Solenidade de Pentecostes (PDF)

Quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos reunidos no Cenáculo, aquela efusão, ainda que extraordinária, não foi a única, mas foi um acontecimento que se renovou e continua a renovar-se.
Cristo glorificado à direita do Pai continua a realizar a sua promessa, enviando sobre a Igreja o Espírito vivificante, que nos ensina, nos recorda e nos faz falar.
O Espírito Santo ensina-nos: é o Mestre interior que nos guia pelo caminho certo, através das situações da vida.
É a memória viva da Igreja. E ao mesmo tempo que nos recorda, faz-nos compreender as palavras do Senhor. Todos nós temos esta experiência: num determinado momento, em qualquer situação, surge uma ideia e depois outra liga-se a um trecho da Escritura… É o Espírito que nos faz fazer esta estrada: a estrada da memória viva da Igreja.
Quanto mais a nossa resposta é generosa, mais as palavras de Jesus se tornam vida em nós, tornam-se atitudes, escolhas, gestos, testemunho.
Papa Francisco, 2014
Prece ao Espírito Santo
Cardeal Tolentino Mendonça, 2014
Pentecostes
Espírito Santo, sopro de nova criação,
Tu renovas o nosso tempo interior.
Enxugas os turbilhões dos nossos medos.
Agitas o pessimismo em que aprisionamos a vida.
Iluminas o profundo, mostrando tanto bem
que ignoramos.
Incitas nossas mãos para o dom de si.
Entusiasmas os crentes
para que se revelem como filhos de Deus.
Preparas a reconciliação
como o vinhateiro prepara a sua vinha.
Seguras, firme, o fio da esperança
do qual tudo se suspende.
Alegras, em todos os quadrantes,
aqueles que vislumbram a tua dança.
Decifras a prece que o nosso silêncio te murmura
Abrir as portas do coração
Papa Leão XIV, 2025
O Espírito abre as fronteiras principalmente dentro de nós. É o Dom que desvela a nossa vida para o amor. E essa presença do Senhor desfaz a nossa dureza, o nosso fechamento, o egoísmo, os medos que nos bloqueiam e o narcisismo que faz-nos rodar apenas em torno de nós mesmos.
O Espírito Santo vem para desafiar, em nós, o risco de uma vida que se atrofia, sugada pelo individualismo.
É triste observar como num mundo onde se multiplicam as oportunidades de socialização, corremos o risco de ser paradoxalmente mais solitários, sempre conectados, mas incapazes de ‘fazer redes’, sempre imersos na multidão, mas permanecendo viajantes perdidos e solitários.
O Espírito de Deus, em vez disso, abre ao encontro com nós mesmos, para além das máscaras que usamos; conduz ao encontro com o Senhor. Abraçando com amor a Palavra, somos transformados por ela, tornando a nossa vida um espaço de acolhimento.
O Espírito abre as fronteiras também nas nossas relações. E com aquele mesmo amor de Deus que habita em nós, tornamo-nos capazes de nos abrir aos irmãos, de vencer a nossa rigidez, de superar o medo em relação ao que é diferente.
O Espírito transforma aqueles perigos mais ocultos que envenenam as nossas relações, como os mal-entendidos, os preconceitos, as instrumentalizações.
Só somos verdadeiramente a Igreja do Ressuscitado se entre nós não houver fronteiras nem divisões, se na Igreja soubermos dialogar e nos acolher mutuamente, integrando as nossas diversidades e se, como Igreja, nos tornarmos um espaço acolhedor e hospitaleiro para todos.
Rumo ao amor
Monastero di Bose

Vinde Espírito Santo… a cada manhã peço um raio da sua luz.
Ao Espírito que sopra como o vente leve e imprevisível dos anoiteceres de primavera, peço que não me deixe que eu me engane ao viver o passado ou o futuro sem viver o hoje.
Peço ao Espírito para ser como o fogo que me aquece nos dias de inverno, esse fogo que me impele a ser forte comigo e com a vida, de me fazer violência quando o desejo não se torna vontade, e quando não forço o sonho a tornar-se realidade.
Peço ao Espírito que me faça falar com amor, com aquela única linguagem que todos compreendem, amigos e não amigos, crianças e idosos, crentes e não.
Peço ao Espírito Santo a unidade nas nossas diversidades, porque só se estivermos unidos o mundo se desarmará; um Espírito que desça sobre todos e seja para todos, que congregue as pequenas labaredas espalhadas neste mundo.
Peço ao Espírito a coragem de romper as nossas atitudes de defesa, o nosso estar atrás dos muros, o nosso medo que escondemos por trás das leis e das normas.
Peço aquele espírito nascido do último respiro de Jesus na cruz, que beija o mundo e nos recorda quanto é difícil permitir a Deus que nos ame.
O eco do “Vinde Santo Espírito” nas pedras da igreja, a cada manhã, diz-me que Ele entra se O deixo entrar, se vivo uma vida autêntica e se, como um verdadeiro profeta, me recordo do futuro. Diz-me para olhar para trás para recordar, mas sobretudo para ter a coragem de olhar em frente para inventar; sem a fantasia, a memória torna-se uma prisão.
O Espírito cria cada dia, é novo cada dia. Não devemos temer o novo que vem ao nosso encontro; aquilo que verdadeiramente devemos temer é uma vida sem um sentido e que não dá mal-estar a ninguém, uma vida tranquilizante que deixou de ter vontade de lutar.

Os apóstolos estavam fechados no cenáculo onde o único apoio era a feminilidade de Maria e o seu olhar de esperança. Esperava-se que o medo passasse e o calor do fogo da lareira se tornasse o fogo do coração. Uma manhã cedo, acompanhado pela estrela da manhã, o Espírito abre as portas para tirar o medo.
Por vezes pode chegar-se a abrir as portas, mas depois permanecer enjaulados num espírito de timidez que não testemunha, que não tem força, que não tem amor, que não tem atenção. Ao passo que o Espírito é força e liberdade e não Se pode deter.
As portas do cenáculo, abertas para o mundo, continuam a dizer-nos que o Espírito sopra onde quer e quando quer, e que é preciso muita atenção, para Lhe colher a sua leve presença.
Aquela porta aberta diz-nos também que não podemos contê-l’O, mas só segui-l’O e dar-Lhe espaço.
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
