Folha Informativa 26-04-2026

Domingo IV da Páscoa (PDF)

Todo o cristão é uma consequência de Cristo e não há oração cristã que não reclame uma origem e uma chave cristológica fundamentais.
É porque Jesus nos carregou nos seus ombros de Bom Pastor, correu ao nosso encontro, não desistiu de nos reencontrar…
É porque Jesus Se pregou no corpo da nossa ignorância e da nossa fragilidade…
É porque Jesus suportou sobre Si o peso dos nossos pesos… que nos revelou quem éramos.
Na nossa fragilidade não teríamos força, nem sabedoria para dizer que Deus é nosso Pai. É exatamente por que Jesus Se amarrou a nós, que podemos rezar “Pai nosso”. E por isso o “Pai nosso” é também o contrário da solidão. É Jesus quem nos faz descobrir, em todo o tempo, o mistério do amor de Deus.

Se, por vezes, ao rezar o “Pai nosso” a nossa voz é débil, o nosso ânimo titubeante, e a nossa prece é um sofrido murmúrio, acreditar que Ele está connosco dá-nos a força necessária.
José Tolentino Mendonça

As minhas ovelhas ouvem a minha voz

Papa Leão XIV, Primeiro discurso, 11 maio 2025

Henry Ossawa Tanner, O Bom Pastor

O Evangelho que ouvimos, neste domingo do Bom Pastor, diz: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz, conheço-as e elas seguem-Me».
Penso no Bom Pastor, sobretudo no domingo de hoje, tão significativo no tempo pascal.
Ao celebrarmos o início desta nova missão, do ministério para o qual a Igreja me chamou, não há melhor exemplo do que o próprio Jesus Cristo, a quem confiamos a nossa vida e de quem dependemos.
Jesus Cristo, a quem seguimos, é o Bom Pastor, e é Ele que nos dá a vida: «O caminho, a verdade e a vida».
Por isso, celebramos este dia com alegria e apreciamos muito a vossa presença aqui.

Este domingo é considerado especial por vários motivos: um dos primeiros que mencionaria é o das vocações.
Durante os recentes trabalhos dos Cardeais, antes e depois da eleição do novo Papa, falamos muito das vocações na Igreja e da importância de nos interrogarmos todos juntos.
Antes de mais nada e sobretudo, dando o bom exemplo com a nossa vida, com alegria, vivendo o júbilo do Evangelho, sem desencorajar os outros mas, ao contrário, procurando maneiras de animar os jovens a escutar a voz do Senhor, a segui-la e a servir na Igreja.
«Eu sou o Bom Pastor», diz-nos Jesus.

Agora acrescento também uma palavra em italiano, porque esta missão que cumprimos já não se dirige a uma única diocese, mas a toda a Igreja: este espírito universal é importante!
E encontramo-lo também na primeira Leitura que ouvimos. Paulo e Barnabé vão a Antioquia, dirigem-se primeiro aos judeus, que não querem escutar a voz do Senhor, e assim começam a anunciar o Evangelho ao mundo inteiro, aos pagãos. Como sabemos, partem para esta grande missão. São Paulo vem a Roma, onde acaba por a levar a cabo. Mais um exemplo do testemunho de um bom pastor.
Mas nesse exemplo há também um convite muito especial a todos nós.
Aliás, digo-o de maneira muito pessoal: anunciar o Evangelho ao mundo inteiro!

Coragem! Sem medo!
Tantas vezes Jesus diz no Evangelho: «Não tenhais medo!».
Devemos ser corajosos no testemunho que damos, com a palavra e principalmente com a vida: dando a vida, servindo, às vezes com grandes sacrifícios, para viver precisamente esta missão.

Li uma pequena reflexão que me faz pensar muito, porque aparece também no Evangelho. Neste sentido, alguém perguntou: “Quando pensas na tua vida, como explicas onde chegaste?”. A resposta que dão nesta reflexão é, de certa forma, também a minha: com o verbo “escutar”. Como é importante escutar!
Jesus diz: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz». E penso que é importante que todos nós aprendamos a escutar cada vez mais, a entrar em diálogo.
Em primeiro lugar, com o Senhor: escutar sempre a Palavra de Deus.
Além disso, escutar também os outros: saber construir pontes, saber escutar para não julgar, não fechar as portas, pensando que possuímos toda a verdade e que mais ninguém nos pode dizer nada.
É muito importante ouvir a voz do Senhor, escutar-nos a nós próprios, neste diálogo, e ver para onde o Senhor nos chama.

Caminhemos juntos na Igreja, peçamos ao Senhor que nos conceda esta graça: poder escutar a sua Palavra para servir todo o seu povo!

Papa Francisco. um ano depois

Ponto SJ

Para recentrar a Igreja no Evangelho – o ponto de partida -, o Papa precisou de a pôr em movimento. Convidou a um olhar diferente sobre a realidade, da qual devemos partir se a queremos transformar, nos seus célebres quatro princípios: a realidade é superior à ideia, o todo é superior à parte, a unidade prevalece sobre o conflito, o tempo é superior ao espaço.

Propôs o acolhimento, a escuta e o acompanhamento das histórias concretas. Ao individualismo contrapôs a riqueza do todo, uma perspetiva sem a qual não é possível o bem comum. Sem receio do conflito e convicto do valor da paz, convidou a privilegiar sempre a unidade na diversidade. E, perante o imediatismo do nosso tempo e a obsessão com a conquista de lugares e os posicionamentos, pediu que se iniciassem processos mesmo sem saber aonde conduzirão.

Para transformar profundamente uma Igreja demasiado ocupada de si, da sua estrutura, do seu poder e dos lugares que ocupa ou não na sociedade, o Papa denunciou o clericalismo e a verticalidade em excesso, relembrando que todos os batizados são lugar da presença e revelação de Deus e chamados a construir o seu Reino. Lançou o processo da sinodalidade, não como um processo meramente democrático, mas como um modo a partir do qual se ensaia uma Igreja mais desperta, ativa e colaborativa no anúncio do Evangelho. E propôs à Igreja o discernimento como meio através do qual podemos ler e entender como fala Deus na realidade.

Num contexto existencial exigente, em que o outro é cada vez mais alguém de quem tenho medo ou por quem sinto ódio, o Papa disse: ‘não, vamos sair!’
Deus não quer que fiquemos sentados.
Nem que sentemos ou encaixemos o Evangelho. O Evangelho é verbo.
Ninguém segue Jesus sem que isso lhe peça um movimento interior e exterior.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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