Domingo XXXI do Tempo Comum (PDF)

A celebração de um dia como o de hoje leva-nos a dois pensamentos: memória e esperança.
Memória daqueles que nos precederam, que transcorreram a sua vida, que concluíram esta vida; memória de tantas pessoas que nos fizeram bem: na família, entre amigos… E memória também daqueles que não conseguiram fazer tanto bem, mas foram recebidos na memória de Deus, na misericórdia de Deus. É o mistério da grande misericórdia do Senhor!
E depois esperança. A memória de hoje é uma memória para olhar em frente, para fitar o nosso caminho, o nosso percurso. Caminhamos rumo a um encontro, com o Senhor e com todos.
E devemos pedir ao Senhor a graça da esperança: a esperança que nunca desilude, nunca; a esperança, a virtude quotidiana que nos leva em frente, que nos ajuda a resolver os problemas e a procurar soluções. Mas sempre em frente, em frente!
Pensando nos mortos, conservando a memória dos mortos, preservando a esperança, peçamos ao Senhor a paz, para que as pessoas não se matem mais nas guerras.
Papa Francisco, novembro 2023
Fechado para balanço
Evangelho Quotidiano
Para muitas pessoas o dia de finados é uma data triste que deveria ser excluída do calendário. Muitos, nesse dia, ficam deprimidos ao recordarem os seus entes queridos que partiram desta vida. Alguns isolam-se, outros viajam para esconder as suas mágoas…
Porém, alguns conseguem ver que este dia deve ser usado para reflexão sobre o estado da nossa conversão. Deve ser um dia de “fecho para balanço”, daqueles em que se pára tudo, totalizam-se os lucros e os prejuízos e promete-se e permite-se vida nova.
Não podemos esquecer-nos de que um dia partiremos nós desta vida. Não podemos ignorar isso pois, como um ladrão na noite, como diz o Evangelho, esse dia chegará. Felizes aqueles que foram “apanhados” em oração, com os Sacramentos em dia.
Muitas pessoas lamentam a “perda” de um pai ou uma mãe, esquecendo-se de que eles fizeram apenas uma grande viagem e que nos esperam. Partiram quando o Pai, transbordando de saudades, gritou: – Filho(a), há quanto tempo estás aí! Volta para casa! – e assim foi feito.
Muitos, porém, dos que lamentam a perda de um ente querido, em vez de serem verdadeiramente santos para um dia voltarem a encontrar-se com os seus parentes e amigos que partiram desta vida, tomam outro rumo, ora distanciando-se de Deus e da sua Igreja, ora vivendo uma fé morna, como diz Jesus. Desse modo desperdiçam a única oportunidade ao seu alcance para reverem os seus entes queridos.
Neste dia, que possamos avaliar os nossos sonhos, a nossa vida, a nossa fé e, pela glória de Deus, mudar de rumo, se necessário for.
Para onde caminhamos?
Dehonianos
Onde estão as pessoas que nos são queridas e que já terminaram o seu caminho aqui na terra?
A liturgia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos convida-nos a ver em Deus a nossa meta, o nosso horizonte final. Não, não estamos condenados a dissolver-nos no nada, a terminar a nossa vida numa escuridão sem esperança nem sentido; estamos destinados a encontrar-nos com Deus, a viver em comunhão plena com Ele, a disfrutar de uma vida nova e eterna nos braços de um Pai que nos ama infinitamente, a experimentar uma felicidade que as nossas pobres palavras humanas nunca conseguirão descrever.
A primeira leitura traz-nos o caso de Job, o protótipo do justo que sofre sem motivo nem explicação. Atingido por desgraças e tribulações sem fim, Job garante que nada fez para merecer tal sorte. Pede a Deus que seja o seu “Redentor” e lhe faça justiça. A leitura cristã das palavras de Job sugere que Deus lhe dará razão: depois de ele terminar o seu caminho na terra, Deus há de reabilitá-lo e abrir-lhe as portas da vida eterna.
No Evangelho Jesus aponta aos seus discípulos o caminho que conduz à vida definitiva, à comunhão plena com Deus. Os “pequeninos”, aqueles que se dispõem a acolher a salvação de Deus e que se entregam humildemente nas mãos do Pai, aqueles que se identificam com Jesus, manso e humilde de coração, esses estão destinados à vida eterna.
Na segunda leitura S. Paulo expõe aos cristãos de Corinto a convicção fundamental que anima a sua entrega e o seu compromisso apostólico: “Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele”. Sendo assim, Paulo declara-se pronto a enfrentar todas as crises e dificuldades que a vida lhe trouxer, pois “a ligeira aflição” do momento presente “prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória”.
A visão da eternidade dá-nos a força para vencer todas as exigências que a vida presente comporta.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
