Domingo XXIX do Tempo Comum (PDF)
Dia Mundial das Missões
Papa Leão XIV

Neste ano do centenário, o tema “Um em Cristo, unidos na missão” convida-nos a refletir sobre a função fundamental de cultivar a unidade da Igreja no seguimento de Cristo, em particular no nosso empenho e responsabilidade por difundir em todos os povos a mensagem evangélica da salvação.
Através do Batismo, efetivamente, cada um de nós torna-se membro do Corpo de Cristo e tem um papel único a desempenhar na obra salvífica de Jesus. Como uma única família, Nosso Senhor chama-nos a cooperar, com a ajuda do Espírito Santo, a fim de levar cada pessoa, em todo lugar, a uma comunhão de fé em Cristo.
Reitero, portanto, o apelo especial que fiz na Mensagem para o Dia Mundial das Missões: «Comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto […] serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados»
Restituir a Deus o que é seu
Ermes Ronchi 2023

Colocam a Jesus uma daquelas perguntas cortantes que agitam as audiências: Mestre, Tu que és livre e dizes as coisas como são, que relação tens com César, com o poder? A resposta de Jesus é afiada: como Lhe é habitual, diante de perguntas maliciosas, conduz os ouvintes a uma mudança de perspetiva.
Substitui o verbo “pagar” por “restituir”. Um imperativo forte: restituí o muito recebido, devolvei, olhai para a fonte. Viver é restituir vida, que vem antes de nós e continua para além de nós. Vivemos para restituir amor a quem com amor nos fez e nos faz viver. Como a respiração: acolhe e restitui, não a podes deter, é puro dom.
Jesus faz entrar em jogo a sua visão e a sua força profética, cortando o laço entre as duas palavras incisas na moeda: divino Tibério. César não é Deus, Tibério não é divino. Restituí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
Neste ponto Jesus detém-se, não se substitui a nós, não nos isenta da responsabilidade de usar a nossa inteligência para avaliar, escolher, decidir o que é de César e o que é de Deus. Restituí a Deus o que é de Deus: de Deus é a Terra e quanto ela contém. Também César pertence a Deus. Cada pessoa traz incisa a inscrição profética: eu sou do Senhor.
Cada pessoa é um talento enviado ao mundo, para dar fruto e depois restituir ao bem comum. Mas não em perda: «Dando-me, obter-me-ás de novo».
Assim se entra no circuito do dom que Jesus instaura, em vez da posse.
Não a acumulação, mas a restituição; não as portas blindadas a proteger os meus haveres, mas a sua circulação nas artérias do mundo.
O ser humano vive de vida doada.
Primeiro recebida e depois restituída.
Um em Cristo
Papa Leão XIV, Mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões, 2026

Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs
No centro da missão está o mistério da união com Cristo. Antes da sua Paixão, Jesus orou ao Pai: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós». Nestas palavras, revela-se o desejo mais profundo do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, a identidade da Igreja, comunidade dos seus discípulos: ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da fraternidade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.
Ser cristão significa permanecer em Cristo como os ramos na videira, imersos na vida trinitária. Desta união, brota a comunhão recíproca entre os crentes e nasce toda a fecundidade missionária.
A primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando nas nossas comunidades isto acontece, o seu testemunho enfraquece. A missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, requer primeiramente corações reconciliados e desejosos de comunhão.
Ser «um em Cristo» chama-nos a manter sempre o olhar voltado para o Senhor, para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, de modo a fazer-nos dizer com admiração: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim». Isto será possível na escuta constante da sua Palavra e na graça dos Sacramentos. Quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.
Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor
A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que o mundo creia que Tu Me enviaste».
É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.
Nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. O anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.
Por isso, estar unidos na missão significa guardar e alimentar a espiritualidade de comunhão e colaboração missionária. Crescendo dia a dia nessa atitude, aprendemos com a graça divina a olhar cada vez mais para os nossos irmãos e irmãs com olhos de fé, a reconhecer com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um, a acolher a diversidade como riqueza, a carregar os fardos uns dos outros e a buscar constantemente a unidade que vem do Alto.
A unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé.
Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus
Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.
Ao longo dos séculos, numerosos cristãos, mártires, confessores, missionários, deram a vida para dar a conhecer este amor divino ao mundo. A missão evangelizadora da Igreja continua guiada pelo Espírito Santo, Espírito de amor, até ao fim dos tempos.
Desejo agradecer especialmente aos missionários: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar. Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!
Faço um apelo especial à Igreja: unirmo-nos todos a eles na missão evangelizadora através do testemunho da vida em Cristo, da oração e do contributo para as missões.
Muitas vezes, bem o sabemos, «o Amor não é amado», como disse São Francisco de Assis. Sentimo-nos também estimulados pelo zelo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: «No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar».
Animados por estes testemunhos, comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor.
Cada dom, mesmo o menor entre eles, torna-se um ato significativo de comunhão missionária.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
