Domingo XXXII do Tempo Comum (PDF)
Vencer a batalha entre virtudes e vícios
Papa Francisco, 2023

Por que vale a pena refletir sobre as virtudes e os vícios?
Para compreender bem em que direção devemos ir.
Ambos existem, ambos entram na nossa maneira de agir, de pensar, de sentir… A virtude é como a vitamina, faz-te crescer e seguir por diante. Os vícios são parasitas.
Se as virtudes são alimento para cada um de nós, alimento essencial para crescer e tornar-se adulto, os vícios opõem-se a isto, corroem-nos por dentro, devoram-nos, os ossos e a alma. As virtudes enriquecem, os vícios não são mais do que perdas de tempo, e secam-nos.
Diante da vastidão dos vícios espalhados na sociedade, o remédio a propor decididamente é o de uma radical mudança de vida, fundada na humildade, na austeridade, no afastamento das coisas efémeras e na adesão às eternas.
Ninguém deve esquecer que és uma pessoa. É mais importante ser homem ou mulher do que não ter estes vícios e virtudes. Deus não ama a adjetivação da pessoa, ama a pessoa, como é. Pecadora, não pecadora, mas como é.
Porque a sua misericórdia abraça todos.
Aos jovens
Papa Leão XIV, Novembro 2026
Desejo dar graças a Deus pela dádiva que sois para a Igreja e para a sociedade. Ele conhece-vos, ama-vos e acompanha o caminho das vossas vidas.
Apesar de serdes tão diferentes e estardes espalhados pelo mundo, o seu Espírito suscita em vós a mesma aspiração a coisas grandiosas e duradouras, impelindo-vos à busca da liberdade e da verdade. De Deus provém o vosso desejo de amar e ser amados, bem como a esperança que o Espírito Santo desperta nos vossos corações: uma esperança que pode tornar-se luz para os outros.
As palavras de Cristo começam com um convite a ter coragem. Sei bem que em nós, por vezes, tal como nos primeiros discípulos, a incerteza ou o medo podem prevalecer em vez da coragem. Muitos de vós carregais no íntimo perguntas e preocupações que oprimem o coração.
Talvez tenhais receios em relação ao futuro, sintais a pressão do sucesso e de parecer perfeitos, e estejais expostos ao stress de uma comparação constante com os outros ou com modelos inatingíveis e artificiais. Sob a influência de imagens criadas pelas redes sociais, podeis ter dificuldade em reconhecer e aceitar a vossa identidade. Sentis a necessidade de afetos sinceros, pois a tecnologia pode imitar a empatia, mas não substituir a autêntica proximidade humana. Alguns conheceis a solidão, a desilusão ou o temor de não estar à altura.
Cristo certamente não viveu nem nos promete uma vida sem tempestades. Mas nenhuma escuridão ou sofrimento é mais forte que o seu amor. Ele nunca vos abandona. Convida-vos à amizade com Ele e a confiar-Lhe o vosso caminho e o das vossas comunidades. Deixai-vos, portanto, encontrar por Jesus Cristo, que vos procura, e confiai-Lhe o vosso caminho pessoal e de grupo. Sentireis crescer no coração uma coragem nova, que não desvanece.
Prudência
Papa Francisco, 20 de março de 2024

Com a justiça, a fortaleza e a temperança, a Prudência forma as chamadas virtudes cardeais, que não são prerrogativa exclusiva dos cristãos, mas pertencem à herança da sabedoria antiga, em particular dos filósofos gregos. Por isso, um dos temas mais interessantes na obra de encontro e inculturação foi precisamente o das virtudes.
Nos escritos medievais, a apresentação das virtudes não é uma simples enumeração das qualidades positivas da alma. Retomando os autores clássicos à luz da revelação cristã, os teólogos imaginaram o septenário das virtudes – três teologais e quatro cardeais – como uma espécie de organismo vivo, onde cada virtude tem um espaço harmonioso a ocupar.
Há virtudes essenciais e virtudes acessórias, como pilares, colunas e capitéis. Sim, talvez nada mais do que a arquitetura de uma catedral medieval possa restituir a ideia da harmonia que existe no homem e da sua contínua tensão para o bem.
A prudência não é a virtude da pessoa medrosa, sempre hesitante acerca da ação a empreender. Também não se trata apenas de cautela. Conceder o primado à prudência significa que a ação do homem está nas mãos da sua inteligência e liberdade. A pessoa prudente é criativa: raciocina, avalia, procura compreender a complexidade da realidade, sem se deixar vencer pelas emoções, pela preguiça, pelas pressões das ilusões.
Num mundo dominado pelas aparências, pelos pensamentos superficiais, pela banalidade, tanto do bem como do mal, a antiga lição da prudência merece ser recuperada.
Trata-se da capacidade de governar as ações a fim de as orientar para o bem. Prudente é quem sabe escolher: enquanto permanece nos livros, a vida é sempre fácil, mas no meio dos ventos e das ondas do dia a dia a situação é diferente, muitas vezes sentimo-nos inseguros e não sabemos para onde ir. Quem é prudente não escolhe por acaso: em primeiro lugar, sabe o que quer, depois reflete sobre as situações, deixa-se aconselhar e, com visão ampla e liberdade interior, escolhe o caminho a seguir. Não quer dizer que não possa cometer erros mas pelo menos evitará grandes disparates.
Infelizmente, em todos os ambientes há quem tenda a descartar os problemas com piadas superficiais ou a levantar sempre polémicas. Ao contrário, a prudência é a qualidade de quem é chamado a governar: sabe que administrar é difícil, que há muitos pontos de vista e é preciso procurar harmonizá-los, que não se deve fazer o bem de alguns, mas de todos.
A prudência ensina também que, como se costuma dizer, “o ótimo é inimigo do bom”. Com efeito, o excesso de zelo em certas situações, pode provocar desastres: pode arruinar uma construção que teria exigido gradualismo; pode gerar conflitos e mal-entendidos; pode até desencadear a violência.
A pessoa prudente sabe conservar a memória do passado, não porque tem medo do futuro, mas porque sabe que a tradição é uma herança de sabedoria.
A vida é feita de constante sobreposição de realidades antigas e novas, e não é bom pensar sempre que o mundo começa a partir de nós, que devemos enfrentar os problemas a partir de zero.
E a pessoa prudente é também previdente. Uma vez decidida a meta a atingir, há que procurar todos os meios para a alcançar.
A vida cristã é uma combinação de simplicidade e astúcia. Como se quisesse dizer que Deus não nos quer apenas santos, mas santos inteligentes, pois sem prudência é fácil errar o caminho!
Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018
