
Quando vivemos na desconfiança, fechados em nós mesmos, contradizemos a fé, porque, em vez de nos sentirmos filhos pelos quais Deus faz grandes coisas, reduzimos tudo à medida dos nossos problemas e esquecemo-nos de que não somos órfãos: temos no meio de nós um Pai, salvador e poderoso.
Maria vem em nossa ajuda, porque, em vez de reduzir, magnifica, isto é, ‘engrandece’ o Senhor, louva a sua grandeza. o segredo da alegria.
Maria, pequena e humilde, parte da grandeza de Deus e, apesar dos seus problemas que não eram poucos, permanece na alegria, porque em tudo confia no Senhor.
Lembra-nos que Deus sempre pode fazer maravilhas, se permanecermos abertos a Ele e aos irmãos”.
Papa Francisco, 2023
Advento em São Francisco Xavier
Domingo III do Advento
Este terceiro Domingo do Advento é chamado Domingo da Alegria por causa da antífona de entrada, retirada do apelo, Fil 4,4, «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!».
Na leitura do evangelho deste domingo vemos Jesus a ser interpelado pelos discípulos de João Baptista, que Lhe vêm perguntar: «És tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro».
A pergunta feita por João Baptista pode ser lida em dois sentidos: na sua acepção mais literal, a pergunta refere-se ao messianismo, és mesmo Tu, aquele que é a fonte da nossa alegria, o culminar da história da salvação do mundo?
Por outro lado, sabendo que não eram estranhos um ao outro, podemos ainda afirmar, que a pergunta de João Batista não seria apenas para saber se Jesus era o Messias, mas se tinha chegado a sua hora, a hora de Se manifestar.
Jesus responde positivamente a ambas as perguntas enunciado as suas obras, nunca dispensando o acto de fé necessário para ler tudo o que estava a acontecer.
A alegria que nos vem da fé, é atualizada no nosso coração pela verificação do actos do seu amor de que somos objecto: fomos visitados, mas podemos dizer mais ainda: somos visitados!
Essa é a fonte da nossa alegria, está a acontecer a nossa salvação, a misericórdia de Deus.
Mas poderíamos perguntar-nos, como é que essa presença de Deus se verifica hoje?
A resposta é simples, pela participação dos mistérios da Igreja, pelos sacramentos, pela palavra de Deus, pela oração e por um modo de vida que nos é dado viver a partir dessa misericórdia da visita de Deus à nossa vida.
É que há mesmo uma vida nova a realizar-se, a acontecer, uma vida contradiz o mundo na sua falta de esperança, pois faz os coxos andar, os cegos ver, os mudos falar, uma vida nova que se inicia neste mundo mas é sinal da ressurreição, e do mundo que há-de vir.
Padre Miguel
A Alegria do Natal
Monge Cartuxo
João Batista quando Isabel ouviu a saudação de Maria, já grávida de Jesus, «o menino saltou-lhe de alegria no seio».
Já depois do nascimento de Jesus, os magos, «ao ver a estrela, sentiram imensa alegria», conta o evangelho segundo Mateus a propósito do astro que lhes indicou o lugar onde Maria tinha dado à luz.
«Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa», disse Jesus aos discípulos. Alegria de comunhão, de amizade, alegria por partilhar a sua vida de ressuscitado, mesmo se essa vida é acompanhada pela aflição: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria! … O vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria».
E os nossos corações? Estão plenamente felizes? A alegria, será que a conhecemos? Ó homens de pouca fé!
Ficamos demasiado presos aos nossos medos, autossuficiência, independência, orgulho, às nossas riquezas de pacotilha, em suma a nós mesmos, para ter a audácia da alegria espiritual e nos deixarmos dilatar à medida do dom de Deus.
A alegria dilata, a tristeza aprisiona. Para se ser alegre é preciso um certo esquecimento de si, uma perda de si no maravilhamento.
É por isso que a alegria do adulto é muitas vezes pouco natural, enquanto que a da criança é total. Aos poucos o adulto coloca a sua alegria no ter, por vezes muito material. Mas possuir é mais da ordem do prazer; no receber e no dar é que está a alegria. E a alegria é sempre um dom, ela traz sempre a marca da gratuidade, da festa.
O contemplativo deve ter algo desta sabedoria da criança, da sua aptidão ao dom, ao abandono. O homem de negócios do “Princípezinho” está demasiado ocupado a contar e a “possuir” as estrelas para ver a sua beleza e abrir-se ao seu canto. Sejamos simples, não tenhamos medo de ser alegres.
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