
A vida cristã é um caminho: começamos com o batismo e caminhamos. Pode-se dizer que a vida cristã é uma estrada e a estrada justa é Jesus. Tanto que Ele disse: «Eu sou o caminho».
O meu caminho cristão como está? Parado? Errei a estrada? Estou a vaguear continuamente e não sei para onde ir espiritualmente? Paro diante do que me agrada: mundanidade, vaidade — muitas coisas, não? — ou vou sempre em frente, realizando as bem-aventuranças e as obras de misericórdia?
De que modo caminho? Sigo Jesus?
Como seguir Jesus? Transmitindo o que também eu recebi, isto é, Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras e apareceu a Cefas e depois aos doze.
Seguir Jesus é estar convicto disto, a via de Jesus é esta: há sempre um pouco de cruz e de ressurreição, mas sempre com paz na alma.
Papa Francisco, 2016
Viver no aberto de Deus e do mundo
Cardeal Tolentino Mendonça
Por vezes estamos há muito tempo a percorrer um caminho muito claro, com muita convicção e certeza. E de repente esse caminho bem delimitado desagua num espaço aberto, numa clareira onde os contornos não são tão nítidos e as fronteiras estão mais esbatidas. É então que somos chamados a fazer a experiência da diversidade, e a vida torna-se o lugar inesperado do polifónico.
O percurso crente é de abertura àquilo que se escuta no silêncio, ao que se encontra na perda, àquilo que se espera na desesperança e no vazio, ao que se toca na ausência e na experiência do luto e da morte.
Importa perceber na nossa vida como estas experiências de abertura são também um chamamento muito forte e muito claro a refazermos o nosso caminho, a acendermos uma luz, a varrermos a nossa casa, a reganharmos um cuidado pelo nosso mundo interior.
O fariseu olha para a mulher e só vê uma pecadora. Jesus consegue ver muito mais e, sobretudo, consegue ver o gesto de amor, de arrependimento, de desejo que aquela mulher transporta. E por isso é o único a sentir o verdadeiro perfume interior que ela traz. Também nós somos chamados tantas vezes a transcender as aparências, os juízos, as fórmulas, as etiquetas, as receitas, o conhecido, o que temos por estável, os preconceitos, para podermos olhar a história de amor sem palavras que cada pessoa expressa.
Mesmo no aberto precisamos de um centro. O «pleno vento» não é o nada nem o ninguém.
Os labirintos que na Idade Média se construíam no interior das igrejas são a imagem do nosso quotidiano. Podemos bater em muros que nos conduzem a lugar nenhum mas sabemos que estamos chamados à centralidade.
Sinais de deus no mundo
Dehonianos
A paixão de Jesus continua a acontecer, todos os dias. Sentimo-nos impotentes face à guerra e ao terrorismo; não conseguimos prever e evitar as catástrofes naturais; sofremos por causa da injustiça e da opressão; vemos o mundo construir-se de acordo com critérios de egoísmo e de materialismo…
Acreditamos no “Reino de Deus”, mas ele parece nunca mais chegar, e caminhamos, desanimados e frustrados, para um futuro que não sabemos aonde conduzirá a humanidade. No entanto, nós os crentes temos razões para ter esperança: Jesus garantiu-nos que não nos deixaria órfãos e que estaria sempre a nosso lado.
O “caminho” que Jesus propõe aos seus discípulos (do amor, serviço, dom da vida) parece, à luz dos critérios com que a maior parte dos homens do nosso tempo avaliam estas coisas, um caminho de fracasso, que não conduz nem à riqueza, nem ao poder, nem ao êxito social, nem ao bem estar material – afinal, tudo o que parece dar verdadeiro sabor à vida dos homens do nosso tempo. No entanto, Jesus garantiu-nos que era no caminho do amor e da entrega que encontraríamos a vida nova e definitiva.
Jesus garantiu aos seus discípulos o envio de um “defensor”, de um “consolador”, que havia de animar a comunidade cristã e conduzi-la ao longo da sua marcha pela história.
A comunidade cristã, identificada com Jesus e com o Pai, animada pelo Espírito, é o “templo de Deus”, o lugar onde Ele habita no meio dos homens. A Igreja dá testemunho (em gestos de amor, serviço, humanidade, liberdade, compreensão, perdão, tolerância, solidariedade para com os pobres) do Deus que quer oferecer aos homens a salvação?
O que é que nos falta para sermos sinais de Deus no meio dos homens?
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
