Domingo V do Tempo Comum (PDF)

Cura os outros e curar-se-á a tua ferida, cuida de alguém e Deus cuidará de ti; produz amor, e Ele envolver-te-á o coração,
quando está ferido.
Ilumina outros e iluminar-te-ás, porque quem olha só para si próprio nunca se ilumina. Quem não procura, mesmo às apalpadelas,
o rosto que da escuridão pede ajuda, nunca se acenderá.
É da noite partilhada que se ergue o sol de todos.
Mas se o sal perde sabor, com que coisa se pode salgar? Conhecemos bem o risco de nos afundarmos numa vida insípida e gasta.
Acontece quando não comunico amor a quem me encontra, não sou generoso de mim, não sei querer bem.
Quando amo três verbos obscuros: agarrar, subir, comandar; em vez de seguir os três do sal e da luz: dar, acender, servir.
Ermes Ronchi 2020
A bateria do cristão
Papa Francisco, 2016

Se o cristão cede à tentação da espiritualidade do espelho não alimenta a sua luz com a bateria da oração e vê-se apenas a si mesmo, sem se doar aos outros, não pratica a sua vocação e torna-se como uma lâmpada que não ilumina e como sal que não dá sabor.
Jesus fala sempre aos seus com palavras fáceis, a fim de que todos possam compreender a mensagem. De facto, no trecho de Mateus, encontra-se uma definição dos cristãos: o cristão deve ser sal e luz. O sal dá sabor, conserva e a luz ilumina.
Um exemplo que exorta à ação, dado que a luz não foi feita para ficar escondida, porque se permanecer escondida apaga-se e nem sequer o sal é um objeto de museu nem de armário porque no final estraga-se com a humidade e perde a sua força, o seu sabor.
Mas, como fazemos para evitar que a luz e o sal faltem? Isto é, como se faz para evitar que o cristão decline, que seja débil, se enfraqueça precisamente na sua vocação?
Uma resposta pode vir de outra parábola, a das dez servas (Mateus 25, 2): cinco estultas e cinco sábias. A sabedoria e a estultice nascem do facto de que algumas levaram consigo o óleo, para que não faltasse, enquanto as outras, brincando com a luz, esqueceram-se e as suas luzes acabaram por se apagar. De resto, até a lanterna, quando começa a enfraquecer, dizemos que é preciso recarregar a bateria.
Contudo, a conclusão é a mesma: Qual é o óleo do cristão? Qual é a bateria para produzir luz? Simplesmente a oração.
Podes fazer muitas coisas, tantas obras, inclusive obras de misericórdia, podes fazer muitas coisas grandes pela Igreja — uma universidade católica, um colégio, um hospital — e até te farão um monumento como benfeitor da Igreja, mas se não rezas, tudo isto não trará luz.
Quantas obras se tornam obscuras, por falta de luz, por falta de oração.
Por oração, entende-se a oração de adoração ao Pai, de louvor à Trindade, a oração de ação de graças, também a oração para pedir algo ao Senhor, contudo sempre uma oração do coração.
É precisamente ela o óleo, a bateria, que dá vida à luz.
Outro comportamento do cristão, assim como o sal que, para não se tornar algo inutilizável, que se deita fora, um objeto de museu ou esquecido no armário, deve ser usado, também o cristão deve doar-se e temperar a vida dos outros; dar sabor a muitas coisas com a mensagem do Evangelho.
O cristão não deve conservar-se a si mesmo, mas é sal que se dá.
Jesus escolhe bem os seus exemplos: tanto a luz como o sal são para os outros, não para nós mesmos. Com efeito a luz não ilumina a si mesma e o sal não tempera a si mesmo.
Alguém poderia objetar: Se me doar, doar o meu sal e também a minha luz, eles acabarão e acabarei no escuro.
Mas há a força de Deus, porque o cristão é um sal doado por Deus no Batismo: é o sal do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma; é a luz do Pai, do Filho e do Espírito Santo que vem à tua alma.
Este dom continua a ser doado a ti se o compartilhares. E nunca acaba.
Isto é explicado, por exemplo, na Escritura com o episódio (1 Re 17, 7-16) onde Elias diz à viúva de Sarepta: «Não temas que acabe a cevada e o óleo; volta e faz como disseste» e até pede: «prepara-me antes com isso um pãozinho, e traz-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até ao dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra».
Também neste caso, é o Senhor que faz este milagre.
Portanto, ilumina com a tua luz, mas defende-te da tentação de te iluminar a ti mesmo. Defende-te da tentação de te curar a ti mesmo. Sê luz para iluminar e sal para dar sabor e conservar.
Sobre as obras, lê-se na Escritura «que se vejam as vossas obras boas e se deem glória ao vosso Pai que está nos Céus».
Isto é, é preciso voltar Àquele que te concedeu a luz e o sal e pedir ajuda ao Senhor a fim de que nos auxilie nisto: cuidar sempre da luz, não a esconder, pô-la em ato; do sal, doá-lo, o justo, o que for necessário, mas doá-lo.
O sal que se espalha aumenta e a luz ilumina muitas pessoas: são estas as boas obras do cristão.
Leituras de hoje
Dehonianos
Na primeira leitura, um profeta anónimo do séc. VI a.C. convida os habitantes de Jerusalém a serem uma luz de Deus que ilumina a noite do mundo. Como?
Oferecendo a Deus o espetáculo de uma religião feita de rituais vazios e desligados da vida? Não. Ser “luz de Deus” passa por partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar daqueles que ninguém cuida, ser testemunha da misericórdia e da bondade de Deus junto daqueles que sofrem.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo convida os cristãos de Corinto a agarrarem-se à “sabedoria de Deus” e a prescindirem da “sabedoria do mundo”.
A salvação do homem não vem das palavras bonitas, dos sistemas filosóficos bem elaborados ou das qualidades humanas dos arautos da mensagem salvífica; mas vem do amor de Deus, expresso naquela cruz onde o Filho de Deus ofereceu a vida e nos deixou a lição do amor
até ao extremo.
Paulo é testemunha privilegiada dessa mensagem: viver a partir da “loucura da cruz” é que dá sentido pleno à vida do homem.
No Evangelho, Jesus recorre a duas metáforas para definir os contornos da missão que vai confiar aos seus discípulos.
Os que integram a comunidade do Reino de Deus devem ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Com as suas “boas obras”, os discípulos de Jesus devem “dar sabor” à vida e fazer desaparecer as sombras que trazem sofrimento à vida dos seus irmãos.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
