Dia Mundial do Doente 2026: Papa convida a gestos de “proximidade e presença”

O Papa Leão XIV convidou a gestos de “proximidade e presença”, não como “meros gestos de filantropia”, mas como “sinais de participação pessoal nos sofrimentos do outro”.

Vatican Media

“Vivemos imersos na cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”, lamentou o Papa, na mensagem que escreveu para o próximo Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de fevereiro.

A mensagem, com o tema ‘A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro’, convida a “redescobrir a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão”, chamando a “atenção para os necessitados e para os que sofrem”, como acontece com os doentes.

Na primeira mensagem que escreve para o Dia Mundial do Doente, Leão XIV indica que o amor “não é passivo”, mas procura “ir ao encontro do outro”, e reconhece que o “ser próximo” não depende da “proximidade física ou social, mas da decisão de amar”.

As palavras do Papa recuperam a parábola do ‘bom samaritano’ onde um desconhecido para o seu caminho para assistir uma pessoa “abandonada e quase morta”, trata dele com compaixão, leva-o para uma hospedaria e paga para que este seja cuidado

O Papa Leão indica que quis ler a passagem bíblica do ‘Bom Samaritano’, “com a chave hermenêutica da Encíclica ‘Fratelli tutti’”, do Papa Francisco, onde “a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que oferece o seu amor”.

“Desejo vivamente que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo”, sublinhou.

A mensagem reconhece que a compaixão “implica uma emoção profunda, que conduz à ação”.Leão XIV sublinha ainda que os gestos concretos que traduzem a compaixão não são feitos de forma isolada, e recorda a sua experiência missionária, no Peru, onde “muitas pessoas partilham a misericórdia e a compaixão ao estilo do samaritano e do estalajadeiro”.

“Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual”, traduz.

O Papa explica que “servir o próximo é amar a Deus na prática” e convida a ações desinteressadas de “recompensa”.

“Esta dimensão também nos permite contrastar o que significa amar-se a si mesmo. Implica afastar de nós o interesse de basear a nossa autoestima ou o sentido da nossa própria dignidade em estereótipos de sucesso, carreira, posição ou linhagem, recuperando pelo contrário a nossa própria posição diante de Deus e do irmão”, convidou.

Leão XIV termina a mensagem lembrando “os doentes e as suas famílias”, também os que cuidam de quem está doente, e quis recordar o trabalho de “profissionais e agentes da pastoral da saúde”.

Luís Filipe Santos, Agência Ecclesia

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