Domingo XXX do Tempo Comum (PDF)
Sobre o amor para com os pobres
Papa Leão XIV, Dilexi Te (97)

Mesmo correndo o risco de parecer “estúpidos”, é tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha.
As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade.
É preciso recordar sempre que a proposta do Evangelho não é apenas a de uma relação individual e íntima com o Senhor.
Ela é mais ampla: «é o Reino de Deus; trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos.
Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Procuremos o seu Reino!
Amar é preciso
Ermes Ronchi 2020

Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente, resume-se num verbo: amarás.
Um verbo no futuro, a indicar uma ação nunca concluída, que durará tanto quanto o tempo.
Amar não é um dever, mas uma necessidade para viver. E viver sempre. Com estas palavras podemos lançar um olhar sobre a fé última de Jesus: Ele crê no amor, confia no amor, funda o mundo sobre ele. Só Deus ama com todo o coração, Ele que é o próprio amor.
A criatura humana ama de vez em quando, como às apalpadelas, e com mil contradições. A Bíblia sabe-o bem; com efeito, o texto hebraico, à letra, diria assim: amarás Deus com todos os teus corações. Ama Deus com os teus dois corações, com o coração que acredita, e também com o coração que duvida. Ama-O nos dias da luz, e como podes, como consegues, também na hora em que se faz escuro dentro de ti. Sabendo que o amor conhece também o sofrimento. E quem mais ama, prepare-se para sofrer mais (Santo Agostinho).
À pergunta sobre qual é o grande mandamento, Jesus responde com três objetos de amor: Deus, o próximo e tu próprio. O amor não vigia só nas fronteiras do eterno, mas protege também o umbral de uma civilização do amor. O segundo é amar o ser humano. O próximo tem rosto e voz, necessidade de amar e ser amado, semelhantes às de Deus. Terceiro objeto do amor: ama-o como a ti mesmo. Ama-te como prodígio da mão de Deus. Ama para ti liberdade e justiça, dignidade e uma carícia, isto amarás também para o teu próximo.
Porque se não amas a beleza da tua vida, não serás capaz de amar ninguém, só saberás prender e acumular, fugir ou violar, sem alegria nem espanto, sem beleza do viver.
Que amor pões no que fazes?
Ângela Roque, 2022
No atual contexto de incerteza, e com a ameaça real de uma nova guerra mundial, o Evangelho recorda-nos o testamento espiritual que Cristo nos deixou: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros”. E que o façamos como Ele o fez por nós: “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. Há lá desafio maior?
O amor que Cristo nos ensina, e a que nos convida, parece muitas vezes para além das nossas capacidades. Afinal, que amor pomos no que fazemos? Que amor pomos no que pensamos? Que amor alimentamos e permitimos que permaneça nos nossos corações, que nos leve a superar-nos em atenção, em ajuda concreta, em solidariedade?
Que amor conseguimos pôr em cada gesto quotidiano, em cada palavra, em cada minuto que dedicamos à escuta do outro? Que sensibilidade temos em relação à solidão e ao sofrimento discreto da alma, cuja dor é tão ou mais destruidora do que a física?
Combatemos a indiferença? Somos capazes de sair de nós próprios, ou já só agimos por reação, e a conta gotas, aos estímulos que nos chegam pelas notícias ou pelas redes sociais, de conflitos mais ou menos distantes, ou de casos mais ou menos mediáticos? E conseguimos ver quem está mesmo ao nosso lado?
Que amor somos capazes de sentir quando vemos as imagens diárias de uma guerra, que nos interpela, porque nos parece mais próxima do que outras, mas que não deixaram de existir e se arrastam na mesma crueldade? Percebemos que é urgente, contribuirmos para criar uma “civilização do amor”?
Afinal, onde está Deus no meio da guerra? Será possível amar o nosso semelhante, mesmo quando é inimigo? Só o amor de Deus no coração dos homens pode levar ao perdão recíproco.
Não há amor, não pode haver amor, em quem mata e destrói. Não há amor em quem ignora ou se acha superior ao seu semelhante, em quem despreza o pobre que lhe estende a mão, em quem nunca se deu aos outros ou nunca sentiu alegria pelo sucesso alheio. Como não há amor em quem impõe ideologias, ideais de vida, convicções.
Amar é o verbo principal da fraternidade a que somos chamados, mas não basta conjugá-lo em palavras. Amar o próximo como Deus nos amou exige disponibilidade, exige tempo e desprendimento, e exige entrega.
O Papa Francisco lembrou tantas vezes da urgência em combater a indiferença e insistiu no apelo a que não aceitemos a “normalização” do mal. Sim, corremos esse risco, o de banalizar e aceitar como “normal” que haja guerra, fome e perseguições, mesmo quando tudo parece ainda “lá longe”.
Que amor pomos no que fazemos?
As interrogações ajudam a soletrar o verbo Amar e a dar significado à palavra Irmão.
Eu, sempre com muitas interrogações, todos os dias peço que a luz do Espírito Santo ilumine o meu coração, o meu pensamento, a minha palavra, o meu caminho e a minha ação.
Peço que o Amor de Deus me guie, nos guie, porque só o Amor faz a diferença.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
