristo? O meu “lava-pés”. De joelhos, à minha frente. As suas mãos nos meus pés. Verdadeiramente, como Pedro, dizemos: um messias não pode fazer assim. E Ele: sou como o escravo que te espera e te lava os pés quando regressas. Tem razão Paulo: o cristianismo é escândalo e loucura.

Agora percebemos quem é Jesus: é beijo a quem o trai; não despreza ninguém, despreza-se a si mesmo; não derrama o sangue de ninguém, derrama o próprio sangue. E depois, o encontro da Páscoa. Quando nos captura a todos dentro da sua ressurreição, arrastando-nos para o alto.

Tu, que dizes de mim? Também eu faço a minha profissão de fé, com as palavras mais belas que tenho: Tu és o melhor da minha vida. És para mim o que a primavera é para as flores, o que o vento é para a borrasca. Vieste e fizeste resplandecer a vida. Impossível amar-te e não tentar assemelhar-te, em ti mudado/ como semente em flor (G. Centore).

 

 

 

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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