Domingo XXVIII do Tempo Comum (PDF)

Jesus vai com os seus discípulos a caminho de Jerusalém e encontra-Se com estes dez leprosos. Eles gritam-Lhe à distância porque, segundo a lei de Moisés, os leprosos viviam isolados para evitar contágios. Por esse motivo, mantêm a distância.
O Senhor, ao indicar-lhes que fossem ter com o sacerdote – que era aquilo que estava previsto na mesma lei para aqueles que tivessem sido curados da lepra – mostra-lhes que serão curados.
Relata-se que eram dez, que só um deles regressa e que, além disso, era samaritano (os samaritanos e judeus eram inimigos e não se falavam). Só um regressa para dar graças e glória a Deus. Dos outros nove não se diz nada. Pelo contrário, àquele que regressa para agradecer, o Senhor diz-lhe que a sua fé o salvou.
Algumas vezes pode acontecer-nos o mesmo que a esses nove. Habituados à ação de Deus em nós talvez desde a infância, podemos esquecer a grandeza incomensurável dos dons de Deus. Pelo contrário, existem pessoas que viveram muito tempo distantes de Deus, muitas vezes simplesmente por ignorância e que, ao descobrirem a ação de Deus nelas, se sentem interpeladas e se ajoelham interiormente diante de Deus para agradecer.
Peçamos ao Senhor para aprender com o leproso samaritano. Que não deixemos de nos surpreender, de nos maravilhar pela ação de Deus em nós.
Opus Dei
A Fé
Papa Leão XIV, 2025
Ainda hoje não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda, para pessoas fracas e pouco inteligentes; contextos em que em vez dela se preferem outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer.
Não faltam contextos nos quais Jesus, embora apreciado como homem, é simplesmente reduzido a uma espécie de líder carismático ou super-homem, e isto não apenas entre os não crentes, mas também entre muitos batizados, que acabam por viver, a este nível, num ateísmo prático.
A Bíblia fala-nos de um mundo que considera Jesus uma pessoa totalmente desprovida de importância, quanto muito uma personagem curiosa, capaz de suscitar admiração com a sua maneira invulgar de falar e agir, mas quando a sua presença se tornar incómoda, devido aos pedidos de honestidade e às exigências morais que invoca, este ‘mundo’ não hesitará em rejeitá-l’O e eliminá-l’O.
Mas, para as pessoas comuns, Jesus não é um ‘charlatão’: é um homem justo, corajoso, que fala bem e que diz coisas certas, como outros grandes profetas da história e por isso, seguem-n’O, pelo menos enquanto podem fazê-lo sem demasiados riscos ou inconvenientes, embora O abandonem na sua morte.
Impressiona a atualidade destas duas atitudes, porque encarnam ideias que poderíamos facilmente reencontrar – talvez expressas com uma linguagem diferente, mas essencialmente idênticas – nos lábios de muitos homens e mulheres do nosso tempo.
Hoje, a Igreja vive em ambientes onde não é fácil testemunhar nem anunciar o Evangelho, e onde quem acredita se vê ridicularizado, contrastado, desprezado, ou, quando muito, suportado e digno de pena.
A falta de fé, muitas vezes, traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, o esquecimento da misericórdia, a violação – sob as mais dramáticas formas – da dignidade da pessoa, a crise da família e tantas outras feridas das quais a nossa sociedade sofre.
Fé, entre fragilidade humana e força de Deus
Enzo Bianchi 2016
A fé, que deve ser entendida em primeiro lugar como adesão, só pode estar presente onde existe uma relação pessoal e concreta com Jesus. A fé é um ato de confiança no Senhor.
Trata-se de aderir a Ele, de a Ele se ligar, de colocar n’Ele a confiança até ao abandono a Ele numa relação vital, pessoalíssima.
A fé é reconhecer que da parte do ser humano há fragilidade, portanto não é possível ter fé-confiança em si próprio.
Precisamente por isso, sobretudo na boca de Jesus, é frequente o uso do verbo “crer” e do substantivo “fé” em modo absoluto, sem complementos ou especificações.
Crer sem complementos, ter fé sem especificações é para Jesus determinante na relação com Deus e consigo próprio.
É verdade que a fé é um ato que se situa na fronteira entre fragilidade humana e força que vem de Deus, força que torna possível precisamente o ato de fé.
Trata-se de passar da incredulidade à fé, mas esta passagem, esta “conversão”, requer a invocação de Deus e, em resposta, o seu dom, a sua graça, que na realidade são sempre prevenientes.
Com efeito, é difícil e trabalhoso para cada um de nós renunciar a contar em si para se descentrar e colocar no centro a Palavra de Deus a nós dirigida.
Não nos esqueçamos que a incredulidade ou a pouca fé denunciadas por Jesus caracterizam a situação do discípulo, não de quem não encontra ou não escuta Jesus.
E como não nos impressionarmos perante o grito de Jesus, «a tua fé te salvou», proclamado diante de doentes, pecadores, estrangeiros e pagãos que, encontrando-O, Lhe pedem com fé para serem por Ele ajudados e salvos?
A nossa fé é sempre de curto prazo, mas basta ter em nós a semente desta adesão ao poder do amor de Deus operante em Jesus Cristo.
Crer significa, em última análise, seguir Jesus: e quando se O segue, caminha-se atrás d’Ele, muitas vezes vacilando, mas acolhendo a ação com que Ele nos reergue e nos apoia, para que possamos estar sempre onde Ele está.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
