Folha Informativa 16-11-2025

Domingo XXXIII do Tempo Comum (PDF)

Karoly Ferenczy, Sermão na Montanha

O vivermos, em todas as circunstâncias da nossa vida, na presença de Deus e sob o seu olhar, ajudará a que o nosso coração se torne o verdadeiro Templo, que o Senhor quer edificar e habitar.

Tudo passa, só Deus não passa.

O melhor que podemos fazer é abrir-nos ao seu amor e sermos fiéis à relação com Ele. Por vezes, isso trar-nos-á dissabores, contrariedades e até momentos difíceis, mas a fidelidade será sempre recompensada.

É isto mesmo que nos diz a Ressurreição de Jesus: O Pai é fiel a Jesus e foi-O sempre, até ao fim.
O mesmo acontecerá connosco, se perseveramos até ao fim nesta relação.

P. Sérgio Diz Nunes, sj

Tu és a minha esperança (Sl 71,5)

Leão XIV, Dia Mundial dos Pobres, 16 novembro 2025

A pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas e os pobres não são um passatempo para a Igreja. Desejo que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas.

Todos são chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram muitos santos e santas.

Hoje, cada vez mais, os hospitais e as escolas, as casas-família, as comunidades para menores, os centros de acolhimento e escuta, as refeições para os pobres, os dormitórios e as escolas populares tornam-se sinais de esperança: são tantos sinais, muitas vezes ocultos, aos quais talvez não prestemos atenção, mas muito importantes para provocar o empenho nas diversas formas de voluntariado!

O Dia Mundial dos Pobres pretende recordar às nossas comunidades que os pobres estão no centro de toda a ação pastoral. Não é por acaso que é celebrado no final deste ano de graça, porque quando a Porta Santa for fechada as comunidades devem conservar e transmitir os dons divinos que foram derramados nas mãos ao longo de um ano inteiro de oração, conversão e testemunho.

Os pobres não são objetos da pastoral da Igreja, mas sujeitos criativos que estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho hoje, com a sucessão de novas ondas de empobrecimento, há o risco de habituação e resignação. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão.

É uma regra da fé e um segredo da esperança: embora importantes, todos os bens desta terra, as realidades materiais, os prazeres do mundo ou o bem-estar económico não são suficientes para fazer o coração feliz. Frequentemente, as riquezas iludem e conduzem a situações dramáticas de pobreza, sendo a primeira dessas ilusões pensar que não precisamos de Deus e conduzir a nossa vida independentemente d’Ele.

 

Mensagem de Leão XIV para a JMJ:
Tende coragem, eu venci o mundo!

Na primeira mensagem para a JMJ, Leão XIV apela ao compromisso dos jovens, do voluntariado à “caridade política”, para construir novas condições de vida para todos.
“Não sigais aqueles que usam as palavras da fé para dividir! Em vez disso, organizai-vos para eliminar as desigualdades e reconciliar comunidades polarizadas e oprimidas”, refere Leão XIV, num texto intitulado ‘Vós também dai testemunho, porque estais comigo’ (Jo 15,27).

O texto destaca que a fé cristã promove um modo de viver que traz consigo o carácter da fraternidade e sublinha a necessidade de artesãos da paz para o mundo contemporâneo.

Um jovem que encontrou Cristo leva para todo o lado o calor e o sabor da fraternidade, e quem entra em contacto com ele ou com ela é atraído para uma dimensão nova e profunda, feita de proximidade desinteressada, de compaixão sincera e de ternura fiel. O Espírito Santo faz-nos ver o próximo com olhos novos: no outro está um irmão, uma irmã!, indica o Papa.
O testemunho cristão nasce da amizade com o Senhor, crucificado e ressuscitado para a salvação de todos. Não se confunde com uma propaganda ideológica, mas é um verdadeiro princípio de transformação interior e de sensibilização social.

A 40.ª JMJ é celebrada este ano a nível diocesano, na solenidade de Cristo-Rei (23 de novembro), meses após o Jubileu dos Jovens a que o Papa presidiu em Roma, com celebrações conclusivas a 3 e 4 de agosto. Obrigado pela alegria que transmitistes quando viestes a Roma para o vosso Jubileu e obrigado também a todos os jovens que, em oração, se uniram a nós a partir de todas as partes do mundo. Foi um evento precioso para renovar o entusiasmo da fé e partilhar a esperança que arde nos nossos corações, disse o Papa Leão XIV.

A mensagem deixa votos de que o grande encontro de Roma, no Ano Santo, seja mais do que um “evento isolado”, apontando a um caminho de preparação até ao próximo grande encontro internacional, a JMJ 2027, em Seul.
O Papa recorda os jovens de todo o mundo expostos à violência, obrigados a pegar em armas, forçados a separar-se dos seus entes queridos, a migrar e a fugir. A muitos falta-lhes a educação e outros bens essenciais. Porém, todos partilham convosco a busca de sentido e a insegurança que a acompanha, o desconforto pelas crescentes pressões sociais ou laborais, a dificuldade de enfrentar as crises familiares, a dolorosa sensação da falta de oportunidades, o remorso pelos erros cometidos.

As nossas perguntas mais profundas não encontram acolhimento nem respostas na rolagem infinita das telas que nos prendem a atenção, deixando a mente cansada e o coração vazio. Tais perguntas tão-pouco nos levam longe se as mantivermos fechadas em nós mesmos ou em círculos muito restritos. A realização dos nossos desejos autênticos passa sempre por sair de nós mesmos.

O Papa realça que o testemunho cristão é fruto da relação de fé e amor com Jesus. A verdadeira testemunha é humilde e interiormente livre, em primeiro lugar em relação a si mesmo, ou seja, da pretensão de estar no centro das atenções. Por isso, é livre para escutar, interpretar e também dizer a verdade diante de todos, mesmo dos poderosos.

A mensagem evoca os cristãos e pessoas de boa vontade que sofrem perseguição, mentiras e violência. Não vos deixeis desanimar: como os santos, também vós sois chamados a perseverar com esperança, sobretudo diante das dificuldades e dos obstáculos, apela o pontífice.

A Jornada Mundial da Juventude nasceu por iniciativa de São João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma.
Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível diocesano (inicialmente no Domingo de Ramos e atualmente na solenidade litúrgica de Cristo-Rei), alternando com um encontro internacional, numa grande cidade; até hoje houve 15 edições internacionais em quatro continentes, incluindo a de Lisboa, em 2023.
A próxima será em Seul, em 2027.

Octávio Carmo, Agência Ecclesia

 

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