Folha Informativa 29-03-2026

Domingo de Ramos (PDF)

Salvador Dali, Cristo de S. João da Cruz

Na cruz, Jesus diz uma frase, uma apenas: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?».
É uma frase impressionante.

Jesus sofrera o abandono dos seus, que fugiram. Restava-Lhe, porém, o Pai.

Agora, no abismo da solidão, pela primeira vez designa-O pelo nome genérico de «Deus». E clama, «com voz forte», o «por quê»? […] Por quê tudo isto? Uma vez mais… por nós, para servir-nos.

Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que nem Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total,
a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário conosco.

Papa Francisco, Homilia no Domingo de Ramos, 2020

Domingo de Ramos, pórtico da Semana Santa

Família Cristã

Giotto di Bondoni, Os ramos de palma

Com o Domingo de Ramos, com que se recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém para ir ao encontro da morte, começa a Semana Santa.
A narração da entrada de Cristo em Jerusalém está presente nos quatro Evangelhos, mas com variações: Mateus e Marcos descrevem que a população agitava ramos de árvores ou folhas extraídas dos campos, Lucas não lhes faz qualquer menção, e só João fala de ramos de palmeiras.

O episódio evoca a celebração da festividade judaica de Sukkot, a festa dos Tabernáculos/Cabanas, por ocasião da qual os fiéis chegavam em massa em peregrinação a Jerusalém e subiam ao tempo em procissão. Cada um levava na mão e agitava o “lulav”, um pequeno ramalhete composto por ramos de três árvores, a palmeira, símbolo da fé, o mirto, símbolo da oração que se ergue ao céu, e o salgueiro, cuja forma das folhas evoca a boca fechada dos fiéis, em silêncio diante de Deus. Muitas vezes, agarrado ao centro, havia uma espécie de cedro, o “etrog” (o bom fruto que Israel unido representava para o mundo).

O caminho era ritmado pelas invocações de salvação (Hossana), que com o tempo se torna uma celebração coral da libertação do Egito: após a passagem pelo mar Vermelho, o povo viveu durante quarenta anos, no deserto, em tendas, nas cabanas. De acordo com a tradição, o Messias esperado manifestar-Se-ia durante esta festa.
Jesus faz a sua entrada em Jerusalém, sede do poder civil e religioso da Palestina, aclamado como se fazia só com os reis, no dorso de um jumentinho, sinal de humildade e mansidão. Com efeito, a montada dos soberanos, geralmente guerreiros, era o cavalo.

Os Evangelhos narram que Jesus, chegado com os discípulos a Betfagé, enviou dois deles à povoação para trazer uma jumenta presa e um jumentinho; e disse-lhes que se alguém objetasse, deveriam responder que o Senhor precisava deles, mas que rapidamente os devolveria. Os discípulos cumpriram o que lhes foi pedido; na manhã seguinte cobriram-nos com mantos, e Jesus usou-os no seu caminho em direção a Jerusalém.

Na cidade, a multidão, reunida pelas vozes da chegada do Messias, estendeu por terra os mantos, enquanto que outros cortavam ramos das árvores de oliveira e palmeira, e agitando-os honravam Jesus exclamando «hossana ao Filho de David! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!».

A entrada triunfal de Jesus celebrava-se em Jerusalém desde o final do século IV com uma procissão a partir do monte das Oliveiras. O costume passou ao Oriente, à Gália e à Península Ibérica, chegando a Roma por volta do século IX.
Uma das três formas possíveis de assinalar liturgicamente a entrada de Jesus, no Domingo de Ramos, começa a partir de um local fora da igreja; os fiéis congregam-se e o sacerdote abençoa os ramos de oliveira ou de palmeira, que após a leitura de um trecho do Evangelho são distribuídos aos fiéis; a partir daí, dá-se início à procissão para dentro da igreja. A cor vermelha dos paramentos do clero aponta para a morte.

A celebração da missa distingue-se pela longa leitura da Paixão de Jesus (Marcos, Lucas ou Mateus). O texto não é o mesmo que se proclama na Sexta-feira Santa, extraído de S. João.
A narração da Paixão está articulada em quatro partes: a prisão de Jesus; o processo judaico; o processo romano; a condenação, execução, morte e sepultura.

No fim na missa, os fiéis levam para a casa os ramos abençoados, conservados como símbolo de paz.

 

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