
O pecado não explica Deus.
Deus é compaixão, futuro, aproximação ardente, mão viva que toca o coração e o abre, amor que faz nascer e repartir a vida, que traz luz.
E o teu coração te dirá que foste feito para a luz.
Uma carícia de luz na escuridão.
Jesus toca e ilumina os olhos de um mendigo que nos representa a todos.
Enzo Bianchi, 2014
Ele foi, lavou-se e ficou a ver
Francisco Varo (adaptado)

Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
«Jesus que passa… Entusiasma-me com frequência – comenta S. Josemaria – esta forma simples de narrar a clemência divina. Jesus passa e apercebe-Se imediatamente da dor». Essa é a lógica de Jesus: nunca permanece indiferente às necessidades das pessoas com quem Se encontra.
As ações de Jesus para devolver a vista ao cego estão repletas de simbolismo. Primeiro, mistura a terra com saliva e esfrega essa lama nos seus olhos (lembra a passagem do livro dos Génesis, onde a criação do homem é narrada como uma figura de barro na qual o sopro de Deus infunde a vida), realizando uma nova criação. Este homem, cego de nascença, nascerá de novo, começará uma nova vida assim que puder ver.
Então Jesus diz ao cego que se lave na piscina de Siloé, e ele vai, lava-se e recupera a visão. A água desta piscina que limpa os seus olhos é um símbolo da água batismal, que nos permite ver com a luz da fé. O evangelista observa que Siloé significa “enviado”, salientando que Jesus é esse Enviado de Deus.
«Com este milagre – ensina o Papa Francisco – Jesus manifesta-Se a nós como luz do mundo; e o cego de nascença representa cada um de nós, que fomos criados para conhecer Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma luz nova; todos precisamos de uma luz nova: a da fé, que Jesus nos concedeu».
A cura realizada por Jesus provoca uma discussão acalorada, porque realizada num sábado, viola, de acordo com os fariseus, o preceito festivo. Diante da luz que cega, os doutores da lei, com uma resistência agressiva, fechados na sua presunção e incapazes de se abrir para a verdade, vão-se afundando cada vez mais na escuridão, determinados a negar todas as evidências: eles não acreditam que aquele homem tenha sido verdadeiramente cego desde o nascimento e resistem a admitir a ação de Deus.
É o drama da cegueira interior que pode afetar muitas pessoas, também cada um de nós, quando nos apegamos às nossas próprias opiniões ou maneiras de agir, sem uma abertura sincera e cordial à verdade, que pode ser exigente e determinar mudanças de rumo na nossa vida.
Paralelamente, o cego vai seguindo um caminho de crescimento na fé. No começo, não sabia nada sobre Jesus. Depois, assombrado com a recuperação da visão, dirá aos que lhe perguntam, num primeiro momento, que Ele «é um profeta». Mais tarde, diante da insistência em interrogá-lo, explica com simplicidade que, se Jesus tinha sido ouvido por Deus, era porque era piedoso e fazia a sua vontade. Finalmente, quando Jesus lhe abre os olhos da fé dizendo que o Filho do Homem é quem está a falar com ele, o cego exclamou «Eu creio, Senhor», e prostrou-se diante de Jesus.
Esta cena do Evangelho convida-nos a considerar qual é a nossa atitude: a dos doutores que, presunçosos no seu orgulho, julgam os outros, ou a do cego que, consciente das suas necessidades e limitações, vai seguindo o que Jesus lhe pede, para se abrir à sua graça e à luz da fé.
Almoço de celebração da vida do Padre Colimão
No sábado, 7 de março, juntaram-se à mesa muitos paroquianos para comemorar da maneira que o Padre Colimão mais gostava – com um almoço partilhado – o que seria o seu 90º aniversário (2 de março).
Como foi lembrado nas palavras do próprio, a celebração podia ser feita porque contava a sua existência a partir do ventre da mãe.
Pelas 16h30, foi feita a apresentação da obra orientada heroicamente por ele nos seus últimos meses de vida, Receitas da Tia Milota. A apresentação foi conduzida por Margarida Oliveira que coordenou a edição e a produziu, e por Pedro Castro Henriques, antropólogo, que falou de Garcia de Orta, dos descobrimentos e das transformações sofridas e operadas por este tempo histórico. Houve ampla participação do público.
A homenagem terminou com a celebração da Missa.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
