Folha Informativa 01-11-2026

Solenidade de Todos os Santos (PDF)

Brilhai como astros no mundo

Papa Leão XIV, 01 novembro 2025

Albrecht Durer, Adoração da Santíssima Trindade

A vida dos santos testemunha-nos que é possível viver com paixão no meio da complexidade do tempo presente, sem deixar de lado o mandato apostólico: brilhar «como astros no mundo».

As Bem-aventuranças trazem consigo uma nova interpretação da realidade. São o caminho e a mensagem de Jesus educador.

À primeira vista, parece impossível declarar bem-aventurados os pobres, aqueles que têm fome e sede de justiça, os perseguidos ou os que promovem a paz. Mas o que parece inconcebível na gramática do mundo, enche-se de sentido e luz na proximidade do Reino de Deus.

Nos santos, constatamos este reino a aproximar-se e a tornar-se atual entre nós.
Os desafios atuais podem parecer, por vezes, superiores às nossas forças, mas não é assim.

Não permitamos que o pessimismo nos vença! Devemos trabalhar juntos para libertar a humanidade da escuridão do niilismo que a rodeia e que é, talvez, a doença mais perigosa da cultura contemporânea, pois ameaça «anular» a esperança.

 

A minha sede é a minha bem-aventurança

Cardeal D. Tolentino Mendonça, 2018

Fra Angelico, Anunciação

A Igreja é chamada a abrir-se sem medos, sem rigidez, a ser suave no Espírito e não mumificada em estruturas que a fecham. A Igreja, não é uma gaiola para o Espírito Santo, porque Este também voa do lado de fora e trabalha nos não crentes, nos “pagãos”, nas pessoas de outras confissões religiosas, dado que Ele é universal, é o Espírito de Deus que é para todos.

As bem-aventuranças, chamamento existencial
As bem-aventuranças são mais do que uma lei, representando uma configuração da vida, um verdadeiro chamamento existencial. Elas traçam a arte de ser aqui e agora, ao mesmo tempo que apontam para o tempo eterno após a morte, para o qual convergimos.
Por outro lado, as bem-aventuranças são igualmente o auto-retrato de Jesus mais exato e fascinante, a chave da sua vida, pobre em espírito, manso e misericordioso, sedento e homem de paz, com fome de justiça e com a capacidade de acolher todos.
As bem-aventuranças são a imagem de si próprio que Ele incessantemente nos revela e imprime nos nossos corações. Mas são também o seu retrato que nos deve servir de modelo no processo de transformação do nosso próprio rosto, no qual devemos aprofundar a “imagem e semelhança” espirituais que liga cada dia o nosso destino ao destino de Jesus.

Não a um cristianismo de sobrevivência
A sede de Deus é fazer com que a vida das suas criaturas seja uma vida de bem-aventurança. Como? Resgatando as nossas vidas com um amor e uma confiança incondicionais. É este o seu método, é esta a bem-aventurança que nos salva. É este espanto do amor que nos faz começar de novo, esta sede que nos consegue arrancar do exílio a que fizemos aportar a nossa vida.
Por isso não nos basta um cristianismo de sobrevivência, nem um catolicismo de manutenção. Um verdadeiro crente, uma comunidade crente, não pode viver só de manutenção: precisa de uma alma jovem e enamorada, que se alimenta da alegria da procura e da descoberta, que arrisca a hospitalidade da Palavra de Deus na vida concreta, que parte ao encontro dos irmãos no presente e no futuro, que vive no diálogo confiante e oculto da oração.
É urgente redescobrir a bem-aventurança da sede: a pior coisa para um crente é estar saciado de Deus. Pelo contrário, felizes aqueles que têm fome e sede de Deus: a experiência da fé, com efeito, não serve para resolver a sede, mas para dilatar o nosso desejo de Deus, para intensificar a nossa procura. Precisamos, talvez, de nos reconciliar mais vezes com a nossa sede, repetindo a nós próprios: “A minha sede é a minha bem-aventurança”.

A Igreja como Maria: escuta, honestidade, serviço
É importante não olhar para a bem-aventurança de Maria em chave abstrata, mas real e concreta.
O seu diálogo com Deus, no momento em que o anjo lhe anuncia que Deus lhe propõe ser mãe do seu Filho, é franco, não deixa de fora emoções, surpresas e dúvidas, até à confiança incondicional e ao seu sim. Deus salva-nos não apesar de nós, mas com tudo aquilo que nós somos, e isso faz-nos enfrentar a vida com renovada confiança.
O estilo mariano deve ser o modelo inspirador do viver: Maria acolhedora, que escuta e está aberta à vida; Maria honesta na sua relação com Deus; Maria ao serviço de um projeto maior.
Sem Maria, a Igreja arrisca desumanizar-se, tornar-se funcionalista, uma fábrica febril incapaz de parar.

 

Luz terna e suave

São John Henry Newman, 1833

Que importa, Senhor
Se é tão longe para mim
A praia onde tenho de chegar
Se sobre mim levar
Pousada a clara luz do teu olhar?
Hoje Te peço
Para seres a luz
que me ilumina
na plenitude da tua luz divina

Luz terna e suave no meio da noite
Leva-me mais longe
Não temos aqui
uma morada permanente
Leva-me mais longe
Ó luz terna e suave,
no meio da noite

Esquece
Os meus passos mal andados,
meu desamor.
Perdoa os meus pecados,
eu sei que vai raiar a madrugada
e não me deixarás
abandonada
Se Tu me dás a mão, Senhor,
os meus passos serão
firmes no andar
Leva-me mais longe
para até Ti chegar

Luz terna e suave no meio da noite
Leva-me mais longe
Não temos aqui uma morada
permanente
Leva-me mais longe
Ó luz terna e suave, no meio da noite

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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