Folha Informativa 08-06-2025

Solenidade de Pentecostes (PDF)

Fernando Gallego, Pentecostes

Vemos de duas maneiras que o Espírito trabalha pela unidade.

Por um lado, impele a Igreja para fora, a fim de que possa acolher cada vez mais pessoas e povos; por outro, reúne-a no seu interior para consolidar a unidade alcançada. Ensina-a a dilatar-se na universalidade e a reunir-se na unidade.
Universal e una: este é o mistério da Igreja.

Santo Agostinho explica a unidade realizada pelo Espírito Santo com uma imagem que se tornou clássica: «O que a alma é para o corpo humano, o Espírito Santo é para o corpo de Cristo, que é a Igreja». Esta imagem ajuda-nos a compreender algo importante.
O Espírito Santo não realiza a unidade da Igreja a partir de fora; não se limita a mandar que se unam.
Ele mesmo é o “vínculo de unidade”. É Ele quem faz a unidade da Igreja.

Papa Francisco, outubro 2024

Bem-vindo Espírito Santo!

Thomas Reese, sj, 2023

Fernando Gallego, Pentecostes

Jesus diz aos seus discípulos: É melhor para vós que Eu vá, porque, de outra forma, o Espírito não virá.
Por que é que Jesus diz que é melhor para nós se tivermos o Espírito?
Independentemente do quão perto estivermos d’Ele, Jesus é sempre externo, enquanto o Espírito está dentro de nós. Por outras palavras, é a escolha entre ter Jesus ou ser Jesus.

É o Espírito que nos faz Jesus, que nos torna o corpo de Cristo. É o Espírito que nos dá vida e nos enche de amor. É por isso que Jesus tem de ir embora para que possa enviar o Espírito. Não é suficiente para nós estarmos com Jesus; temos de nos tornar Jesus, e só o podemos concretizar com o poder do Espírito.

Em algum momento das nossas vidas, podemos ter tido uma experiência espiritual em que sentimos a presença de Deus, mas na maioria das vezes atravessámos a nossa vida espiritual sem fogos de artifício.
Julgo que o nosso problema é não sabermos como reconhecer a presença do Espírito nas nossas vidas. Julgo que experimentamos a presença do Espírito não apenas em momentos especiais, mas todos os dias das nossas vidas. Só que não O reconhecemos. Se realmente acreditamos que Deus é amor, como as Escrituras nos dizem, então, de cada vez que experimentamos amor, experimentamos o Espírito.

O Espírito está presente em todos, chamando-nos a ser mais do que pensávamos que poderíamos ser. Só o Espírito nos dá o poder de amar desinteressadamente, de nos sacrificarmos pelos outros, de nos comprometermos com a fidelidade nos bons e maus momentos, de colocar a justiça acima do nosso próprio benefício.

Ao celebrarmos a Ascensão, escutamos as palavras de Jesus, mas com ouvidos abertos pelo Espírito.
Pelo poder do Espírito, estamos unidos a Cristo e uns aos outros como um corpo. Este Cristo não é apenas o Jesus que andou na Terra, mas o Cristo cósmico.

Pelo poder do Espírito, unimo-nos a Cristo e a toda a criação, dando graças ao nosso Deus e Pai. E quando partimos o pão, o Espírito abre os nossos olhos para ver Cristo no meio de nós. Ao celebrarmos a Ascensão e o Pentecostes, oramos: «Vem Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis».

Simbólica do Espírito Santo

Fr. Lopes Morgado, ofm, 2013

As palavras gregas “Pentekoste hemera”, que significam “dia quinquagésimo”, foram adotadas na Igreja para designar o Pentecostes, festa que decorre 50 dias após a Páscoa, encerrando o denominado Tempo Pascal.
Os sete dons do Espírito Santo (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus) estão na origem do impulso missionário da Igreja desde o seu início.

Água: Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água batismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo.
O Espírito é também pessoalmente a Água viva que brota de Cristo crucificado como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna.

Unção: O sinal sacramental da Confirmação.
Cristo (Messias em hebraico) significa ungido pelo Espírito de Deus. Houve ungidos do Senhor na antiga Aliança, sobretudo o rei David. Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo».
Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo.
A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo aquando do seu nascimento e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor. É Ele que enche Cristo e cujo poder emana de Cristo nos seus atos de cura e salvamento. Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus de entre os mortos.
Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo», “o Cristo total”, na expressão de Santo Agostinho.

Fogo: Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo. «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5,19).

Istvan Dorfmeister, Pentecostes

Nuvem e luz: Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai, na tenda da reunião e durante a marcha pelo deserto; a Salomão, aquando da dedicação do templo.
É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus.
No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai-O!”» (Lc 9,35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda. (CIC 697)

Selo: Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «caráter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos.

Mão: É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes e abençoa as crianças. O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome. É pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado.

Dedo: «É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demónios.» Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra «pelo dedo de Deus», a «carta de Cristo», entregue ao cuidado dos Apóstolos, «é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne».
O hino “Veni Creator Spiritus” invoca o Espírito Santo como – “Dedo da mão direita do Pai”.

Pomba: No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Batismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável.
Quando Cristo sobe das águas do seu batismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados.
Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar.

 

 

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