
Na cruz, Jesus diz uma frase, uma apenas: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?».
É uma frase impressionante.
Jesus sofrera o abandono dos seus, que fugiram. Restava-Lhe, porém, o Pai.
Agora, no abismo da solidão, pela primeira vez designa-O pelo nome genérico de «Deus». E clama, «com voz forte», o «por quê»? […] Por quê tudo isto? Uma vez mais… por nós, para servir-nos.
Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que nem Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total,
a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário conosco.
Papa Francisco, Homilia no Domingo de Ramos, 2020
Domingo de Ramos, pórtico da Semana Santa
Família Cristã

Com o Domingo de Ramos, com que se recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém para ir ao encontro da morte, começa a Semana Santa.
A narração da entrada de Cristo em Jerusalém está presente nos quatro Evangelhos, mas com variações: Mateus e Marcos descrevem que a população agitava ramos de árvores ou folhas extraídas dos campos, Lucas não lhes faz qualquer menção, e só João fala de ramos de palmeiras.
O episódio evoca a celebração da festividade judaica de Sukkot, a festa dos Tabernáculos/Cabanas, por ocasião da qual os fiéis chegavam em massa em peregrinação a Jerusalém e subiam ao tempo em procissão. Cada um levava na mão e agitava o “lulav”, um pequeno ramalhete composto por ramos de três árvores, a palmeira, símbolo da fé, o mirto, símbolo da oração que se ergue ao céu, e o salgueiro, cuja forma das folhas evoca a boca fechada dos fiéis, em silêncio diante de Deus. Muitas vezes, agarrado ao centro, havia uma espécie de cedro, o “etrog” (o bom fruto que Israel unido representava para o mundo).
O caminho era ritmado pelas invocações de salvação (Hossana), que com o tempo se torna uma celebração coral da libertação do Egito: após a passagem pelo mar Vermelho, o povo viveu durante quarenta anos, no deserto, em tendas, nas cabanas. De acordo com a tradição, o Messias esperado manifestar-Se-ia durante esta festa.
Jesus faz a sua entrada em Jerusalém, sede do poder civil e religioso da Palestina, aclamado como se fazia só com os reis, no dorso de um jumentinho, sinal de humildade e mansidão. Com efeito, a montada dos soberanos, geralmente guerreiros, era o cavalo.
Os Evangelhos narram que Jesus, chegado com os discípulos a Betfagé, enviou dois deles à povoação para trazer uma jumenta presa e um jumentinho; e disse-lhes que se alguém objetasse, deveriam responder que o Senhor precisava deles, mas que rapidamente os devolveria. Os discípulos cumpriram o que lhes foi pedido; na manhã seguinte cobriram-nos com mantos, e Jesus usou-os no seu caminho em direção a Jerusalém.
Na cidade, a multidão, reunida pelas vozes da chegada do Messias, estendeu por terra os mantos, enquanto que outros cortavam ramos das árvores de oliveira e palmeira, e agitando-os honravam Jesus exclamando «hossana ao Filho de David! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!».
A entrada triunfal de Jesus celebrava-se em Jerusalém desde o final do século IV com uma procissão a partir do monte das Oliveiras. O costume passou ao Oriente, à Gália e à Península Ibérica, chegando a Roma por volta do século IX.
Uma das três formas possíveis de assinalar liturgicamente a entrada de Jesus, no Domingo de Ramos, começa a partir de um local fora da igreja; os fiéis congregam-se e o sacerdote abençoa os ramos de oliveira ou de palmeira, que após a leitura de um trecho do Evangelho são distribuídos aos fiéis; a partir daí, dá-se início à procissão para dentro da igreja. A cor vermelha dos paramentos do clero aponta para a morte.
A celebração da missa distingue-se pela longa leitura da Paixão de Jesus (Marcos, Lucas ou Mateus). O texto não é o mesmo que se proclama na Sexta-feira Santa, extraído de S. João.
A narração da Paixão está articulada em quatro partes: a prisão de Jesus; o processo judaico; o processo romano; a condenação, execução, morte e sepultura.
No fim na missa, os fiéis levam para a casa os ramos abençoados, conservados como símbolo de paz.
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