Folha Informativa 23-11-2025

Domingo XXXIV do Tempo Comum (PDF)

O Idiota, Chaim Soutin

Nicolau de Cusa falava duma “ignorância douta”, sinal de inteligência. O protagonista de alguns dos seus escritos é um personagem curioso: o idiota. É uma pessoa simples, sem instrução, e faz perguntas elementares aos doutos, que colocam em crise as suas certezas.

O mesmo acontece na Igreja de hoje. Quantas perguntas colocam em crise o nosso ensinamento! Perguntas dos jovens, dos pobres, das mulheres, perguntas dos silenciados ou condenados por diferirem da maioria. Vivemos num tempo abençoado: quantas perguntas!

A Igreja torna-se especialista em humanidade se caminha com a humanidade e ecoa as suas perguntas no seu coração.

Esperar não é saber. Ainda não temos as respostas para todas as perguntas. Mas temos Jesus. Seguimos Jesus.
E assim esperamos o que ainda não vemos.

Tornamo-nos num povo em que os opostos se compõem em unidade. Entramos como exploradores no novo mundo do Ressuscitado. Jesus vai à nossa frente. Aprendemos, avançando um passo de cada vez. É um caminho não apenas para a Igreja, mas para toda a humanidade.

Um caminho de esperança.

Papa Leão XIV, 25 out 2025

Venha a nós o vosso reino

Cardeal Tolentino de Mendonça

O que podemos dizer do Reino de Deus é que ele é inseparável de Jesus, deste rasgar da história aos pobres e infelizes, deste bálsamo derramado aos corações quebrantados, desta palavra de alento aos que já não esperavam nada. Deste aproximar das vidas concretas à possibilidade da salvação de Deus.

Onde Jesus Cristo chegava, chegava o Reino. Onde Jesus Cristo estava, o Reino de Deus mostrava-se. Quando as pessoas tocavam em Jesus, estavam a tocar no Reino, quando O viam estavam a vê-lo.

Quando escutavam as suas parábolas estavam a escutar a gramática insuspeita do Reino. Que efeitos extraordinários, esta chegada de Jesus provocava em tantas vidas.
Gente que se julgava morta, gente que se acreditava perdida, num emaranhado de existência que não conseguia deslindar… em Jesus Cristo encontrava a possibilidade de uma vida nova. Pensemos em Maria Madalena.

Esta mulher, rejeitada, perdida de si mesma, encontra-se em Jesus Cristo e n’Ele reencontra o desejo de ser. Pensemos na vida dos próprios discípulos, que com certeza já sabiam muitas coisas acerca de Deus, mas que em Jesus Cristo ouvem o que não sabiam. Eles já sabiam andar de barco no mar da Galileia, mas não sabiam andar sobre as ondas; eles já sabiam amontoar e repartir o pão, mas não sabiam multiplicá-lo; não sabiam que o pão também pode saciar uma fome interior, uma fome do coração.
Pensemos nos pecadores, naqueles que eram apontados a dedo e de quem se dizia: “não têm possibilidade de salvação”. Com que surpresa Zaqueu desceu daquela árvore para acolher Jesus em sua casa. Ou Levi, se levantou da seu posto de cobrança para se tornar discípulo do Senhor… Isto é o Reino de Deus presente. Isto é o Reino de Deus atuante, um Reino sem fronteiras, não segundo a lógica dos homens, mas numa torrente do amor divino que vai crescendo, crescendo, como uma maré que quer tocar tudo e todos.

«O Reino de Deus já está presente no meio de vós.»
Está dentro de nós, no meio do mundo, no interior da História como semente… neste momento existem sinais. O Reino de Deus é, no fundo, o resumo de toda a esperança. É aquela realidade de Deus que se entrosa misteriosamente com as esperanças mais íntimas, mais fundas. Porque no Reino de Deus, nós temos a plenitude, temos a concretização do amor de Deus. Basta-nos o Reino de Deus e tudo o resto é acréscimo e relativo…

 

Advento

Agência ACI (Adaptado)

 

O Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e começa quatro domingos antes desta festa. Além disso, marca o início do novo Ano Litúrgico católico e, em 2025, começará no domingo, 30 de novembro (o domingo mais próximo da festa de santo André).
Advento vem do latim “ad-venio”, que quer dizer “vir, chegar”. Dura quatro semanas.

Muitos católicos sabem do Advento, mas talvez as preocupações no trabalho, os testes na escola, os ensaios com o grupo coral ou teatro de Natal, a arrumação do presépio e a compra dos presentes façam com que se esqueçam do verdadeiro sentido deste tempo.
Por isso, é preciso recordar que a principal preparação neste período deve ser interior, na espera da vinda de Jesus.

No tempo do Advento, faz-se um apelo aos cristãos, a fim de que vivam de maneira mais profunda algumas práticas específicas, como: a vigilância na fé, na oração, na busca de reconhecer o Cristo que vem nos acontecimentos e nos irmãos; a conversão, procurando corrigir os próprios caminhos e andar nos caminhos do Senhor, para seguir Jesus em direção ao Reino do Pai; o testemunho da alegria que Jesus traz, através de uma caridade paciente e carinhosa para com os outros; a pobreza interior, de um coração disponível para Deus, como Maria, José, João Batista, Zacarias, Isabel; a alegria, na feliz expectativa do Cristo que vem e na invencível certeza de que Ele não falhará.

Podemos distinguir dois períodos no Tempo do Advento.
No primeiro, que se estende desde o primeiro Domingo do Advento (30 de novembro) até ao dia 14 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico, orientando-nos para a espera da vinda gloriosa de Cristo.
As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: a sua vinda ao fim dos tempos, a sua vinda agora, cada dia, e a sua vinda há dois mil anos.

No segundo período, até 24 de dezembro, inclusive, a liturgia orienta-se mais diretamente para a preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera.
Os Evangelhos destes dias preparam-nos diretamente para o nascimento de Jesus. Com a intenção de tornar sensível esta dupla preparação de espera, a liturgia suprime durante o Advento uma série de elementos festivos.
Desta forma, na Missa já não rezamos o Glória. Reduz-se a música com instrumentos, os enfeites festivos, as vestes são de cor roxa (à excepção do 3º Domingo, Domingo Gaudete), em que o paramento pode ser de cor-de-rosa) a decoração da Igreja é mais sóbria, etc.

Todas estas coisas são uma maneira de expressar tangivelmente que, enquanto dura o nosso peregrinar, falta-nos algo para que o nosso gozo seja completo. E quem espera, é porque lhe falta algo. Quando o Senhor Se fizer presente no meio do seu povo, terá a Igreja chegado à sua festa completa, significada pela Solenidade do Natal.

Temos quatro semanas nas quais, de Domingo a Domingo, vamo-nos preparando para a vinda do Senhor.
A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor ao final dos tempos.
A liturgia convida-nos a estar vigilantes, mantendo uma especial atitude de conversão.

A segunda semana convida-nos, por meio de João Batista, a “preparar os caminhos do Senhor”; isto é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus segue chamando-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida.

A terceira semana pré-anuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor.

Finalmente, a quarta semana fala-nos do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e a sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

Scroll to Top