Folha Informativa 04-01-2026

Epifania do Senhor (PDF)

Joseph Binder, Os três Reis Magos

O Evangelho não esconde a resistência das trevas à luz, descreve o caminho da Palavra de Deus como uma estrada intransitável, repleta de obstáculos.

Até hoje, os autênticos mensageiros da paz seguem o Verbo neste caminho, que finalmente alcança os corações: corações inquietos, que muitas vezes desejam justamente aquilo a que resistem.

Assim, o Natal motiva novamente uma Igreja missionária, impelindo-a pelos caminhos que a Palavra de Deus traçou para ela. Não estamos ao serviço de uma palavra prepotente – já ressoam por toda parte –, mas uma presença que suscita o bem, conhece a sua eficácia e não reivindica o seu monopólio.

Eis o caminho da missão: um caminho em direção ao outro. Em Deus, cada palavra é uma palavra dirigida, é um convite à conversação, uma palavra que nunca é igual a si mesma.
É a renovação que o Concílio Vaticano II promoveu e que veremos florescer apenas caminhando juntos com toda a humanidade, sem nunca nos separarmos dela. O contrário é mundano: ter-se a si mesmo como centro.

Haverá paz quando os nossos monólogos se interromperem e, fecundados pela escuta, cairmos de joelhos diante da carne despojada do outro.

Papa Leão XIV, homilia de Natal, 2025

 

Epifania, festa dos buscadores de Deus a caminho

Ermes Ronchi, In Avvenire, 2023

Leonaert Bramer, A Viagem dos Reis Magos para Belém

Há um Deus dos distantes, dos caminhos, dos céus abertos, das dunas infinitas, e todos têm a sua estrada. Há um Deus que te faz respirar, que está numa casa e não no templo, na pequena Belém e não na grande Jerusalém.
E os Herodes podem opor-se à verdade, travar a sua difusão, mas nunca detê-la, porque ela, em todo o caso, vencerá. Mesmo que seja frágil como uma criança.

Epifania é a festa dos buscadores de Deus, dos que estão longe, que se puseram a caminho atrás de um seu profeta interior, atrás de palavras como as de Isaías: ergue a cabeça e vê.
Dois verbos belíssimos, ergue, eleva os olhos, olha para o alto e à tua volta, abre as janelas de casa ao grande respiro do mundo.
E olha, procura uma fissura, um espaço de céu, uma estrela polar, e de lá interpreta a vida, a partir de uma perspetiva elevada.

O Evangelho narra a procura de Deus como uma viagem, ao ritmo da caravana, nos passos de uma pequena comunidade: caminham juntos, atentos às estrelas e atentos uns aos outros. Fixando o céu e os olhos de quem caminho ao lado, abrandando o passo segundo a medida do outro, de quem está mais fatigado.

Experimentemos percorrer o caminho dos magos como se fosse uma crónica da alma.
O primeiro passo está em Isaías: Levanta a cabeça e vê. Saber sair dos esquemas, saber correr atrás de um sonho, de uma intuição do coração, olhando mais além.
O segundo passo: caminhar. Para encontrar o Senhor é preciso viajar, com a inteligência e com o coração. É preciso procurar, de livro em livro, mas sobretudo de pessoa em pessoa. Então estaremos vivos.
O terceiro passo: procurar juntos. Os magos (não três, mas alguns, segundo o Evangelho) são um pequeno grupo que olha na mesma direção, fixam o céu e os olhos das criaturas, atentos às estrelas e atentos uns aos outros.
O quarto passo: não ter medo dos erros. O caminho dos magos está cheio de enganos: chegam à cidade errada; falam da Criança com o homicida das crianças; perdem a estrela, procuram um rei e encontram um bebé, não no trono mas entre os braços da mãe.

E no entanto não se rendem aos seus erros, têm a infinita paciência de recomeçar, até que, ao verem a estrela, experimentam uma enorme alegria. Deus seduz sempre porque fala a linguagem da alegria. Entram e veem o Menino e a sua Mãe. Prostram-se, adoram-n’O. Adoram um menino. Lição misteriosa: não o homem da cruz nem o ressuscitado glorioso, não um homem sábio de palavras de luz nem um jovem na plenitude do vigor, simplesmente um menino. Não é só no Natal que Deus é como nós, não só é o Deus conosco, mas é um Deus pequeno entre nós. E d’Ele não se pode ter medo, e de um menino que se ama não pode haver distância.

Oferecem-Lhe presentes. O presente mais precioso que os magos levam não é o ouro, mas a sua própria viagem. O presente impagável são os meses passados à procura, andar e andar atrás de um desejo mais forte que desertos e fadigas. Deus deseja que tenhamos desejo d’Ele. Deus tem sede da nossa sede: o nosso presente maior.
Não só Deus é como nós, não só está connosco, mas é pequeno entre nós.

Informai-vos cuidadosamente sobre o Menino.
Aquele rei, aquele Herodes, homicida dos sonhos ainda envolto em faixas está dentro de nós, é o cinismo, o desprezo que destroem sonhos e esperanças. Mas quererei eu resgatar as suas palavras e repeti-las ao amigo, ao teólogo, ao poeta, ao cientista, ao trabalhador, a cada um: encontraste o Menino?

Procura cuidadosamente nos livros, na arte, na história, no coração das coisas; procura no Evangelho, na estrela e na palavra, procura nas pessoas, procura profundamente na esperança; procura com cuidado, fixando os abismos do céu e do coração, e depois conta-mo como se conta uma história de amor, para que também eu vá adorá-l’O.
Ajuda-me a encontrá-l’O e eu irei, com os meus humildes presentes e com toda a subtileza do amor, para proteger os meus sonhos de todos os Herodes da história e do coração.

Epifania, Manifestação do Senhor

Papa Francisco, 2014

O amor de Deus vem sempre antes do nosso!
Ele toma sempre a iniciativa. Espera-nos, convida-nos, a iniciativa é sempre sua. Jesus é Deus que Se fez homem, encarnou, nasceu para nós. A estrela nova que apareceu aos magos era o sinal do nascimento de Cristo. Se não tivessem visto a estrela, aqueles homens não teriam partido.

A luz precede-nos, a verdade precede-nos, a beleza precede-nos. Deus precede-nos.
Deus procura-nos sempre primeiro, Ele dá o primeiro passo. Deus precede-nos sempre. A sua graça precede-nos e esta graça surgiu em Jesus. Ele é a epifania. Ele, Jesus Cristo, é a manifestação do amor de Deus. Está connosco.

A Igreja inteira está dentro deste movimento de Deus para com o mundo: a sua alegria é o Evangelho, é reflectir a luz de Cristo. A Igreja é o povo de quantos experimentaram esta atracção e a trazem dentro de si, no coração e na vida. «Gostaria — sinceramente — gostaria de dizer àqueles que se sentem distantes de Deus e da Igreja — dizer respeitosamente — àqueles que têm medo e são indiferentes: o Senhor chama também a ti, chama-te para fazer parte do seu povo e fá-lo com grande respeito e amor!»

O Senhor chama-te. O Senhor procura-te.
O Senhor espera-te. O Senhor não faz proselitismo, oferece amor, e este amor procura-te, espera-te, tu que neste momento não crês ou estás distante. Este é o amor de Deus.
A Virgem Maria nos ajude a sermos todos discípulos-missionários, pequenas estrelas que reflectem a sua luz.

 

Arquivo de Folhas Informativas anteriores a 25.11.2018

 

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