Domingo XXXII do Tempo Comum (PDF)

Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1Cor 3,16).
Eis a casa e o templo de Deus, cheios da sua doutrina e do seu poder. Eles são o habitáculo da santidade do coração de Deus.
Mas é Deus quem edifica esta morada. Construída pela mão dos homens, ela não duraria; como não resistiria se fosse fundada sobre doutrinas humanas. Os nossos vãos labores e as nossas inquietações não bastam para a proteger.
O Senhor resolve as coisas de outra maneira: Ele não pôs os seus alicerces sobre terra solta nem sobre areias movediças, mas assentou-a sobre os profetas e os apóstolos (cf Ef 2,20); ela é incessantemente construída com pedras vivas (cf 1Ped 2,5) e desenvolver-se-á até às últimas dimensões do corpo de Cristo.
A sua edificação prossegue sem cessar; à sua volta erguem-se numerosas casas, que se reúnem numa cidade bem edificada.
Santo Hilário, c. 315-367
A Terra beijada pela luz
Bernardo Fontainebleau, 2020 (adaptado)

Que “admirável mundo novo” (Aldous Huxley) vem aí? Que novos modos de ser aparecem desta Crise de crises do nosso tempo? Que crise mais nos desassossega? Que “escuridão abafa o sol” e não deixa que a ‘Terra seja beijada pela luz’? Será que a humanidade alguma vez deixou de estar em crise? Não viveremos permanentemente no mito de um Paraíso perdido que nos dá a ilusão de um progresso linear sem sobressaltos? Não será que esse mito, a dizer verdade, se anuncia mais no tempo futuro do que na arqueologia do passado?
E preciso aceder ao mais profundo do mistério da nossa existência, do questionamento do si mesmo, a partir de uma fé religiosa, sem a qual apenas restaríamos à flor da pele, sem um sentido coerente daquilo que somos e para quem somos.
Podemos pensar viver como se Ele não existisse, mas a confiança (fides) na sua presença muda tudo, em particular o nosso modo de ser terrenal. Aceder a esse centro, é aceder à pulsão da antítese que nos governa, à transformação das imperfeições em beleza, de recriação no caos.
Este ato é também uma revelação para aqueles que se deixaram enquistar em discursos vazios contra a bondade do mundo, como se Deus apenas habitasse nos templos construídos por mãos humanas.
É Paulo que nos interpela: «Não sabeis vós que sois templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós» (1 Cor 3,16).
É aqui que a experiência religiosa, fora dos subterfúgios do exercício de poder e do desejo não declarado de domínio das consciências, poderá ganhar o “bom combate” da fé, no discernimento espiritual da existência humana, e não em posicionamentos catastrofistas sem imaginação profética nem poética, que em nada correspondem à visão escatológica da esperança que nos abarca no coração da noite desesperada.
Basílica de S. João de Latrão
evangelho quotidiano
Esta basílica foi construída pelo imperador Constantino na colina de Latrão ou Lateranense, quando era papa Melquíades (311-314). Esta é, e não a basílica de São Pedro no Vaticano, a Sé Catedral do Papa. Nela foram celebrados cinco concílios ecuménicos ao longo dos tempos.
A sua fachada está coroada por quinze estátuas de seis metros de altura. No meio preside o Salvador entre os Apóstolos e dali reina e domina, abençoando e mostrando o coração aberto a todos que chama para o céu.
A festa de hoje tem um carácter importante, que é o de celebrar a unidade e o respeito para com a Sé Romana. Segundo as palavras do Papa Bento XVI: “A festa de hoje celebra um Mistério sempre atual, isto é, Deus quer edificar no mundo um templo espiritual, uma comunidade que O adore em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23-24). Mas esta celebração recorda também a importância dos edifícios materiais, nos quais as comunidades se reúnem para celebrar o louvor de Deus. Cada comunidade tem, portanto, o dever de conservar com cuidado os próprios edifícios sagrados, que constituem um precioso património religioso e histórico. Invoquemos então a intercessão de Maria Santíssima, para que nos ajude a tornar-nos como ela, “casa de Deus”, templo vivo do seu amor”. (Angelus, 9 de novembro de 2008).
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